sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O aeroporto dos cebolas

É um terreno baldio ao lado da pista (BR-235), bem em frente ao Posto da Polícia Rodoviária Federal. Era a resposta comum quando se perguntava onde ficava o aeroporto e achava estranho o fato de sempre passar pela pista, pelo menos uma vez por semana, em viagem para Aracaju, consequentemente passava sempre ao lado e nunca vi e nem ouvia alguém falar do dito aeroporto. Isso em decorrência da grande maioria da população não saber da existência e sequer era falado nas escolas!

A primeira vez que escutei que existia esse tal campo de aviação (pequeno aeroporto), em Itabaiana, fiquei curioso e como toda criança curiosa tem o hábito de fazer a prova da janela, fui comprovar in loco a existência do mesmo. Um grande terreno baldio com alguns pés de Jurubeba, tinha um pequeno campo de pelada (futebol soçaite), um pouco de lixo e ainda tinha muito terreno sem nenhuma vegetação.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Branca, cheirosa e gostosa

casa-de-farinha.jpgDepois de uma caminhada, pelo comércio, me dirijo a um restaurante e como sei que esses restaurantes do sul (estava na capital São Paulo) nunca oferecem farinha nordestina, eu questiono o garçom: tem farinha nordestina? o garçom: temos da melhor do Brasil, veio direto da Bahia!

Tomei um susto, mas pedi que me trouxessem a dita farinha. Quando servida, a farinha era amarela e um pouco grossa! Questionei ao garçom: mas essa farinha não é de mandioca e se veio da Bahia deve ter sido de algum baiano bem esperto para vender farinha de terceira como se fosse a melhor farinha do mundo. Onde moro a farinha é branca, cheirosa e gostosa. O garçom ainda interpelou: não moço, eu garanto que essa farinha é de primeira e veio da Bahia. Eu fui logo respondendo: já vi que você não é nordestino e nunca comeu uma farinha de primeira. Vou repetir, de onde venho a farinha é branca branca, cheirosa e é gostosa. Como eu já tinha experimentado a dita farinha baiana, eu fui logo rebatendo: essa não é uma farinha de mandioca de primeira e está misturada com farinha de milho. Não precisa nem experimentar, basta cheirar que se percebe.

domingo, 12 de novembro de 2017

Tomando banho de sol II

Com o passar do tempo, a onde ou moda de se bronzear ao sol (tomar sol) passou a ser feito em piscinas e conseqüentemente a moda das piscinas veio junto. Para mostrar status, a sociedade itabaianense procurou fazer uso das piscinas de várias maneiras: a elite financeira construíram suas piscinas particulares, existiam reservatórios para irrigação que eram usados como piscina (uma foi a Piscina da Serra), piscinas em clubes privados (AABB era um deles), em clubes para associados (Associação Atlética de Itabaiana), e tinha a opção se tomar banho nas piscinas dos balneários.


O Balneário de Salgado.


No período que surgiu a onda de se tomar banho em piscinas não existia balneário na Cidade de Itabaiana (hoje já existe) e a opção mais próxima e utilizada era se deslocar, geralmente nos paus-de-arara, até o município de Salgado. Ainda hoje existe o balneário de Salgado, mas muito pouco freqüentado e de certa maneira um pouco esquecido da grande maioria dos ceboleiros. As piscinas foram caindo de moda e tão esquecidas que até pouco tempo muita gente não tinha conhecimento do novo balneário existente em Itabaiana!

sábado, 4 de novembro de 2017

Tomando banho de sol

Durante o inverno era comum muitas pessoas se aquecerem sob o sol, da manhã, para se aquecer e amenizar o frio da madrugada. Durante as caminhadas que fazia nas idas aos sítios dos colegas e parentes, eu sempre percebia as pessoas de cócoras, nos pátios das casas, se aquecendo ao sol. Na realidade muitos estavam se aquecendo enquanto aguardavam o jantar da manhã (eles sempre falavam aguardando o café) para depois irem para o exaustivo trabalho na roça.

Os seres humanos não eram os únicos animais que aproveitavam o raiar do sol para se aquecer. Vários outros animais ficam postados ao sol e os urubus eram os mais comuns. Sempre pousavam em árvores muitas altas e ficavam de asas abertas para se aquecerem. Para os outros animais nem sempre era possível tal feito. Um coelho ou mesmo um preá não poderiam se dar ao luxo de ficarem expostos em locais altos tomando sol, pois poderiam ser vítimas de algum predador pelas redondezas.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

As cenouras, os coelhos e as convicções


Sempre me passaram a ideia que cenoura é o alimento preferido dos coelhos e isso me foi ensinado quando criança. Na adolescência, além da predileção dos coelhos pelas cenouras, fiquei sabendo que cenoura era bom para a vista e eu ficava me perguntando de onde tiraram a afirmação. Foi que de tanto me informarem da tal qualidade das cenouras, eu passei a questionar: de onde você tirou essa ideia? Sempre recebia uma outra pergunta de volta: você já viu algum coelho de óculos?

Durante o curso na universidade (UFS) escutei essa afirmação dezenas de vezes. Claro que os meus colegas estudantes faziam essa afirmação sabendo que era apenas uma brincadeira, mas o que eu sempre achei interessante é que tinha algumas pessoas nas áreas rurais que afirmavam com convicção de como era uma coisa verdadeira, mas era somente convicção e não um fato comprovado.

sábado, 7 de outubro de 2017

O encantador de cobras


Sempre achei impressionante as pessoas que ganham a vida mostrando um controle sobre as cobras (serpentes). Inicialmente, pensava que encantador de serpentes fosse coisa somente do mundo árabe, depois passei notar, vendo alguns filmes, que os indianos também praticam essa atividade. É bom lembrar, que essas ideias sobre pessoas encantando serpentes nos são ensinadas através de filmes no cinema e na tv.

Mas como o decorrer do tempo passei a notar que no Brasil, mais especificamente na minha terra natal, tínhamos nossos encantadores de serpentes No passado, quando ainda frequentava as feiras do interior, era comum vermos os chamados marreteiros se utilizando de serpentes para venderem seus produtos. Tudo bem que os encantadores de serpentes que víamos no cinema e na TV ganhavam a vida encantando as serpentes fazendo com que elas ficassem dançando e com isso as pessoas sempre pagavam com alguma quantia pelo espetáculo. Já no nosso querido Brasil, as serpentes era apenas um meio de atrair a atenção das pessoas para vender algum produto e o produto mais vendido usando serpentes era a famosa Diogenina em Pó.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Antigas profissões dos cebolas XII - Os aprumadores de ruas

Toda criança observar com nitidez o lugar onde mora e sempre costuma comparar com os lugares que visita. Uma das coisas que sempre observava, quando criança, era as ruas por onde passava e comparando com as ruas das cidades vizinhas, eu sempre me perguntava: por que as ruas da minha cidade começam estreitas e terminam larga? Ou começam largas e terminam estreitas?

Rua Monsenhor Constantino (antigo Beco do Ouvidor) - Foto Google Maps
A rua onde morava, quando criança, só tinhas residências em um dos lados, mas a medida que se aproximava do centro da cidade (praça da matriz e feira) era com casa em ambos lados e a partir do local que ela tinha casa em ambos os lados, era estreita e quando chegava perto da feira a rua era larga!