sábado, 4 de novembro de 2017

Tomando banho de sol

Durante o inverno era comum muitas pessoas se aquecerem sob o sol, da manhã, para se aquecer e amenizar o frio da madrugada. Durante as caminhadas que fazia nas idas aos sítios dos colegas e parentes, eu sempre percebia as pessoas de cócoras, nos pátios das casas, se aquecendo ao sol. Na realidade muitos estavam se aquecendo enquanto aguardavam o jantar da manhã (eles sempre falavam aguardando o café) para depois irem para o exaustivo trabalho na roça.

Os seres humanos não eram os únicos animais que aproveitavam o raiar do sol para se aquecer. Vários outros animais ficam postados ao sol e os urubus eram os mais comuns. Sempre pousavam em árvores muitas altas e ficavam de asas abertas para se aquecerem. Para os outros animais nem sempre era possível tal feito. Um coelho ou mesmo um preá não poderiam se dar ao luxo de ficarem expostos em locais altos tomando sol, pois poderiam ser vítimas de algum predador pelas redondezas.


O mais incrível dos animais que ficam expostos tomando sol eram as serpentes (cobras). Isso mesmo, as cobras costumavam se deitarem ao longo das estradas durante o período dos meses de julho e agosto, para tomarem sol. Não custa lembrar que os meses de julho e agosto são os meses mais frios do ano aqui na região Nordeste e quanto mais frio e chuvoso for o inverno, mais essas serpentes apareciam deitadas nas estradas para o preciosíssimo banho de sol e na maioria das vezes elas acabavam dormindo. Era um grande perigo para quem caminhasse distraído e acabassem pisando em alguma delas. Muitos acidentes ocorreram de pessoas que pisaram durante esse descanso e banho de sol das serpentes. Quando resolvia ir a algum sítio no Batula, Lagamar ou mesmo Serra de Itabaiana, a minha mãe ia logo alertando: cuidado com as cobras tomando sol na estrada. Eu mesmo cheguei a pisar sobre uma dessas serpentes, felizmente não fui picado e nada de grave aconteceu além de um grande susto!


Com o tempo apareceu à moda de se bronzear se expondo ao sol. Claro, a idéia não era se aquecer, por que não existe necessidade de se aquecer no verão desta região como calor característico do Nordeste. Com o passar do tempo as pessoas perceberam que a exposição excessiva ao sol traz conseqüências danosas, tais como: queimaduras e câncer de pele. Mesmo assim, mesmo depois de alguns anos, continuam vender a ideia que se bronzear é uma coisa boa e para conseguir tal feito sem prejudicar a saúde passaram vender produtos de todos os tipos. Na realidade virou um grande comércio que não traz nada de positivo para as vidas das pessoas, mas como é chique andar bronzeado, as pessoas correm os riscos decorrentes.

Apesar dos efeitos danosos de se bronzear ao sol, as pessoas continuam tomando banho de sol nas praias sem se preocupar com tais efeitos. Quem ficar se bronzeando ao sol e exagera, não consegue dormir bem a noite e no outro dia não consegue trabalhar direito, pois fica com o corpo todo dolorido e apenas um pequeno tapa nas costas faz a pessoa sentir dores como se estivesse com queimaduras. Já passei muito por isso!

Certa vez em um passeio, na Praia de Abais, observando as pessoas se bronzeando às onze horas da manhã (fazia trinta e três graus Celsius), eu na sombra tomando gelada juntamente com alguns colegas, questionei junto a eles, porque as pessoas insistiam em se bronzear em um sol tal escaldante que na realidade era uma espécie de tortura? Um dos presentes, um tremendo gozador, respondeu alto para que fosse escutado por muitos: essas pessoas na realidade não estão se bronzeando, estão fazendo um estágio para o inferno. É isso mesmo, estão fazendo um estágio para o inferno!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

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