sábado, 25 de janeiro de 2014

O GRILO JOGADOR

Quando entrei no chamado ginasial tinha apenas 10 anos de idade e o colégio CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga) tinha somente uma quadra esportiva para prática de Educação Física. Mas o governo resolveu construir mais uma quadra e lá se vai propaganda massiva. Não se falava outra coisa no colégio e como o colégio era uma espécie de alma viva da cidade de Itabaiana (SE), toda a cidade estava a par do fato.

Uma quadra poliesportiva!
O local escolhido, para construção, foi ao lado da quadra existente e hoje no local (das duas quadras) existe o Ginásio de Esporte José Milton Machado (O Militão). A quadra existente era de cimento liso, sem divisões e com travessões fixos. A nova quadra foi construída entre a quadra existente e o muro dos fundo do colégio, de cimento crespo (aconselhável o atleta não cair), dividida em quadrado (para evitar rachaduras com a dilatação) , tinhas traves móveis, suporte para prática de basquetebol, tinha desenho para pratica de handebol, futebol de salão e era cercada por canos! Os canos não tinha rede de metal como era e é comum nos alambrados que cercam locais fechados.

O lado da quadra, que dava para os muros, era bem mais alta que o lado para a parte interna do colégio e funcionava como se fosse uma arquibancada (sem degraus, cadeiras e não era cimentada). Foi nesta parte mais elevada onde ficaram as autoridades e o corpo diretivo do colégio.

A grande inauguração
Para os dias de hoje, a inauguração, seria um caso considerado exagerado para uma quadra tão simples para os padrões atuais. Mas, na época, vieram, de Aracaju (capital de Sergipe) o representante do governador, do Secretário de Educação e também estiveram presentes as autoridades da cidade, todo o corpo diretivo do colégio, professores e grande parte dos alunos do CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga).

O acidente
Quando cheguei no evento já tinha acabado o falatório das autoridades. Só que ao chegar, resolvi ir para o lado onde era mais alto e escolhi ir por detrás de uma das traves., onde atletas estava praticando arremesso ( equipe de Handebol da seleção sergipana). Quando ia bem ao fundo do travessão, um dos atletas fez um arremesso que estufou a rede o suficiente para a bola acertou bem no meu rosto!. Com o impacto, andei de costas e braços abertos em direção aos canos de fazia o papel de alambrado!. O atleta, que fez o arremesso, percebeu o ocorrido e no embalo do arremesso, continuou correndo e me segurou evitando que eu caísse. Os nobres colegas do CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga) ficaram a rir em vez de me socorrerem! Um dos professores da equipe de Aracaju foi quem me deu assistência. Depois de constado que estava tudo bem, meu nariz tinha parado de sangrar, fui para o local onde estava a equipe de Futebol de Salão do CEMB.

Distribuindo as camisas
Quando da aproximação do final do jogo de Handebol, os professores começaram a distribuir as camisas para os atletas de futebol de salão e ao mesmo tempo iam falando as regras que seriam utilizadas durante a competição. Uma das poucas regras que escutei foi “os que estivessem jogando ruim seria substituído”.

No momento da distribuição um dos atletas aparece reclamando do tamanho da camisa (muito grande para o atleta). O menor atleta da equipe, de braços abertos e falando: Tonho você está de esculhambação?

Todo mundo rindo, inclusive ele. Prontamente, o professor Tonho, respondeu: Grilo, deixa de reclamação, essa é a menor camisa que encontrei, não tenho culpa. Era eles falando isso e todo mundo rindo. Do alto, ao lado da quadra, os alunos torcedores: “não aceita não Grilo, é marcação, pede pra trocar a camisa”. Isso a turma toda rindo do acontecido.

No decorre do jogo
Mesmo antes de se inciar o jogo era perceptível a popularidade do Atleta Grilo junto aos alunos torcedores e para surpresa geral dos presente (inclusive para mim) o mesmo estava jogando um bolão.

De vez em quando, um e outro aluno torcedor gritava dando enfase as jogadas do mesmo. Mas estranhamente, vindo dos professores que administravam o time, vei a ordem de substituição e justamente do Atleta Grilo!

O problema é que o mesmo em vez de sair da quadra, abriu os braços e de dentro da mesma, questionou: mas a substituição não era pra quem estivesse jogando ruim? Eu não vou sair não!

Enquanto o mesmo questionava, os alunos torcedores gritava: você tá certo Grilo, quem tá jogando melhor é você. Não saia não!. Já outros gritavam : Grilo! Grilo! Grilo!

Os professores paralisados com a surpresa da personalidade forte do pequeno atleta, uns olhavam para a diretora e outros discutiam com ele negociando a saída da quadra. Enquanto os professores negociava, alguém gritou, deixa ele aí e manda entrar o outro jogador e continua o jogo assim mesmo. Neste momento, alguém chuta a bola em direção ao centro da quadra, só que a bola passou muito perto de Grilo e ele segurou a bola. De posse da bola, foi para o centro da quadra e continuou dizendo que não sairia por que não foi o que ficou acertado (combinado). E a torcida: Grilo!Grilo!Grilo!

A diretora do colégio (Dona Maria Pereira) deu a ordem de continuarem o jogo sem substituir o pequeno atleta. E enquanto isso, os alunos torcedores: Grilo!Grilo!Grilo! Somente faltando alguns minutos é que o Grilo, por iniciativa própria, solicitou a substituição, deixando bem claro que estava siando por que estava cansado e os alunos torcedores: Grilo! Grilo! Grilo!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia
http://carlos-geografia.blogspot.com

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O MÚSICO DOIDO!!!


As vezes algumas coisas passam a vida inteira para que a gente saiba por que ocorreu. Tem um colega que, Professor de História, sempre o chamo de doido. Eu só não, alguns colegas que no passado tocaram na Banda Marcial do Colégio Estadual Murilo Braga.

Os anos se passaram, eu me formei em Licenciatura Plena - Geografia, fui morar em Aracaju e ele foi pelo mesmo caminho, só que se formou em Licenciatura Plena - História.

Certo dia eu estava entrando no CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga), lá vinha ele e de lá: Antônio Carlos, e aí, tudo bom? E eu respondi: “oi X doido, tudo bem?”. Ele se aproximou e me fez a seguinte pergunta : rapaz, depois que passeia tocar na banda, alguns colegas sempre me chamam de doido, só que nunca me explicaram porque? E eu: Não sabe?

A explicação
Quando ainda tocávamos no colégio (na Banda Marcial), toda vez que saíamos do colégio, depois dos ensaios, saíamos em grupos. Você sempre foi o mais brincalhão de todos, o mais introvertido, algumas vezes vocês sempre brincava com os garotos, cumprimentava a todos que passavam e as vezes colocava os cachorros para correrem . Pelo menos duas vezes eu vi você colocar o mesmo cachorro para correr e ameaçando o bater no mesmo com o clarinete!!!.

Ele olhou surpreso, e falou : rapaz , sabe que eu nunca tinha percebido e nunca soube por que sempre me chamavam de doido! E por que não me avisaram logo da primeira vez?

Como eu também fiquei surpreso pelo fato do mesmo não saber o motivo: quer dizer que você correu atrás daquele cachorro, ameaçou bater com o clarinete e não percebeu o que estava fazendo? Ele: não. Que eu perguntei: mas em uma dessas vezes eu escutei perfeitamente quando o Valtênio gritou com você: oh rapaz? Você tá doido é? Querendo bater o cachorro com o clarinete?” Foi a partir desse dia que sempre te chamaram de doido!!!

Não precisa dizer que a partir deste dia não mais o chamei de doido, até por que, atualmente, ele se tornou um bom professor de História e só agora ele sabe o motivo de ser chamado de doido. E mole?
 
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O SILÊNCIO DO SOM

Conhecido como trompete ou pistom
Quando estudava a 8ª série do primeiro grau (hoje 9ª série), tinha quinze anos de idade, fui convidado, com vários colegas, para aprender música. O professor de Matemática Gabriel e um dos colegas de turma (Valténio) resolveram colocar uma banda marcial no CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga).

Comecei aprendendo um instrumento chamado trompa, as vezes tocava o surdo ou o tarol (em alguns locais é conhecido como caixa). Depois passei a tocar trompete (em alguns locais se chama pistom). Claro que passei a tocar trompete achando que dava mais visibilidade e sem falar que a pessoa tocando trompete conseguia ganhar algum dinheiro tocando em algumas festas.

Durante algum tempo era permitido levar os instrumentos para casa e aproveitávamos para ensaiar para a banda, tocar em outros eventos e não somente os relacionados as atividades relacionadas ao colégio.

Quando levávamos os instrumentos, para casa, era comum se fazer ensaios e eu costumava praticar com um desses colegas que tocava o mesmo instrumento. Claro que a grande maioria das música era eu quem passava para ele já que tinha mais tempo tocando na banda e consequentemente mais prática na leitura das partituras.

A banda já estava consistente e tocávamos em varias ocasiões : Sete de Setembro, festas religiosas, festas sociais e até recebíamos convites para tocarmos em outras cidades. Nas atividades que não eram relacionadas ao colégio cobrávamos um cachê.

Mas, por algum motivo foi, suspenso o direito de se levar os instrumentos para casa e eu foi o único a não concordar com a atitude . Embora todos, que tocavam, reclamassem, pelos cutuvelos é claro, eu fui o único que resolvi não tocar mais por não concordar com tal atitude. Claro, eu era um dos poucos, que tocava na banda, sem condições financeiras de adquirir a propriedade de um desses instrumentos. Afinal de contas, nesta época, o preço dos instrumentos musicais eram para poucos, mas grande parte desses colegas adquiriram seus próprios instrumentos.

Depois dessa proibição, de se levar os instrumentos para casa, apareceu outra oportunidade de tocarmos, em um baile, no Clube do Aruanda.

Os que tinham instrumentos musicais acertaram o preço para a empreitada e eu ficando de fora, mas um amigo de apelido Balsa me falou que o irmão tinha um trompete e não tocava. Me orientou a falar com o pai (seu Noel da Serraria) que provavelmente me emprestaria.

Em posse do instrumento fui acertar para fazer parte do grupo e qual a minha surpresa! Justamente aquele colega, que costumávamos fazer os ensaios juntos, foi o primeiro a gritar que não aceitava mais dividir o dinheiro que se iria receber. Quem quisesse dividir, o cachê, para eu entrar no grupo,que dividisse, mas ele não, já tinha gente demais! Embora ficasse acertado que não receberia para tocar, no dia da Micarana, estava tocando!.

Começou o baile e eu tocando, só que assim que você vai tocando, a garganta vai ficando seca e é bom beber um pouco de água ou alguma bebida para se conseguir tirar som dos instrumentos de sopro! Assim que ia tocando, a garganta foi ficando seca e como eu não tinha um tostão para tomar sequer uma água mineral (estava desempregado), o som foi ficando difícil de ser tocando ao ponto de não sair mais. Os meus colegas do grupo, vendo que não saia mais som, vieram reclamar que não estava saindo som!!! Embora estivesse tocando de graça, os colegas não me ofereceram sequer uma água e ainda ficaram esnobando da minha cara por não está conseguindo está conseguindo tirar o som!

Quando ia saindo do clube fui chamado, por um músicos de um outro grupo, me perguntaram se eu não gostaria de tocar juntos com eles. Então expliquei o fato de não ser dono do instrumento e que o mesmo era emprestado. Os integrantes deste grupo se comprometeram comprar o instrumento depois da primeira apresentação.

O problema é que o dono do instrumento, de maneira justa, pois estava demorando em posse do instrumento, me mandou recado pelo filho, para que eu procedesse a devolução. No outro dia fui lá devolver o instrumento ao respectivo dono e que por ter ficado chateado se recusou a vendê-lo. Embora ficasse chateado, o Sr. Noel, igualmente aos filhos, me tratou educadamente e apenas se recusou vender o instrumento alegando que o mesmo foi presente para o filho mais novo.

O tempo passou, mais de trinta anos , e eu me encontro com aquele colega que realizava os ensaios na casa dele. Ao tocar no assunto, sobre música, o mesmo foi logo de supetão: mas você sempre tocava e não saia som!!! Mais uma vez, nem por que sim e nem por que não, não perdi o trabalho de responder. Continuei em silêncio!

Passados mais trinta anos, descobrir que durante os quatro anos que toquei na bando marcial do CEMB, em todas as apresentações e em todos carnavais o som não saia do meu instrumento! Só agora, depois de todo esse tempo, é que esse colega veio me avisar deste acontecido, eu sem saber, e tivesse passado todo esse vexame!

Vejam a inteligência desse colega, só por que em uma apresentação aconteceu de não conseguir tirar som no instrumento , pelo motivo explicado acima, e sequer estava recebendo cachê , o cara generalizou o problema para todas as minhas apresentações e todos os eventos!!!
 
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia