quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Os cebolas e a mania de grandeza

Quando morava nas proximidades do Beco Novo (Rua Coronel Sebrão), na Cidade de Itabaiana, eu e os colegas de infância costumávamos ir para a conhecidíssima “Fazenda Grande” (também era conhecida como Campo do Governo) e, sempre ia pela estrada que passava pela barragem do Açude Velho. Saíamos de onde morávamos, Rua Dr. Hunaldo Cardoso (atual Rua José Mesquita), seguindo em direção da Serra de Itabaiana (direção Leste), atravessando pelo lado do Açude Velho (passávamos por cima da barragem de concreto) e, do outro lado seguíamos caminho passando ao lado dos sítios do Sr. Vasconcelos (à direita), à esquerda, ficava o sítio do pai de Arnaldo (eles tinham sítio, mas moravam na cidade, e, justamente na Rua Dr. Hunaldo Cardoso), filho de Dona Hora.

O maior Eucalipto do Mundo

Saindo da onde morávamos até chegar no Açude Velho, passávamos ao lado de um sítio que tinha um pé de Eucalipto enorme. Segundo os moradores daquela época, era o maior Eucalipto do mundo! Esse pé de Eucalipto era solitário, mantido sempre limpo e podado durante todo o tempo. Tinha um tronco linheiro (em linha reta), sem galhos, e, uma copa na parte superior. Certamente, tinha mais de vinte metros de altura, mas, ninguém contestava em ser o maior do mundo, por não conhecer a existência de outro maior. Mas, mesmo assim, todos afirmavam que era o maior do mundo!

O Mercado Celeiro do Estado.

Durante um período, a produção hortigranjeira de Itabaiana abasteceu grande parte das cidade vizinhas, e, a capital do Estado (Aracaju). E, em decorrência da grande produção e abastecimentos destas cidades, foi considerada a cidade Mercado Celeiro do Estado. Acredito que em decorrência desse título é que se desencadeou a mania

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que o cebola soube de Aracaju !

Ao descobrir o Brasil,Pedro Álvares Cabral confundiu os nativos com os habitantes da Índia e como consequência ele chamou os nativos de índios. Até hoje, de maneira errônea, nós chamamos os nativos de índios!

Mas esses tipos de erros se perduram no tempo e por incrível que pareça, são registrados nos livros de História, é uma tradição e herança que temos dos portugueses. Para isso vamos ver algumas coisas estranhas na cidade de Aracaju-SE.

Ponte do Imperador

Desde criança fomos informados que Dom Pedro I desembarcou em uma ponte na Cidade de Aracaju-SE. Quando a pessoa visita, o que seria uma ponte, é na realidade um ancoradouro de barcos! Isso é registrado nos livros de História de Sergipe até os dias atuais!


Avenida Euclides Figueiredo.

Essa Avenida, que não é avenida, liga a Cidade de Aracaju ao Conjunto João Alves Filho (Conjunto Siri), em Nossa Senhora do Socorro. Foi projetada para ter duas vias e foi construída com apenas uma, embora a prefeitura tenha recebido repasses (dinheiro) do governo Federal para construir uma Avenida. O então Presidente (ditador) General João Figueiredo reclamou que tinha mandado recursos para construir uma avenida e construíram uma rua! A avenida (rua) foi batizada de Euclides Figueiredo em homenagem ao pai do Ditador Militar da época e foi quem mandou os recursos para construção da mesma!

Os terrenos as margens desta rua foram doadas e ela acabou ficando estreita para o grande volume do tráfego de veículos e como consequência existe

sábado, 22 de agosto de 2015

Parabéns Itabaiana 127 anos


segunda-feira, 27 de julho de 2015

A INVASÃO DOS ÍNDIOS !!!


Manoel Resende Dos Santos



Sobrado onde ficava a a Escola do Padre
(Foto conseguia no Grupo Itabaiana Grande (Facebook).
Por falar em "Índios", quem se lembra das "indhagens" (ou "indiagens") de Itabaiana no início da década de 60? Talvez seja essa turma hoje representada pelos condutores dessas motinhas de 50 CC que tanto ouço falar que atanazam o cotidiano dos caros confrades da velha Itabaiana, ou talvez mais apropriadamente , as gangues de torcidas de times de futebol do centro sul.

O certo é que qualquer ajuntamento da molecada para aprontar seja no cinema, nas praças ou em qualquer evento público, eram tachados de "Indios" e dai o neologismo, "Indiagem", muito usado para definir e qualificar os diversos

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Micarena em Itabaiana


Não foi à toa que o jornalista Sebastião Nery não perdia o nosso coroné de vista! KkkkkkkkkkkkkkkE detalhe: a Lei...
Posted by José De Almeida Bispo on Quinta, 23 de julho de 2015

sábado, 18 de julho de 2015

Zé de Ave – O noivo



Zé de Ave – O noivoBem, como essa foi contada a mim, na frente de pelo menos mais dez pessoas, entre colegas ou apenas...
Posted by José De Almeida Bispo on Sexta, 17 de julho de 2015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

JOSÉ BEZERRA.

Por Antônio Samarone

Sexta-feira, 30 de maio, a Academia Itabaianense de Letras dará pose a Antonio Amorosa, na cadeira que tem como Patrono o ator, mágico, cantor e palhaço José Bezerra. Aluno de Procópio Ferreira, montou um circo, e saiu pelo interior levando a arte circense e a novidade do teatro. O famoso Circo e Teatro José Bezerra, o Palácio de lona verde.
Depois do espetáculo, vinha o DRAMA, nome de uma pequena peça teatral comandada por José Bezerra. Itabaiana parava esperando a hora do Drama, num tempo sem televisão e sem novelas.
Nunca esqueci a apresentação do monólogo, escrito por Pedro Bloch, "As Mãos de Eurídice", dificílimo, tarefa para os grandes atores, brilhantemente representados por José Bezerra. 
O monólogo narra as desventuras do escritor Gumercindo, que decide abandonar a família e fugir com Eurídice, uma jovem bela e ambiciosa. Os dois vão para Mar del Plata, na Argentina. Ele a cobre de jóias e presentes caros, e ela, por sua vez, torra a fortuna do amante em cassinos, acabando por levá-lo à ruína financeira.
Como mágico, a maior façanha de José Bezerra era a colocação de uma mulher no espaço, solta, sem nenhum fio escondido. Eu enchia os bolsos de limões, na crença que chupando-se limão, eu poderia desvendar os segredos da mágica. O limão cortava os poderes do feiticeiro. 
Depois de Zé Bezerra, Circo para mim perdeu a graça, parecem muito previsíveis.

Texto replicado do grupo ITABAIANA CULTURAL

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O sino mágico!

Quando passei no vestibular e fui estudar na UFS (Universidade Federal de Sergipe) existia e ainda existe um sino logo na entrada da cidade. Embora passasse pelos menos uma vez por semana no local, nunca tinha prestado atenção nos detalhes e sequer sabia quem tinha colocado naquele local.

Foto conseguida no Grupo Itabaiana Grande (FAcebook)
O sino não é mágico pelo fato de não ser notado por parte dos transeuntes do local. Era invisível pelo fato das pessoas se acostumarem passar no local, cotidianamente, que nem prestavam atenção no mesmo. Embora soubesse da existência, só recentemente percebi que é uma obra do Rotary Club de Itabaiana.

Na década de oitenta, era comum o grande número de ceboleiros estudando na UFS. O ponto de encontro comum na universidade era o restaurante. Na hora do almoço, os que iam ficar para as aulas a tarde, os que iam para o trabalho

terça-feira, 12 de maio de 2015

O CARTÃO POSTAL

Sempre que visitamos alguma cidade, uma das coisas que olharmos é a entrada principal da cidade. Mas estranhamente a grande maioria das cidades descuidam de sua(s) entradas e muitas tem pelo menos a preocupação de montar alguma coisa dando as boas vindas as que estão chegando de visita e desejando boa viagem aos que estão saindo. Em muitos casos, a entrada da cidade, é o cartão postal principal da cidade..

Quando visito minha terra natal, fico feliz que finalmente as autoridades e munícipes resolveram colocar uma entrada digna para a cidade e com um cartão postal mais digno.

Pórtico na atual entrada da cidade, mas que já não tão entrada da cidade.
Quando os visitante chega, a esse local, já percorreu mais de um quilômetro
 de área urbana.
Hoje a entrada principal, da cidade, é feita pela Av. Dr. Luiz Magalhães. Mas na minha adolescência, a entrada era pela Avenida Manoel Francisco Teles, depois entrava pela Rua Quintino Bocaiuva, passando pelo lado do CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga) e ia

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Aniversário do Grupo Itabaiana Grande (FACEBOOK)

100 Anos de Itabaiana Grande Um pequeno vídeo inédito da festa do centenário de elevação de Itabaiana à Categoria de Cidade.
  


Nas comemorações dos 4 anos do Itabaiana Grande, presentei=os com este vídeo raro de 1961 de nossa Itabaiana Grande. Espero que gostem. Este é o 2 de 4... O 1 de 4 é este, reassista https://www.youtube.com/watch?v=n5VXMeqjKD0 

Vídeos conseguido no GRUPO ITABAIANA GRANDE NO FACEBBOK

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Os Abandonos das Escolas Públicas


Escola Mun. Sebrão Sobrinho
Povoado Mundo Novo
 Itabaiana - Sergipe
Sempre estamos acostumados ouvir falar do abandono das Escolas Públicas pelo Poder Público. Analisando as críticas parei para observar e notei que não existe uma estatística de quantas escolas existem abandonadas (se existem não são divulgadas) e os motivos por que tais fatos ocorrem. E o mais interessante é que este abandono nem sempre parte do poder público, existe uma parcela de colaboração e cumplicidade dos moradores e usuários destas escolas. 

Como eram as Escolas Públicas

O que vou descriminar aqui é a minha experiência de vida, ocorrida no Estado de Sergipe e não uma pesquisa científica efetuada para tal.

Na década de sessenta as escolas, principalmente da Zona Rural, eram geralmente escolas com duas salas de aula e que normalmente só funcionava uma sala de aula. Era raro o funcionamento destas escolas com duas salas de aulas
 Já nas áreas urbanas, as escolas já tinham uma estrutura semelhante ao que conhecemos hoje, tinham várias salas de aulas, diretoria e geralmente mais de um professor/a.  A distribuição dos alunos nas escolas urbanas eram feitas por séries, idade e sexo. Já nas escolas Rurais não existiam essa distribuição, até por que os alunos ficavam todos em uma única sala e com uma única professora. 

 Uma particularidade da época era como os professores eram contratados (ainda não existia a figura do Concurso Público). Os professores eram contratados

domingo, 29 de março de 2015

OS FUNILEIROS

No decorrer da história da humanidade existiu e ainda existem várias profissões. Umas existem desde os tempos remotos até os dias atuais e outras apareceram e desapareceram de acordo com a necessidade. 

Uma profissão (não reconhecida pelo Estado) muito importante na sociedade no início do século passado era a de Funileiro. O nome da profissão já nos induz que ele fabricava FUNIL. Na realidade, o funil era o produto mais procurado e fabricado por este profissional. Mas ele fabricava além do funil: candeeiro, ralador, latas (geralmente para o transporte de água), bicas, ratoeiras, brinquedos, etc.Eram verdadeiros artesões a serviço da comunidade.. 

Serviço dágua

O transporte de água no dorso de animais
ainda é comum em muitos povoados.
Antes da década de 60, do século XX, não existia água encanada na cidade de Itabaiana. Toda água consumida vinha de cisternas e de fontes d'água próximas a cidade. Essa não existência do serviço de fornecimento de água propiciava trabalho a outro tipo de profissional atípico: o vendedor de água! O vendedor de água ganhava a vida vendendo água em latões (fabricado pelos funileiros) e geralmente entregando o produto em cada residência (o mais conhecido era carboreto). Tinham os que ganhavam  algum dinheiro (alguns garotos da época) vendendo água, para beber, nas feiras livres e utilizando a famosa Muringa (moringa). 

Toda água era trasportada em latões no dorso de animais (geralmente jegues). Esses latões eram feitos de folhas de zinco, que eram pregados dando voltas em dois pedaços de madeira (formato quadrado) e essa madeira tinha, na parte considera de cima, um buraco por onde se colocava a água. Para evitar perda de tempo e desperdício de água, na hora de encher esses latões, se colocava um funil no buraco e a água era derramada neste funil, com um pano para cuar (filtrar) as partículas sólidas. 

Venda de gás (na realidade querosene)

Embora a cidade já constasse com serviço de energia elétrica, desde o início do século passado (século XX), a falta de energia era uma constante. Os bairros mais distantes e povoados não contavam com o fornecimento de energia elétrica. Para iluminar as casa eram usados candeeiros (feitos por funileiros) e lampiões. O combustível utilizado era o querosene e o transporte era feito em garrafas de vidro. Para encher essas garrafas, candeeiros e lampiões era utilizando o importante Funil!

Fabricação da fogos de artifício

Para se encher os canudos das chuvinhas, as tabocas de pequenos foguetes e até mesmo de pequenos vulcões se utilizava o Funil. A pólvora era colocado dentro desses vazilhames socando através de um funil fabricado especificamente para esse serviço. Era um procedimento que se exigia muito cuidado. Uma pequena pedra caindo dentro de funil, por ocasião de se socar a pólvora, se faria fricção e provocaria um incêndio que geralmente era muito grave. O funil além de facilitar a colocação do produto evitava o desperdício.

A matéria-prima

Para o fabrico dos utencilios eram usados folhas de zinco, folhas de flandre e reaproveitamento (eram verdadeiros recicladores) de latas vazias de diversos produtos. Todo o trabalho era manual e exigia muita habilidade e criatividade (verdadeiros artesões).

Os mais conhecidos

Os funileiros mais conhecidos, da cidade, era Cosme e Fobica. Cosme foi meu vizinho no Beco do Ouvidor e o mesmo trabalhava na calçada da residência. Nunca encontrei Cosme sóbrio, mas mesmo assim realizava o trabalho de maneira magistral e os produtos saiam com perfeição. 

Fobica (nunca soube o nome do mesmo), eu o conheci quando fui morar na Rua Hunaldo Cardoso (continuação da Rua das Flores) esquina com Padre Felismino. Trabalhava em uma garagem alugada, bem em frente ao Campo do Baltazar. Costumava agradar a mulecada distribuindo apitos feito de lata. Os garotos da rua costumava levar as latas que esvaziavam (as mais comuns eram latas de leite em pó), em casa, para que ele reutilizassem. 

Existiam muitos outros, mas eu conheci mais dois (não tinha amizade) que eram chamados de galego. Um filho de Dona Rosinha (esse fabricava e a mãe vendia na feira) que morava na Rua General Siqueira e o outro galego que morava no recentemente construído Conjunto Miguel Teles de Mendonça, próximo a caixa d'água.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2015

Os cebolas nos jogos de infância


Sempre gostei de jogos e comecei a jogar logo aos cinco anos de idade (1966 do século XX). O primeiro jogo que aprendi a jogar foi o chamado jogo de baralho “burro”. Que era considerado o jogo mais simples para essa modalidade. Mas durante minha vida vi jogos de vários tipos. Alguns já existentes na comunidade, outros importados de localidades distantes e outros criados pela imaginação dos moradores locais.

Grande parte desses jogos existia em várias cidades e iam sofrendo variações na distância e no tempo. Não vou falar de futebol por ser um esporte popularizado pela grande imprensa devido o motivo da seleção brasileira de futebol ter sido campeã mundial. Vou relatar apenas os jogos que eram praticados mais pelas crianças.

Na década de 60 e 70 do século passado (século XX) era comum a “mulecada” se divertir criando todo tipo de jogos ou mesmo copiando os que eram trazidos por viajantes da cidade.

Alguns jogos eram na realidade brincadeiras realizados em grupo (um grupo competindo com outro). Alguns tinham participação feminina e os mais comuns eram: o jogo De Queimar, De Pegar e Se Esconder. Todos esses jogos (também considerados brincadeiras infantis) tinham variações e geralmente, por questões de segurança, tinham suas áreas de realização delimitadas ao quarteirão onde morávamos. Mas tinha os jogos que eram de participação exclusiva masculina e os mais populares eram: figurinhas, bola de marrathi (bola de gude) e Castanha no Buraco.

De queimar

Esse jogo era realizado com o uso de uma bola, um campo e dividido em duas partes iguais, por uma linha riscada no chão, cada grupo (poderia ser composto por somente meninos, meninas e as vezes por ambos) ficava lado a lado nesta linha e se jogava a bola nos componentes do grupo adversário, caso acertasse se dizia que o adversário foi queimado e era obrigado a se retirar do jogo. O grupo que tivesse todos os seus componentes queimados, consequentemente perderia o jogo. A bola mudava de posse do grupo a cada vez que arremessada e errasse o alvo ou algum componente do grupo adversário conseguisse segurar a bola se que ele caísse ao chão (só o componente atingido pela bola poderia segurar a mesma).

De Pegar

Era realizado um grupo contra o outro, ou um componente inicial era sorteado para que fosse pegar todos os outros componentes (esse era o mais comum). O pegar correspondia quando se tocava no adversário. O adversário pego passaria a auxiliar a pegar os demais adversários.

As variações mais comuns nas regras eram: a) o componente inicial ia pegando e os pegos iam se juntando para irem pegar os demais componentes; b) o componente inicial ficava pegando os demais componentes até sobrar um ou nenhum componente (conforme combinando no antes de iniciar o jogo) e c) um grupo saia a pegar o outro até não sobrar nenhum adversário (nessa modalidade o adversário pego não era convertido e sim afastado até o final do jogo). Esses eram os tipos mais comuns na cidade onde morava e cidades vizinhas..

Descriminei as versões mais comuns, mas existiam muitas variações na mesma localidade, por localidades diferentes na mesma cidade e muitas outras variações em cidades vizinhas.

De Se Esconder

Esse jogo raramente tinha a participação feminina. Tinha o mesmo princípio do jogo De pegar. Só que em vez do componente inicial efetuar o toque nos demais, ele bastaria encontrar e anunciar em voz alta que encontrou outro elemento. Dependendo do acordo feito antes se se iniciar, o componente encontrado poderia se juntar ou não ao componente(s) inicial (is) e passaria a procurar os demais. O componente que ficasse sem ser encontrado por último se tornava o vencedor.

Muitas das vezes, participei desses jogos sendo realizado à noite e em sítio. Muito perigoso, já que se escondíamos em qualquer toca de mato e o perigo se picado por algum animal ou inseto peçonhento era muito grande. Às vezes o jogo era descontinuado por motivo que às vezes não se conseguia encontrar todos os participantes. A dificuldade de se encontrar todos os participante era tão grande que às vezes se pisava no procurado e não se percebia.

De figurinha (conhecido como Bafo)

album de figurinhas.jpgQuando garoto era comum todo ano aparecerem álbuns de figurinhas e dezenas de pessoas se prontificavam como colecionadores. Era um modismo que se espalhava pela cidade local e cidades vizinhas. As figurinhas eram coladas no álbum, as repetidas eram trocadas com outros colecionadores e mesmo assim sobravam muitas que eram utilizadas para competição.

O jogo consistia em se colocar as figurinhas viradas com o rosto para o chão, o chão eram sempre superfícies bem lisas, os apostadores tentavam virar as figurinhas batendo com a mão aberta sobre as mesmas (se chamava abafar) e tentando fazer com que elas virassem o rosto para cima. A quantidade (era sempre variada) e quem iam começar o jogo eram definidos ante de se começar (em) a (s) partida (s).

jogo_de_figurinha_bafo.jpgAs regras eram variadas e as mais comuns: a) o jogador inicial ia batendo nas figuras e as que fossem sendo viradas passavam a pertencer ao mesmo. Caso não conseguisse virasse sequer uma, a vez passava para o adversário. b) os jogadores iam batendo nas figuras alternando a vez e as figuras que fossem sendo viradas iam ficando com quem as virou; c) o jogador inicial ia batendo, enquanto fosse virando as figuras continuava batendo, caso não conseguisse virar sequer uma, passava a vez para o adversário, as figuras viradas iam ficando ao lado e quem conseguisse virar a última figura ficava com todas que foram apostadas (essa era a variação mais popular).

A venda das figurinhas eram mais populares nas lojas de Fefi (Rua das Flores Esquina com Rua Desembargador Maynard) e do Arrojado (Beco do Cisco) e próximo onde eu morava eram vendidas na Budega de Dona Rosa (Rua Hunaldo Cardoso esquina com Beco do Ouvidor) e na budega de Dona Rosita (Beco Novo esquina com Rua Padre Felismino). Próximos a esses locais de venda ficavam concentrados os trocadores e apostadores, mas a maior concentração de jogadores ficava em frente à Loja do Arrojado, no outro lado da rua, em frente aos portões da Loja do Crediário (não dava acesso a loja). Os batentes das portas eram lisos (local apropriado) e sempre limpos e não incomodava o movimento dos fregueses da loja, já que a entrada (Frente da Loja) ficava pela Rua da Vitória.

Bola de marrathi (Bola de gude)

Os jogos com a bola de gude eram encontrado em todas a áreas da cidade e cidades vizinhas. Tinhas muitas variações, mas os mais populares e com padrões semelhantes nas regras eram: no buraco (buica) e suas dezenas de variações , teco a distância (acertar distância) e triângulo.

O teco era a ação de se jogar a bola contra a bola do adversário. Poderia ser feita de duas maneiras: 1) a pessoa ficava de cócoras e pegava a bola, segurava com a mão, colocava a mão no local da bola, posicionando o dedão atrás da bola e com esse dedo acionava a bola em direção da bola do adversário tentando acertá-la (para jogadas quando as bolas estavam muito próximas) e 2) a pessoa ficava de cócoras, colocava o dedão de uma das mãos no local da bola e segurando a bola com a outra mão arremessava a bola contra a do adversário (para jogadas com as bolas distantes). Era considerado teco quando acertava a bola do adversário. Em alguns modalidades, deste jogo, era obrigatório de usar a primeira forma de teco em todas as jogadas!

Castanha (de caju) no Buraco

Era jogado somente no Beco Novo (Rua Coronel Sebrão) e proximidades. Nunca presenciei esse jogo em outras áreas da cidade e em cidades vizinhas da qual morava. Tinha as regras muito semelhantes ao jogo de bola de marrathi (bola de gude) no buraco. A diferença que jogando bola de gude o buraco ficava no chão e o jogo com a castanha de caju se usava os buracos existentes nas paredes das residência para escoamento da água da chuva. Esse jogo era praticado na época em que os cajueiros nos brindavam com os seus frutos. Por ocasião da realização do jogo era obrigatório que não se estivesse chovendo. As castanhas eram jogadas, no buraco, de uma distância pré-determinada (as castinhas tinha de ficar dentro do buraco) pelos participantes (poderia se dois ou mais) e quem conseguisse colocar as castanhas (as quantidade eram acertadas antes de se iniciar cada partida) primeiramente dentro do buraco (essa era a regra padrão e poderia sofrer pequenas variações) ficava com todas as castanhas apostadas.

Eram comuns os donos das casas onde realizávamos a pratica deste jogo reclamar do barulho e sempre perguntavam se não tínhamos o que fazer. O período de realização deste tipo de jogo coincidia com as férias escolares! Tínhamos quatro meses de férias por ano e três (dezembro, janeiro e fevereiro) correspondia justamente a safra do fruto do caju e consequentemente da castanha.

Esse jogo tinha a vantagem que depois de muito tempo ganhando era possível se alimentar do resultado dos jogos. As castanhas do caju é um bom petisco quando assadas!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

CONSTRUINDO UMA TRAGÉDIA!


Tanque do Povo - Atual Mercadão
Na década de 70, do século XX, Itabaiana era uma pequena cidade com uma pequena população e uma pequena área urbana. Ruas estreitas, metade delas tinha pavimentação à paralelepípedo, as praças não eram pavimentas (algumas arborizadas), as casas tinham quintais grandes, muitas com cisternas e com muitas árvores frutíferas. Existiam casas com grandes quintais até mesmo no centro comercial da cidade. Como exemplo posso citar a Casa comercial Café Novo Horizonte que ficava bem em frente ao Largo Santo Antônio. Existiam dezenas de lagoas, nesta mesma Área Urbana, e a mais conhecida delas ficava justamente no centro comercial da cidade: O Tanque do Povo.

A Área Urbana era um tanto irregular. Pelo lado Nordeste, bem próximo ao centro da cidade, praça principal ou Praça da Matriz (Praça Fausto Cardoso), distante apenas três quarteirões se chegava a Área Rural (Sítio da Família Barbosa). Mas pelo lado oeste e norte, da Área Urbana, se caminhava vários quarteirões para se sair da cidade e chegar a Área Rural.

Com o passar do tempo à cidade foi crescendo, imóveis foram se valorizando e os terrenos passaram a ter grande valor. Consequentemente as pessoas passaram a construir nos quintais, os terrenos baldios foram ocupados, as lagoas foram aterradas e onde existiam pequenos riachos as margens foram aterradas e colocados bueiro nos locais das calhas por onde deveriam passar á agua pluvial (água da chuva)..

Desrespeitar as regras físicas da natureza, principalmente o Ciclo Hidrológico, trás consequências desagradáveis, tais como:

Cobertura Vegetal

A cobertura Vegetal funciona como um tapete protetor evitando que a chuva caia diretamente no solo. Parte da água que cai fica temporariamente acumulada nas folhas dessas árvores. Os solos protegidos pelo Tapete Verde (as árvores) são geralmente de fácil infiltração e permite que parte da água da chuva fique reservada no subsolo. Chuvas de pequeno volume sequer chega a formar correnteza devido a água ficar acumulado nas folhagens das árvores e no subsolo. Com o crescimento da cidade os quintais foram ocupados com novas construções, devido a valorização dos terrenos urbanos, e consequentemente a cidade foi ficando cada vez mais impermeabilizada

As pequenas lagoas

As lagoas que existiam na cidade eram na realidade Lagoas de Contenção! Embora os moradores não percebessem, elas funcionavam com essa finalidade. Dependendo se a chuva fosse mais forte que o normal, as primeiras correntezas tinha destino final nessas lagoas e caso a chuvas fossem mais fortes que o normal se levava algum tempo até as águas da chuva formassem correnteza preenchendo os córregos e riachos.

Cruzamento em frente ao Estádio Presidente Médici. Na década de 80 esse cruzamento ainda não era pavimentado e na esquina em frente podia-se ver o riacho que atravessava as duas avenidas por um bueiro. Nesta década construíram um canal dando sequência ao bueiro e justamente nesta década ocorreu uma dessas chuvas fora do padrão. Como o canal não deu conta, as águas entravam pela frente das casas e saiam pelos fundos e é bom deixar claro que ainda não existia a casa da esquina.
Neste local era onde ficava o famoso Tanque do Povo. O canal que atravessa as avenidas na foto anterior desaguava no tanque do povo e depois levava (ainda leva) as águas, por baixo das casa e das ruas, até o Açude da Macela.
As praças e os terrenos baldios

As praças existentes, terrenos baldios e muitos quintais não tinham, na maioria das vezes, cobertura vegetal, mas também não tinham nenhum tipo de pavimentação. Mesmo as ruas da cidade, somente metade era pavimentada. Com o decorrer do tempo praticamente tudo foi pavimentado, algumas ruas com paralelepípedos e outras com pavimentação asfáltica, tornando a superfície impermeável e dificultando a infiltração da água no solo.

Terreno no fundo da antiga rodoviária e ao lado do forum. Neste terreno existia um córrego (ou riacho) com mais ou menos um metro de largura com um metro de profundidade (hoje totalmente aterrado).
Os córregos e riachos

Os pequenos riachos tiveram suas calhas transformadas em canais por uso de bueiros ou mesmo foram construídos estruturas de concreto. Mas as áreas adjacentes desses córregos foram aterradas e ficaram somente justamente os canais substituindo os córregos. Além de estreitarem os córregos, por onde deveriam (ou deverão ) passar á água pluvial, isso faz a água se espalhar para os terrenos mais próximos, fizeram com que a água se locomovessem com maior velocidade.

Essa é a entrada principal do Colégio Estadual Murilo Braga(CEMB). Neste local existe um bueiro que não dá conta das águas nas chuvas de verão (trovoadas) e em se tratando de chuvas anormais é um verdadeiro caos. Cansei de ter de entrar no colégio molhando os sapatos com as meias! As águas ia por um córrego alimentar um riacho que desaguava em duas lagoas em frente ao atual Hospital Dr. Pedro Garcia.
Esta rua em frente tinha um riacho que a atravessava e caia em duas lagoas e só depois passava por baixo da Avenida Dr. Luiz Magalhães (este local fica em frente ao atual hospital Dr. Pedro Garcia). Já naquela época ocorreu um chuva fora dos padrões (início da década de 80) onde as lagoas transbordaram e as águas passou por cima da avenida! Hoje o riacho está devidamente escondido e foi desviado para bueiros que estão sob a rua em frente as casa, mas antigamente as águas passava por dentro das lagoas no local onde estão as casas.
Essa esquina fica oposta a esquina do CSU. Antigamente existia um riacho que atravessa o terreno que hoje é ocupado pela rua esquerda, o terreno cercado, a rua a direita e somente depois passava por um bueiro atravessando a Av. Dr. Luiz Magalhães. No local terreno cercado existia uma pequena lagoa. Na rua a esquerda ocorre alagamentos mesmo nas chamadas chuvas normais! Na década de 80 (século XX) houve uma grande chuva onde a água invadiu o Armazém e depósito de gás Ubaldo (os botijões de gás ficaram flutuando na água).

A Pavimentação asfáltica

Recentemente a cidade recebeu pavimentação asfáltica em quase totalidade das ruas. Até mesmo as ruas que já tinham pavimentação a paralelepípedo foram coberta com pavimentação asfáltica e aí mais um agravante. Embora os paralelepípedos tornem o terreno impermeável ele não aquece o ar igualmente a pavimentação asfáltica. O ar aquecido torna a cidade desconfortável e tem maior capacidade de manter um maior volume de água suspensa em forma de vapor e regiões aquecidos geralmente se tornam área convergente para chuvas torrenciais!


Para onde vai a água da chuva?

Primeiramente ela ocupa as folhas das árvores. Caso a chuva continue, a água ira ser depositada no subsolo por infiltração e somente depois a água irá se deslocar pela superfície até as lagoas mais próximas. O deslocamento da água poderá ser mais veloz ou não dependendo da pavimentação e estreitamento dos canais pluviais. Se chuva persistir, a água irá vazar, nas lagoas, preenchendo os córregos e riachos. Isso em situação normal. Caso não existam as árvores, as primeiras águas que deveriam ficar nas folhas e subsolo já irão formar correnteza em direção as lagoas, caso não existam as lagoas a águas irá aumentar rapidamente o volume dos córregos e se as calhas dos córregos não forem suficientes para absorver a quantidade das águas, a enchente é inevitável.

Juntando a águas que deveria ficar nas árvores, as que deveriam ficar no subsolo e com as águas que deveriam ficar contidas nas lagoas, tem-se o volume das águas, nestes córregos, aumentado em várias vezes e em uma duração de tempo menor que em condições normais. Vale lembrar que temos o agravante que esse volume de água tem menos espaço para se deslocar pela superfície! Em chuvas fora dos padrões normais a destruição será inevitável e com potencial aumentado várias vezes!

OBSERVAÇÃO: Foram mostrados somente algumas fotos como exemplos, mas o padrão de ocupação urbana ocorre por toda a cidade e em todos os locais onde existiam áreas arborizadas, córregos, riachos e lagoas.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)


Crédito da fotos: Tanque do Povo (Grupo Itabaiana Grande - Facebook) e as demais foram conseguidas do Google Maps

Textos relacionados:
Os Cebolas, os tanques e as lagoas - Antõnio Carlos Vieira
A LAGOA DO FORNO (A Mossaranha) - José de Almeida Bispo

domingo, 11 de janeiro de 2015

OS NOMES E APELIDOS DAS COISAS PÚBLICAS!

É comum se colocar nomes nas coisas públicas: ruas, avenidas, escolas, bairros, povoados, etc. No decorre dos tempos esses nomes são mudados de acordo com o interesse popular ou mesmo de interesse (políticos) da Administração Pública. 

A Administração Pública nomeia os logradouros públicos homenageando pessoas consideradas importantes e santos (geralmente da Igreja Católica). O inconveniente é que nem sempre essas homenagens representam a vontade popular. É comum as pessoas não saberem por que os povoados, ruas e praças onde moram tem nome de pessoas que nunca ouviram falar!!! Isso é decorrente do Poder Público batizar esses logradouros a partir de homenagens prestadas pelos e por interesses políticos. Em contra-partida, as pessoas costumam colocar nomes nos locais a partir de fatos da convivência nesses locais e muitas vezes acabam colocando nomes estranhos, tais como: Povoado Saco Torto, Povoado Pé do Veado, Rua do Ovo, Rua do Cacete Armado, Bairro Eucalipto, Bairro Lata Velha, etc.

Um caso interessante de se colocar apelidos foi o que outrora era o chamado Campo de Aviação! Nunca se tornou uma pista de pouso de aviões! Com o decorrer do tempo as pessoas passaram a jogar lixo no local e em decorrência as pessoas passaram a chamar o local de “Lata Velha”. Pouco tempo depois o terreno foi dividido em lotes e doado para diversas pessoas construírem suas residências. Durante a ocupação dos lotes, e transformação da área em Bairro, foi instalado ao lado uma torre de transmissão da primeira rádio da cidade, consequentemente muitas pessoas passaram a chamar o local de “Bairro da Torre”. 

O que deveria ter sido um campo de pouso de aviões se tornou um terreno baldio cheios de jurubebas que a população passou a utilizar como depósito de lixo. Posteriormente a Administração Pública doou lotes de terras para alguns cidadãos construírem residências e hoje é oficialmente o Bairro Miguel Teles de Mendonça.

As pessoas ocuparam o terreno sem estrutura básica e as vias públicas (ruas) se tornaram verdadeiros lamaçal!!! Em decorrência alguns moradores se dirigiam a prefeitura para solicitar melhorias que resolvessem o problema.Quando chegavam na prefeitura eram mandadas que fossem até a casa de Seu Francisco (Líder Político da época) efetuar as devidas solicitações. 

As primeiras pessoas que se dirigiram a casa do Seu Francisco foram convidadas a entrarem e questionadas do que se tratava. No qual ele relatavam o problema: que a rua onde morava estava com muita lama e solicitavam, ao líder político, que mandasse alguns homens da prefeitura para que desse um jeito. O problema foi quando questionadas onde moravam: alguns respondiam que moravam no “Bairro da Torre” e outros respondiam que moravam na “Lata Velha”. Como resposta o Seu Francisco mandava que a pessoas voltassem para suas casas e aprendessem o nome correto do bairro, onde moravam, para que depois viessem fazerem as devidas reclamações!!!

Eles não eram atendidas por que Seu Francisco não gostava que chamassem “Bairro da Torre” por que a rádio pertencia aos adversários políticos e quando chamavam de “Lata Veia” o problema era maior ainda, já que o nome do Bairro é Miguel Teles de Mendonça, o pai de Seu Francisco e por esso motivo chamado de Chico de Miguel.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

domingo, 4 de janeiro de 2015

A LAGOA DO FORNO (A Mossaranha)

Por José de Almeida Bispo


O aventureiro inglês Richard Burton disse que ela fica em cima da serra de Itabaiana e tem nove quilômetros por três de comprido. Por ouvir dizer. Errou feio. Quanto ao fato de ficar em cima da serra de Itabaiana, contudo ela não errou. É preciso levar em conta que os primeiros europeus que na região chegaram entendiam todo o domo e não apenas a serra mais alta, como de Itabaiana. Mas o que confere magia à pequena lagoa é a lenda de sua origem, captada no imaginário popular na segunda metade do século XIX por Armindo Guaraná, e razoavelmente difundida por José Sebrão de Carvalho, o sobrinho.

A Lagoa do Forno, como hoje conhecida fica entre os riachos dos Tapuias e da Taboca, dela também se originado um terceiro, o riacho do Sangradouro. Foi por séculos ponto de parada dos viajantes no trânsito entre Itabaiana e a antiga capital de Sergipe, São Cristóvão, cuja estrada real lhe passa às margens, justo do lado onde começa o supra citado riacho do Sangradouro. Atualmente, é mais facilmente atingida pela estrada de rodagem para o povoado Ribeira, que também lhe margeia a uma distância pequena, aproximadamente no quilômetro 1,5, a partir da BR-235. Recentemente foi foco de preocupação e querelas partidárias por tentativa de apropriação por parte de particulares e consequente aterramento, um crime ambiental, pois, fato que foi confundido com os trabalhos de asfaltamento da antiga estrada real São Cristóvão-Itabaiana, em quase toda a sua extensão, ora em andamento.

A lenda da Mbuçarãe, toscamente chamada pelo colonizador europeu de Mossaranha é uma daquelas belíssimas trazidas da cultura indígena. Conta-se que, havia na região um casal de índios em que o valente guerreiro era extremamente ciumento, e sua amada, bela, na mesma proporção. Os espíritos maus ocuparam a cabeça do valente guerreiro por algum tempo lhe gerando um ciúme doentio. Certo dia, doente de ciúmes descobriu que sua amada tinha ido se banhar nas nascentes do rio das Pedras e lhe foi ao encontro. Por infelicidade a encontrou conversando com o dito índio de quem mais tinha ciúmes com ela e, tomado de furor, matou a ambos. O local da tragédia ficou conhecido como a Tocaia, que na língua indígena se Mondé, corrompido pelo europeu para Mundés, onde hoje é conhecido como Rio das Pedras, um próspero povoado às margens da BR-235. Após cometer seu ato tresloucado, o grande guerreiro doente de ciúmes caiu em depressão e passou a chorar até as morte. Chorou tão copiosamente que suas lágrimas geraram uma lagoa que tomou o nome de sua bela e infeliz amada: Mbuçarãe. Que hoje é a conhecida Lagoa do Forno."