quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Os Cebolas, Os Tanques e as Lagoas VI

O Tanquinho


Cena comum na minha infância
Em Itabaiana existiam muitos campos de peladas (Futebol Soçaite) e era comum garotos moradores de um região da cidade irem jogar com outros garotos em outras regiões.

Um domingo pela manhã, a turma da minha rua, fomos convidados para jogar em um campo chamado Mangueirão. O campo ficava em área considerada rural, cercado de mangueiras e no lado direito, sentido sul norte, passava uma estrada que levava até o Açude Novo. Passei a utilizar essa estrada par ir fazer minhas pescarias.

Dia chuvoso, o campo com algumas poças d’água e muita lama. Ambiente perfeito para uma pelada cheia de brincadeira onde o que menos importava era justamente a prática de futebol. Na hora de irmos embora estávamos todos emporcalhados pela lama! Foi quando um dos garotos, morador da região, nos convidou para tomar um banho no Tanquinho!
- Fica onde?
Aqui! Do lado do campo.

O Tanquinho ficava bem ao lado do campo e a pessoas só percebia a existência se atravessasse a estrada, pulasse uma cerca com apenas dois arames, passasse por um pequeno elevado de areia de malhada, coberto por arbustos de Jurubeba e Marmeleiros. Uma lagoa que a primeira impressão era um grande buraco cavado (em torno de 60 metros de diâmetro). Ficava em um terreno plano e terrenos planos não são locais ideais para construção de lagoas! A areia retirada foi jogada no lado oeste (formava o pequeno elevado de areia) e no lado leste tinha algumas casas, todas de taipa, construídas com frentes viradas para a lagoa. Um fato interessante e raro, pela proximidade da rua (área urbana) era que não existiam esgotos correndo para dentro da lagoa! O Acesso, sem pular a cerca, era por uma estrada vicinal, que olhando da estrada principal se via as casas e não via o Tanquinho. Ficou a impressão que o tanque foi construído, de uma maneira tal , par não ser visto por quem passasse pela estrada!

Hoje, com o crescimento da Área Urbana, não saberia informar a localização exata deste tanque (foi aterrado), lembro que ficava localizado na parte norte da cidade, distando uns seiscentos metros da Igreja matriz.

domingo, 24 de agosto de 2014

É ALÍ!


Acho que é ali... Estátua em memória
 de José Martí,  no bairro de El
Vedado, em Havana, Cuba
Quando criança era comum minha mãe se assustar com o meu desaparecimento. Como toda criança era normal ficar curioso e costumava explorar os arredores de onde morava. Como costumávamos mudar de endereço, pelo motivo de morarmos de aluguel, era comum o curioso sempre está sumindo de maneira repentina. 

Nesta época tudo era longe e como quem tem boca vai a Roma, eu sempre perguntava, aos adultos, onde ficava os lugares que tinha curiosidade de conhecer e a resposta era sempre: é ali!. 

No começo ia até o Povoado Lagamar ou mesmo até o outro lado da cidade (Povoado São Luiz). Achava muito distante, mas as pessoas sempre informavam que era logo, ali! 

Certa vez, os garotos da rua resolveram fazer uma pescaria, no Rio Jacarecica. Discutimos que era longe e onde muitos diziam que era perto! Pois bem, saímos, em caminha rápida, entrando pelo Beco Novo e ao chegar no povoado São Cristóvão (na época se chamava Sete Casas) perguntamos a um dos moradores onde ficava o dito rio: é ali! 

Quando já íamos ao final da curva da estrada na Fazenda Grande (ficava nos fundos da fazenda), vinha passando um senhor de bicicleta e mais uma vez a pergunta onde ficava o referido rio: sigam essa estrada e quando chegar em uma encruzilhada entre a esquerda. - Fica perto: é ali! 

Depois de uma longa caminha, finalmente chagamos. O ali teve um tempo de mais ou menos uma hora e meia. Um alí com um percurso de uma légua e meia, que equivalem a nove quilômetros!
No lugar, onde ocorreu a pescaria,  fica a atual Barragem do Rio Jacarecica , Itabaiana - SE
Durante a pescaria víamos muitos peixes nas lagoas, mas pegar o peixe que era bom, nada! Cercávamos os peixes com a rede e quando puxávamos nada de peixe. Eles sumiam entre as pedras e a lama. No final da pescaria pegamos alguns camarões (cinco quilos). Para a quantidade de pessoas envolvidas, na pescaria, era muito pouco. Mas valeu pela diversão e a caminha, até ali!

Começou a chover, estávamos cansados e com calor, começamos a comemorar, mas um senhor, que ia passando, nos alertou para ficarmos do lado do rio onde iríamos pegar o caminho de volta pra casa. Ele apontou em direção ao sertão e afirmou: quando chove no sertão (onde fica a nascente do rio) o rio enche de repente e pega as pessoas de surpresa e elas ficam sem poder atravessar! Não levamos em consideração o que o idoso falou e tivemos de atravessar o rio puxando uns aos outros. Como a correnteza ficava forte rapidamente, atravessamos o rio às pressas, mas ganhamos alguns arranhões nos solados dos pés pela teimosia em duvidar do idoso!

O retorno foi mais divertido. A estrada de onde fica o cruzamento até chegar a Fazenda Grande ficou um limo (escorregadia) depois de molhada! Os ciclistas iam empurrando as bicicletas, os carros passavam lentamente e os que estavam a pé se preocupavam em pisar onde tinha toiceira de mato, isso para evitar os escorregões. De qualquer maneira fui um dos que chegou em casa com os short sujo de lama. Em um desses escorregões não consegui me equilibrar e cai sentado! Alem da dor tive de agüentar as gozações.

Pouco tempo depois fui morar em Aracaju, na Rua Riachuelo, bem no fundo da Igreja do Salesiano. Para ir ao trabalho eu pegava o ônibus em frente ao Hospital de Cirurgia e no primeiro dia fui perguntando se era longe o centro da cidade, até o Edifício Maria Feliciana (Edifício Estado de Sergipe), e a resposta: rapaz é longe! Você pega o ônibus, ele vai até a rua da frente e você desce em frente ao Calçadão e depois segue o resto caminhando a pé!

Durante algum tempo utilizei o ônibus para ir ao trabalho, até que um dia resolvi voltar caminhando. Foi que descobrir que o percurso era de mais ou menos doze minutos de caminhada (mais ou menos um quilômetro)! Obtive a informação que era longe, mas era ali!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

sábado, 16 de agosto de 2014

Os cebolas, os tanques e as lagoas V

As lagoas em frente ao Hospital


Por ocasião da construção do Conjunto General João pereira ainda se notava, nos arredores, a presença do que foi uma malhada (roça). Resto de leiras (covas para plantio), algumas manqueiras e alguns tanques. Na realidade dois tanques bem próximos um do outro. Ficavam bem em frente ao local onde hoje fica o Hospital Dr, Pedro Garcia Moreno (inicialmente se chamou Hospital Rodrigues Dória).

Seguindo pela rua em frente existia um pinguela, feita com o tronco de uma árvore,
que dava acesso a Rua do Fato (Rua Itaporanga)
Até a construção do hospital algumas crianças ainda tomavam banho em uma dessas lagoas. Uma delas tinha uma mangueira as margens que servia de trampolim para se efetuar o pulo sobre a água. Mas quando fui morar no conjunto, essas lagoas ainda existiam, mas não eram mais usadas para nenhuma finalidade, nem mesmo para banhos. Bastante poluídos pelos esgotos. Ela tinha água durante o ano todo devido ao córrego que vinha desde a lagoa que ficava na Praça de Eventos e recebia vários esgotos domésticos pelo caminho. Também recebia muita água vinda de um chafariz (uma bomba que no meio da rua e tirava água do subsolo) que ficava bem na esquina das ruas onde fica o atual Ginásio de Esporte Militão. 

As lagos foram aterradas por ocasião da construção da casa residencial do Arrojado e ficando somente um córrego ou riacho (era como a população chamava). Em época de fortes chuvas, esse riacho transborda, em vez de passar pleo boeiro que fica por baixo da pista, ele transbordava passando por cima da pista (Avenida Dr. Luiz Magalhães).

Do lado esquerdo era onde ficava as duas lagose do lado direito pode-se ver
uma parte do muro do Hospital Doutro Pedro Garcia.
Mesmo com a construção do Hospital (ficou vários anos sem funcionar) as ruas, das redondezas, só vieram a ser pavimentadas muito tempo depois e foi quando o riacho ficou embutido em boeiros que fazem as pessoas imaginarem que nunca existiu algum riacho ou mesmo que existiram duas lagoas no local.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Os cebolas, os tanques e as lagoas IV

Lagoa na praça de eventos


Quando tinha meus sete anos de idade, eu costumava ir até a casa da madrinha da minha mãe. Ela morava no Povoado São Luiz, que hoje é um bairro! Onde hoje fica localizado o Campo do Itabaiana (Estádio Presidente Médici) e a Praça de Eventos era uma grande terreno coberto por uma imensidão de areia branca. Toda a praça era utilizada como campos de peladas. Nesta época, no lado onde oeste da praça, existia uma lagoa! Não era uma lagoa grande, mas existia e com um pequeno pé de mangueira bem as margens.

Como naquela época minha mãe não me deixava ir até o outro lado da cidade, oposto de onde morávamos, não cheguei ver o aterro desta lagoa. Acredito que tenha sido aterrada com a construção do Estádio Presidente Médici.

Utilidade da praça

Com a construção do Estádio Presidente Médici, o restante da praça continuou um grande areal sendo utilizado geralmente como campos de peladas (futebol soçaite), as festas natalinas eram realizadas na Praça Santa Cruz passaram a ocorrem na nova praça e todos os circos, que visitavam a cidade, mostravam seus espetáculos neste local, ou seja, na prática já era praça de eventos desde aquela época.

Fotografia tirada na década de 70 (século passado). Foto retirada no
 Grupo Itabaiana Grande (facebook, internet)
Um problema em frente ao colégio

Essa lagoa, quando sangrava, formava um pequeno um riacho (na realidade um córrego) que era alimentado, durante o percurso, pelos esgotas das casas vizinhas.Seu percurso atravessava um terreno (se dizia Praça) que ficava ao lado esquerdo do Colégio Estadual Murilo Braga que com o decorrer do tempo virou um depósito de lixo e depois se transformou em uma área residencial.

Fofo conseguida no grupo Itabaiana Grande( Facebook, intenet) Observando-se 
está  foto  percebe-se que existe um terreno baldio  (diziam que era uma praça) e

 era por esse terreno que passava o córrego  que era o sangradouro da lagoa 

que existia antigamente na atual Praça de eventos.
O córrego entrava em um boeiro antes de passar em frente do Colégio Estadual Murilo Braga. O problema era quando a chuva era forte, o bueiro não comportar a grande quantidade de água, tínhamos de entrar no colégio molhando os pés, no período que eu estudava, se usava sapato vulcalitre (feito com material sintético). Os pés abafados, juntamente com as meias molhadas, provocavam chulé o suficiente para incomodar durante o decorrer das aulas!

Em ocasiões de chuvas torrenciais a frente do colégio, e as ruas laterais
 ficavam alagadas e era obrigado a todos atravessarem molhando os pés!
 (foto retirada no google - 2012)
Depois de atravessar por frente o colégio e as ruas o córrego entrava para trás das casas passando bem ao fundo da padaria do João Patola (hoje a padaria fica na outra esquina de frente), percorria pelos fundos das casas da Rua do Fato (Rua Itaporanga) e da rua que ficava ao lado do Colégio Estadual Murilo Braga, indo desaguar em outra duas lagos que ficavam em frente ao atual Hospital Dr. Pedro Garcia Moreno.
Aspecto atual da Praça de Eventos (foto retirada no google - 2012)