segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CAMINHÃO DE BRINQUEDO

Protótipo básico do meu caminhão
Durante toda minha infância fui visitado pelo Papai Noel somente uma única vez. E meu pai (o verdadeiro Papai Noel) e minha mãe resolveram me presentear com um carro de mão de madeira. Na realidade um ônibus de madeira!

Já naquela época, o orgulho dos moradores da cidade era o grande número de caminhões existentes na cidade e como todo garoto da época queria ter um caminhão. Não sei por que motivo os meus pais resolveram me presentear com um ônibus!

Claro que não reclamei para os meus pais sobre o erro do meu desejo de ser presenteado com um ônibus, afinal de contas, no meu imaginário foi o Papel Noel quem me presenteou e não saberia como levar a reclamação adiante. Mas como todo bom garoto da época, resolvi o problema desmontado o ônibus e reconstruindo o brinquedo! Só que na forma de um caminhão, não qualquer caminhão e sim na forma de uma scania.


Montando a Scania


A parte frontal do ônibus ficou praticamente intacta se tornando a cabine (boleia) e a parte traseira foram totalmente reconstruídas para se tornar a carroceria. Para isso foram necessários várias adaptações e adicionamentos de peças que não existiam no ônibus. Tais como: mais rodas, pneus, faróis, molas, material para simular a carga, etc.

Todo o material para construção do novo brinquedo eu conseguir nos lixeiros da cidade!

As rodas, os pneus, os faróis eu conseguir no lixeiro em frente a minha casa. Existia um campo de peladas bem em frente a minha casa e bem ao lado desse campo as sapatarias próximas (de Zé de Seu Duca, de Tororoco e Geraldo Massagista) jogavam os restos de matérias primas.


As Rodas


As rodas extras foram feitas de pedaços de tábuas. Foram utilizados uma serra, facas para o corte e para nivelar a madeira, as rodas eram lixadas em qualquer calçadas de cimento ou mesmo em algum poste de energia. Essas rodas eram forradas com sobras de borrachas que eram usadas nos solados dos sapatos e sandálias. Essas borrachas tinham a finalidade de dar uma aparência que as rodas tinham pneus, reduzia o atrito da madeira com o chão e reduzia o ruído.

As rodas eram pregadas nas laterais dos eixos, mas eram colocados pequenos botões de pressão nos furos do centro da roda e o prego passava pelo furo que existia no centro destes botões. Isso dava um tempo de vida maior às rodeiras (era o nome que a criançada chamava essas rodas de madeira). Sem esses botões os buracos no centro das rodeiras cresciam rápidos e era necessário adquirir outra rodeira. Os botões aumentavam o tempo de vida das rodeiras e diminuía o tempo de vida dos pregos que seguravam essas rodeiras. Só que os pregos eram mais baratos, mais fáceis de se conseguir e substituir.


Outros adicionais


Os faróis eram botões de metais inox usados nos efeitos de sandálias e casacas de couros masculinas. Para simular os ganchos onde amarrava as cordas, que seguravam as cargas, eram usadas brochas (pequenos pregos usados em sapatarias) pregadas nas laterais da carroceria e simulando as cordas eram usados pequenos pedaços de barbantes que os sapateiros usavam para costurar os solados dos sapatos e sandálias.

Para simular os feixes de mola eram usados pequenos pedaços de tiras de metal que eram facilmente conseguidos nos lixos das lojas que vendiam eletrodomésticos (usadas somente em grandes embrulhos como geladeiras). Hoje se usa tiras de nylon! Para simular a carga eram usadas dezenas de caixa de fósforos vazias ou cheias de fósforos queimados. A lona, para cobrir a carga, era pedaços panos caquis de pernas de calças (geralmente de fardas velhas do CEMB). 

As molas eram realmente molas! Conseguidas nas oficinas na parte oeste da cidade. As mais usadas eram as retiradas, de válvulas defeituosas, dos radiadores de carros.


A pintura


A pintura foi conseguida com sobras de tintas nas casas que estavam sendo construídas na rua. No lado oposta onde eu morava estavam construindo várias casas (até a ocasião só existam casa somente de uma lado da Rua Hunaldo Cardoso (década de 70 do século XX). Claro que os pintores me deram as os restos de tintas reclamando da minha insistência em ficar com as sobras das tintas por ocasião do término do serviço.


O Motor


Quem fazia o carro andar não era o motor (não existia a figura do motor) e sim o motorista, puxando um barbante que tinha as pontas: uma amarrada do lado direito e outra no lado esquerdo do eixo dianteiro. O barbante era passado entre a cabine e o para-choque dianteiro, entre os dois pedaço de madeira que faziam as vezes do chassis e se estendia por uma extensão suficiente para que o condutor (motorista) pudesse puxar o carro.

O barbante amarrado no eixo tinha a finalidade não somente para puxar o carro, mas também servia de volante para se efetuar a curva. O motorista tinha de puxar o barbante com a mão aberta e girando a não para esquerda e direita para realizar a curva.

Para simular o som do motor do carro eram usadas às contra porcas e um pequeno pedaço de raio de bicicleta. As contra porcas tinham ranhuras e eram pregadas na parte interna das rodas traseira, com o raio pregado no eixo apontado para a contra porca e quando a carro se movimentava a contra porca girando fazia o raio vibrar produzindo o som muito parecido com um motor.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Os Cebolas, os tanques e as lagoas IX

O Açude Velho


O Açude Velho era a lagoa mais falada da cidade e estranhamente ninguém sabe exatamente o nome oficial da mesma! Como na época só existiam duas represas na cidade, as duas foram batizadas de Açude Velho, por ser a primeira construída, e a segunda de Açude Novo, mas está tinha registro do governo como Açude da Macela. Segundo alguns moradores, antes da minha chagada aqui na terra, existia um açude na parte oeste da cidade e era conhecido como açude velho (eu diria velhíssimo), mas isso foi antes da minha chegada nesta vida.

O Açude da Macela foi construído em um local que existia uma planta com esse nome e por isso recebeu essa denominação.

Devido a proximidade com a área urbana era comum a garotada
 ir nadarem suas águas. Embora tivesse suas águas poluídas!
Atualmente está Área Urbana substitui o local do Açude Velho.

O Açude Velho (esse ficava na parte leste da cidade) recebia parte de suas águas dos esgotos de algumas ruas da cidades (lado oeste e norte) e uma parte a água era proveniente dos sítios da redondeza (lado leste). O mesmo tinha a barragem no lado sul por onde desaguava. Esses esgotos eram domésticos e naquela época os esgotos domésticos, nesta parte da cidade, eram em sua maioria água poluída com material orgânico. Mesmo a parte química era composta por diversos tipos de sabão utilizado na limpeza dos utensílios domésticos e banhos das pessoas. 

As pedras colocadas nas margens eram
utilizadas pelas lavadeiras de roupas.
Nas época, em que eu frequentava esse açude, ele era utilizado somente para lavar roupas, mas eu o conhecia por que era caminho das minhas caminhadas, juntamente com a meninada da rua, para a Fazenda Grande. Não tenho conhecimento se algum dia foi utilizado para irrigação.

As águas do mesmo era muito boa para pescaria. Peguei muitas traíras. corrós, jundiás e piabas. Muita gente não comia os peixes deste açude alegando que o peixes se alimentavam da imundice vinda da cidade!!!! Mas ví muita dessas pessoas consumindo os peixes provenientes do açude novo (Açude da Macela) que era bem mais poluído, para piorar a situação a poluição ocorria e ainda ocorre por esgotos com produtos químicos provenientes dos diversos postos de gasolina existente na parte oeste da cidade!!!

Está foto mostra um açude mais antigo que o Açude Velho que conheci
 (ficava na parte sul da cidade). Esta foto é de 1913 (século XX) 


OBSERVAÇÃO: Todas as fotos foram conseguidas no Grupo Itabaiana Grande por intermédio de Robério Santos (Administrador do grupo)


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Os Cebolas, os tanques e as lagoas VIII

As lagoas da Rua Dr. Hunaldo Cardoso


Na rua Dr. Hunaldo Cardoso (atualmente Rua José Mesquita), eu residi em três casa e nesta época existiam duas lagoas que no período do inverno desaguavam e parte da água invadiam a parte lateral da rua. Uma das lagoas ficava na propriedade da Família Barbosa e a outra em terreno pertencente a prefeitura, no encontro com a Rua Miguel Teixeira.

Quando se passa pela atual Rua José Silveira Mesquitas as pessoas da geração atual nem imagina que bem em frente onde residia o Sr. Zeca Mesquita existia uma lagoa. Hoje não existe nem a lagoa e nem a casa do Sr. José Mesquita!!!
Uma das lagoas ficava do lados esquerdo na propriedade da Família Barbosa.
No lado direito era onde ficava a Residência do Sr José Mesquita.
Ambas as lagoas tinham a água poluída e não serviam para consumo humano. A água, no terreno da família Barbosa, era utilizada como bebedouro para algumas ovelhas e uma vez ou outra se lavava (raramente) roupas. As vezes utilizávamos esta lagoa para tomar banho, na realidade não era bem banho, mas o banho era pretesto para brincar de pegar, isso mesmo, brincar de pegar dentro dágua! Fazíamos essa brincadeira não somente nesta lagoa, mas em outras, só que em área rurais, no Povoado Lagamar e Povoado Batula.

Mas fiz muitas pescarias e conseguir pescar algumas traíras justamente nesta lagoa.. Pra falar a verdade, a maior traíra que conseguir pescar foi justamente nesta lagoa. Ao conseguir capturar, o referido peixe, sair em desfile descendo a rua para minha casa. O orgulho em pessoa! Chegando em casa, coloquei a traíra no pátio e fui apanhar o limão para limpeza. Quando voltei, foi que percebi, que o peixe tinha sumido! o Gato comeu!! (esse fato também está descrito na parte de lagoas escondidas).

A outra lagoa ficava no encontro da Rua Miguel Teixeria com Rua Dr. Hunaldo Cardoso. Era praticamente do mesmo tamanho da anterior, mas não era cercada e não tinha a mesma profundidade. Ficava no terreno ao lado da rua e quando ficava cheia parte da água invadia a rua. Tinha um grande pé de quixabeira bem as margens.
Existia uma lagoa na rua a direita, onde está estacionado o carro.
Hoje ocuparia parte da rua e parte a esquerda onde ficam as casas.
Seguindo a rua a esquerda existia grandes blocos de pedras.
A primeira lagoa, no terreno da Família Barbosa, foi aterrada com terra e no local foram construídas algumas casas e a segunda foi aterrada em sua grande maioria por lixo e entulho das casa próximas.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Os Cebolas, Os Tanques e as Lagoas VII

As lagoas escondidas

É muito comum deixarmos passar despercebidos detalhes dos locais onde moramos e um desses detalhes despercebidos eram quatro lagoas existentes próximo onde morava na Rua Hunaldo Cardoso (hoje se chama Rua Zeca Mesquita).

Quando fui morar na Rua do Ouvidor (Rua Monsenhor Constantino) tinha seis anos de idade e quando minha mãe ia vender na feira me deixava aos cuidados da família de seu Armilindo. Ele tinha uma “budega” na esquina com o Beco Novo e a residia na parte dos fundos da casa.

Em uma dessas ocasiões choveu durante toda a manhã. No fundo da residência existia um bueiro e neste dia passava uma água forte e constante. Eu, juntamente com alguns garotos conseguimos um jereré e ficamos pescando neste bueiro. Chegamos a pegar algumas piabas, foi quando o controle familiar chegou com medo que fossemos arrastados pela água.

Alguns dias depois, como toda criança curiosa, pequei uma cadeira e subir por cima do muro para ver de onde vinha à água que passava pelo bueiro. Uma lagoa na parte do fundo do terreno, pertencente a Seu Zeca, no lado esquerdo olhando do beco. Hoje essa lagoa não existe mais e por incrível que pareça, o terreno continua sem construções depois de mais de quarenta anos.
Existia uma lagoa no canto do terreno na parte dos fundos. Na época na existia a 
casa com a antena parabólica, somente a casa da esquina. Quando chovia a água
 se espalhava por todo o terreno.
Depois de algum tempo mudei de residência e fui morar em outra casa, na mesma rua, também pertencente ao Seu Zeca. E nessa nova residência, os moradores da rua costumavam se reunir, na porta da rua, durante a noite. E tome jogar conversa fora. Foi que um dia a vizinha da antiga moradia (Maria Loira) chega nas carreiras pedindo socorro: pela amor de Deus, tem alguém no meu quintal dentro do galinheiro e está roubando minhas galinhas! O pessoal ainda questionou: e o seu marido? - Foi que ela informou que estava trabalhando (era funcionário da antiga ENERGIPE).

Lá se vão os heróis da rua. Seu Russo com uma lanterna e uma espingarda, na frente acompanhado de vários outros vizinhos. O problema é que a molecada também acompanhou e o barulho para se tentar conseguir controlar os garotos acabou alertando o ladrão. Quando chegamos na parte do galinheiro (a casa tinha dois quintais), percebemos que o ladrão soltou o saco cheio de galinhas as margens de uma lagoa! Foi aí que fiquei sabendo que nos fundos da antiga moradia existia uma lagoa enorme e poluída.

Essas duas lagoas não tinham lixo, mas a água era escura de tanto se jogar águas dos esgotos. Deixar claro que, nesta época, não eram jogados dejetos humanos nos esgotos, portanto as águas das lagoas não soltavam aquele mal cheiro característico das fezes. As casas tinham fossas individuais para os dejetos. Quando essas lagoas sangravam, as águas atravessavam as ruas do Ouvidor (Rua Monsenhor Constantino) e Rua Padre Felismino e entrava no terreno de Sr. Bebé, que depois atravessava, por um bueiro, a Rua Miguel Teixeira e seguia em direção ao Açude Velho.
As duas casas com grades era uma única residência (morei nelas de aluguel). A casa azul era a garagem e a casa vizinha, a casa azul (lado direito) morava um senhor que trabalhava na ENERGIPE (atual Energisa). Aos fundos tinha uma lagoa que fiquei sabendo da existência depois de ter se mudado da casa com as grades.
Dois anos depois, fui morar na Rua Dr. Hunaldo Cardoso, casa de esquina, com Rua Monsenhor Constantino. Em frente a esquina frente onde eu morava tinha uma casa (pertencente ao Tenente Baltazar) que nos fundos era um pequeno sítio. Coincidentemente nos fundos desta casa tinha uma lagoa. Depois de dois anos morando nesta casa, sair e fui morar em uma outra casa, na mesma rua, recentemente construída no terreno do sítio que ficava na casa da esquina. O pequeno sítio tinha outra lagoa bem no fundo desta casa, ou seja, o pequeno terreno da casa da esquina tinha duas lagoas, mas somente as pessoas que já tinham entrado no terreno sabiam da existência delas!

Quando marava na casa da esquina era justamente a década de 70 do século passado (século XX) ocorreu um período de seca fortíssima. O Tenente Baltasar costumava criar alguns patos nestas lagoas e por ocasião desta seca, eles simplesmente desapareceram! Só que as secas não são eternas, o inverno voltou, as lagoas transbordaram e os patos também reapareceram. Durante um dia de chuva fina pela manhã, o tempo continuou nublado durante a tarde e com temperaturas baixas. Foi o dia em que os patos resolveram voltar, só que os patos que foram embora eram em número de no máximo de 20, mas na volta eram dezenas deles! Eles foram chegando e pousando nas mangueiras e cajueiros do sítio. Quando as mangueiras e cajueiros ficaram totalmente ocupadas, eles passaram a pousar no muro que separava a casa da rua. Resultado, o muro não suportou o peso dos patos e tombou! 
Nesta casa da esquina existia uma lagoa e na parte direita da casa, pelos fundos, era um muro que separa o pequeno sítio da rua. Bem em frente, onde fica a garagem, existia um pé de mandacarú com uns dez metros de altura!!! Até hoje não encontrei um pé de mandacarú tão alto!
O terreno do Tenente Baltazar tinha outra lagoa e essa realmente era totalmente desconhecida dos moradores das redondezas, mesmo para quem entrava no terreno. Essa lagoa era totalmente cercada por garranchos de juremeiras e de água bastante limpa. Fiquei sabendo da existência por ocasião de uma pescaria. Pesquei uma traíra bastante grande (quase um quilo), na lagoa do Sítio da Família Barbosa (ficava em frente a casa do Seu Zeca Mesquita). Sair orgulhoso pela rua mostrando o troféu. Chegando em casa coloquei a traíra no chão do pátio de minha casa e fui pegar o limão para limpar o peixe. Só que na volta, cadê a traíra? O gato levou. Lá se ia o gato puxando a traíra por debaixo das juremeiras, já estava do outro lado da cerca do quintal, no terreno do Tenente Baltazar. Pulei a cerca e entrei por debaixo das juremeiras e dei de cara com a água da lagoa. E o gato com a traíra? Foi lentamente levando o meu troféu por debaixo das juremeiras!!!!
Bem ao fundo das casas azul e vermelha existia uma lagoa e essa realmente era escondida 
dos moradores das redondezas. Quando falava da existência dela era taxado de mentiroso!


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Os Cebolas, Os Tanques e as Lagoas VI

O Tanquinho


Cena comum na minha infância
Em Itabaiana existiam muitos campos de peladas (Futebol Soçaite) e era comum garotos moradores de um região da cidade irem jogar com outros garotos em outras regiões.

Um domingo pela manhã, a turma da minha rua, fomos convidados para jogar em um campo chamado Mangueirão. O campo ficava em área considerada rural, cercado de mangueiras e no lado direito, sentido sul norte, passava uma estrada que levava até o Açude Novo. Passei a utilizar essa estrada par ir fazer minhas pescarias.

Dia chuvoso, o campo com algumas poças d’água e muita lama. Ambiente perfeito para uma pelada cheia de brincadeira onde o que menos importava era justamente a prática de futebol. Na hora de irmos embora estávamos todos emporcalhados pela lama! Foi quando um dos garotos, morador da região, nos convidou para tomar um banho no Tanquinho!
- Fica onde?
Aqui! Do lado do campo.

O Tanquinho ficava bem ao lado do campo e a pessoas só percebia a existência se atravessasse a estrada, pulasse uma cerca com apenas dois arames, passasse por um pequeno elevado de areia de malhada, coberto por arbustos de Jurubeba e Marmeleiros. Uma lagoa que a primeira impressão era um grande buraco cavado (em torno de 60 metros de diâmetro). Ficava em um terreno plano e terrenos planos não são locais ideais para construção de lagoas! A areia retirada foi jogada no lado oeste (formava o pequeno elevado de areia) e no lado leste tinha algumas casas, todas de taipa, construídas com frentes viradas para a lagoa. Um fato interessante e raro, pela proximidade da rua (área urbana) era que não existiam esgotos correndo para dentro da lagoa! O Acesso, sem pular a cerca, era por uma estrada vicinal, que olhando da estrada principal se via as casas e não via o Tanquinho. Ficou a impressão que o tanque foi construído, de uma maneira tal , par não ser visto por quem passasse pela estrada!

Hoje, com o crescimento da Área Urbana, não saberia informar a localização exata deste tanque (foi aterrado), lembro que ficava localizado na parte norte da cidade, distando uns seiscentos metros da Igreja matriz.

domingo, 24 de agosto de 2014

É ALÍ!


Acho que é ali... Estátua em memória
 de José Martí,  no bairro de El
Vedado, em Havana, Cuba
Quando criança era comum minha mãe se assustar com o meu desaparecimento. Como toda criança era normal ficar curioso e costumava explorar os arredores de onde morava. Como costumávamos mudar de endereço, pelo motivo de morarmos de aluguel, era comum o curioso sempre está sumindo de maneira repentina. 

Nesta época tudo era longe e como quem tem boca vai a Roma, eu sempre perguntava, aos adultos, onde ficava os lugares que tinha curiosidade de conhecer e a resposta era sempre: é ali!. 

No começo ia até o Povoado Lagamar ou mesmo até o outro lado da cidade (Povoado São Luiz). Achava muito distante, mas as pessoas sempre informavam que era logo, ali! 

Certa vez, os garotos da rua resolveram fazer uma pescaria, no Rio Jacarecica. Discutimos que era longe e onde muitos diziam que era perto! Pois bem, saímos, em caminha rápida, entrando pelo Beco Novo e ao chegar no povoado São Cristóvão (na época se chamava Sete Casas) perguntamos a um dos moradores onde ficava o dito rio: é ali! 

Quando já íamos ao final da curva da estrada na Fazenda Grande (ficava nos fundos da fazenda), vinha passando um senhor de bicicleta e mais uma vez a pergunta onde ficava o referido rio: sigam essa estrada e quando chegar em uma encruzilhada entre a esquerda. - Fica perto: é ali! 

Depois de uma longa caminha, finalmente chagamos. O ali teve um tempo de mais ou menos uma hora e meia. Um alí com um percurso de uma légua e meia, que equivalem a nove quilômetros!
No lugar, onde ocorreu a pescaria,  fica a atual Barragem do Rio Jacarecica , Itabaiana - SE
Durante a pescaria víamos muitos peixes nas lagoas, mas pegar o peixe que era bom, nada! Cercávamos os peixes com a rede e quando puxávamos nada de peixe. Eles sumiam entre as pedras e a lama. No final da pescaria pegamos alguns camarões (cinco quilos). Para a quantidade de pessoas envolvidas, na pescaria, era muito pouco. Mas valeu pela diversão e a caminha, até ali!

Começou a chover, estávamos cansados e com calor, começamos a comemorar, mas um senhor, que ia passando, nos alertou para ficarmos do lado do rio onde iríamos pegar o caminho de volta pra casa. Ele apontou em direção ao sertão e afirmou: quando chove no sertão (onde fica a nascente do rio) o rio enche de repente e pega as pessoas de surpresa e elas ficam sem poder atravessar! Não levamos em consideração o que o idoso falou e tivemos de atravessar o rio puxando uns aos outros. Como a correnteza ficava forte rapidamente, atravessamos o rio às pressas, mas ganhamos alguns arranhões nos solados dos pés pela teimosia em duvidar do idoso!

O retorno foi mais divertido. A estrada de onde fica o cruzamento até chegar a Fazenda Grande ficou um limo (escorregadia) depois de molhada! Os ciclistas iam empurrando as bicicletas, os carros passavam lentamente e os que estavam a pé se preocupavam em pisar onde tinha toiceira de mato, isso para evitar os escorregões. De qualquer maneira fui um dos que chegou em casa com os short sujo de lama. Em um desses escorregões não consegui me equilibrar e cai sentado! Alem da dor tive de agüentar as gozações.

Pouco tempo depois fui morar em Aracaju, na Rua Riachuelo, bem no fundo da Igreja do Salesiano. Para ir ao trabalho eu pegava o ônibus em frente ao Hospital de Cirurgia e no primeiro dia fui perguntando se era longe o centro da cidade, até o Edifício Maria Feliciana (Edifício Estado de Sergipe), e a resposta: rapaz é longe! Você pega o ônibus, ele vai até a rua da frente e você desce em frente ao Calçadão e depois segue o resto caminhando a pé!

Durante algum tempo utilizei o ônibus para ir ao trabalho, até que um dia resolvi voltar caminhando. Foi que descobrir que o percurso era de mais ou menos doze minutos de caminhada (mais ou menos um quilômetro)! Obtive a informação que era longe, mas era ali!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

sábado, 16 de agosto de 2014

Os cebolas, os tanques e as lagoas V

As lagoas em frente ao Hospital


Por ocasião da construção do Conjunto General João pereira ainda se notava, nos arredores, a presença do que foi uma malhada (roça). Resto de leiras (covas para plantio), algumas manqueiras e alguns tanques. Na realidade dois tanques bem próximos um do outro. Ficavam bem em frente ao local onde hoje fica o Hospital Dr, Pedro Garcia Moreno (inicialmente se chamou Hospital Rodrigues Dória).

Seguindo pela rua em frente existia um pinguela, feita com o tronco de uma árvore,
que dava acesso a Rua do Fato (Rua Itaporanga)
Até a construção do hospital algumas crianças ainda tomavam banho em uma dessas lagoas. Uma delas tinha uma mangueira as margens que servia de trampolim para se efetuar o pulo sobre a água. Mas quando fui morar no conjunto, essas lagoas ainda existiam, mas não eram mais usadas para nenhuma finalidade, nem mesmo para banhos. Bastante poluídos pelos esgotos. Ela tinha água durante o ano todo devido ao córrego que vinha desde a lagoa que ficava na Praça de Eventos e recebia vários esgotos domésticos pelo caminho. Também recebia muita água vinda de um chafariz (uma bomba que no meio da rua e tirava água do subsolo) que ficava bem na esquina das ruas onde fica o atual Ginásio de Esporte Militão. 

As lagos foram aterradas por ocasião da construção da casa residencial do Arrojado e ficando somente um córrego ou riacho (era como a população chamava). Em época de fortes chuvas, esse riacho transborda, em vez de passar pleo boeiro que fica por baixo da pista, ele transbordava passando por cima da pista (Avenida Dr. Luiz Magalhães).

Do lado esquerdo era onde ficava as duas lagose do lado direito pode-se ver
uma parte do muro do Hospital Doutro Pedro Garcia.
Mesmo com a construção do Hospital (ficou vários anos sem funcionar) as ruas, das redondezas, só vieram a ser pavimentadas muito tempo depois e foi quando o riacho ficou embutido em boeiros que fazem as pessoas imaginarem que nunca existiu algum riacho ou mesmo que existiram duas lagoas no local.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Os cebolas, os tanques e as lagoas IV

Lagoa na praça de eventos


Quando tinha meus sete anos de idade, eu costumava ir até a casa da madrinha da minha mãe. Ela morava no Povoado São Luiz, que hoje é um bairro! Onde hoje fica localizado o Campo do Itabaiana (Estádio Presidente Médici) e a Praça de Eventos era uma grande terreno coberto por uma imensidão de areia branca. Toda a praça era utilizada como campos de peladas. Nesta época, no lado onde oeste da praça, existia uma lagoa! Não era uma lagoa grande, mas existia e com um pequeno pé de mangueira bem as margens.

Como naquela época minha mãe não me deixava ir até o outro lado da cidade, oposto de onde morávamos, não cheguei ver o aterro desta lagoa. Acredito que tenha sido aterrada com a construção do Estádio Presidente Médici.

Utilidade da praça

Com a construção do Estádio Presidente Médici, o restante da praça continuou um grande areal sendo utilizado geralmente como campos de peladas (futebol soçaite), as festas natalinas eram realizadas na Praça Santa Cruz passaram a ocorrem na nova praça e todos os circos, que visitavam a cidade, mostravam seus espetáculos neste local, ou seja, na prática já era praça de eventos desde aquela época.

Fotografia tirada na década de 70 (século passado). Foto retirada no
 Grupo Itabaiana Grande (facebook, internet)
Um problema em frente ao colégio

Essa lagoa, quando sangrava, formava um pequeno um riacho (na realidade um córrego) que era alimentado, durante o percurso, pelos esgotas das casas vizinhas.Seu percurso atravessava um terreno (se dizia Praça) que ficava ao lado esquerdo do Colégio Estadual Murilo Braga que com o decorrer do tempo virou um depósito de lixo e depois se transformou em uma área residencial.

Fofo conseguida no grupo Itabaiana Grande( Facebook, intenet) Observando-se 
está  foto  percebe-se que existe um terreno baldio  (diziam que era uma praça) e

 era por esse terreno que passava o córrego  que era o sangradouro da lagoa 

que existia antigamente na atual Praça de eventos.
O córrego entrava em um boeiro antes de passar em frente do Colégio Estadual Murilo Braga. O problema era quando a chuva era forte, o bueiro não comportar a grande quantidade de água, tínhamos de entrar no colégio molhando os pés, no período que eu estudava, se usava sapato vulcalitre (feito com material sintético). Os pés abafados, juntamente com as meias molhadas, provocavam chulé o suficiente para incomodar durante o decorrer das aulas!

Em ocasiões de chuvas torrenciais a frente do colégio, e as ruas laterais
 ficavam alagadas e era obrigado a todos atravessarem molhando os pés!
 (foto retirada no google - 2012)
Depois de atravessar por frente o colégio e as ruas o córrego entrava para trás das casas passando bem ao fundo da padaria do João Patola (hoje a padaria fica na outra esquina de frente), percorria pelos fundos das casas da Rua do Fato (Rua Itaporanga) e da rua que ficava ao lado do Colégio Estadual Murilo Braga, indo desaguar em outra duas lagos que ficavam em frente ao atual Hospital Dr. Pedro Garcia Moreno.
Aspecto atual da Praça de Eventos (foto retirada no google - 2012)




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Os Cebolas, os Tanques e as lagoas III

Lagoa dos juncos


No ano de 1971 (século XX) estudava a quinta séria ginasial no CEMB (Colégio Estadual Murilo Braga). Neste ano, um dos trechos que ficava no caminho para escola era passar pela frente do Cemitério almas de Itabaiana e atravessava o que deveria ser no futuro a Praça e que nunca se tornou uma praça!

A futura Praça 

O terreno (um grande alagado), que deveria ser praça, acabou sendo doado a Associação Atlética de Itabaiana! Mas mesmo assim, o terreno que deveria ser a Associação Atlética de Itabaiana não foi totalmente ocupado pelo clube. Grande parte foi vendido para construção de casa residenciais e comerciais. Uma das primeiras casa residenciais, a serem construídas, foi a do dentista Dr. Ueliton e umas das primeiras casas comercias foi o prédio dos correios. 

O Terreno foi cercado com que chamamos de meio fio (cercaram o tereno com pedras de paralelepípedos). Só que o terreno era muito baixo e o meio fio acabou se tornado paredes de um depósito raso de água da chuva! Incrivelmente, quando chovia, toda a quadra era ocupada por água em toda extensão. No meio foi construído o alicerce e estrutura inicial do prédio que futuramente se tornaria a Associação Atlética de Itabaiana.

No alicerce, foi preenchido de “areia de malhada”, foi construído uma estrutura métálica para sustentação das futuras paredes. A estrutura, que ficou no meio do aguaceiro, durante alguns anos, serviu como campo de peladas para os praticantes de futebol soçaite (joguei algumas partidas). Durante as noites de invernos podia-se escutar a orquestra de sapos cantando na lagoa que nunca se tornou praça!. 

Os primeiros alicerces para construção de casas residenciais onde
deveria primeiramente ser  uma praça e onde deveria ser o
 Clube da Associação Atlética de Itabaiana.
Ao fundo pode-se ver a Maternidade São José.
Quando ia para o colégio, atravessa a quadra com os pés na água e consequentemente molhava os sapatos e as meias (dava um chulé!). Como minha mãe não gostava da brincadeira, de vez em quando, ela usava o cinturão para eu lembrar de não atravessar a praça durante o inverno!

O terreno em frente ao cemitério

Neta época ainda não existia o prédio do INPS (atual INSS). Do lado esquerdo, do terreno, tinha a casa de “Pelé da Oficina” e ao fundo era a casa onde morava o garoto que é atual Maestro Valtênio. Esse terreno era ocupado, em quase toda extensão, por uma lagoa que se extendia, por detrás das casas, até o fundo do Cinema Santo Antônio. Uma lagoa rasa, mas que tinha água durante todo o ano (mantida pelos esgotos das casas da redondeza) e transbordava durante o inverno. Era quase toda tomada de junco e, pelo que tenho conhecimento, não tinha peixes. 

Foto da esquerda de Jurandi Rosa(1990). A da direita foi obtida no Google.
Na realidade o terreno em frente ao cemitério e o terreno que deveria se tornar uma praça era um único grande brejo. Com a pavimentação da Rua em frente ao cemitério (foi pavimentado até a esquina do cemitério) e da rua que ficava onde no futuro foi constuido os correios e o prédio do INSS, dividiu o terreno se tornou duas grandes lagoas. Uma que só tinha água durante o período chuvoso do inverno (o que seria a praça) e a outra que tinha água todo o ano (no verão era mantida por água dos esgotos) e tomada de junco (em frente ao cemitério).

Prédio do antigo INPS onde ficava a Lagoa do Junco na Avenida
Ivo do Prado. Cartão postal de 1982.

Do lado direito o prédio atual do INSS. Local onde ficava a lagoa dos Juncos

Do lado esquerdo ficava a Praça Gumercindo Berça que era um verdadeiro alagado.
Atualmente a lagoa dos junco é o atual prédio do INSS e a extensão, que deveria ser praça, se tornou uma área residencial e comercial, onde em uma pequena parte ainda sobrevive, na Avenida Ivo do Prado,  o Clube da Associação Atlética de Itabaiana!

domingo, 29 de junho de 2014

Os Cebolas, os Tanques e as lagoas II

O Açude Novo


Quando garoto, só existiam dois açudes públicos na cidade de Itabaiana - SE. Em decorrência, as pessoas se reportavam como Açude Velho e Açude Novo. Claro que é uma nominação mais fácil do que se chamar pelo nome. Alias, até hoje nunca soube o nome verdadeiro do Açude Velho!

O Açude Novo tem oficialmente o nome de Açude da Macela. No local, onde foi construído a represa (nos chamávamos Barragem), era comum a existência de uma planta com o mesmo nome.

Foto tirada neste século (Juares Gois). Mas olhando, desta perspectiva,
 não  se nota a diferença em comparação com tempos passados!
Lembro até hoje a primeira vez que fui ao Açude Novo. Meu pai gostava de vez em quando fazer uma pescaria e nesse dia sem mais nem menos me levou junto. Fez uma vara de pescar para eu ficar pegando piabas! O açude estava cheio e a água ainda não era tão poluída. Neta época ainda não existia as famosas tilápias. Os peixes comuns eram: jundiá, piabas, corrós e o preferido para captura eram as Traíras.

Embora a água ainda não estivesse com a poluição muito alta, era comum em alguns locais se perceber que a quantidade de material orgânico já era alto. Toda poluição vinha dos dois riachos (se é que podíamos chamar de riachos) que desaguam no açude.

Um dos riachos, que vinha da área urbana, desaguava, no açude, entre a propriedade do Sr. Corró e do Sr. Arthur. Esse riacho foi o principal responsável, juntamente com os agrotóxicos usados na agricultura local, pelo início da poluição química das águas. Além de receber os esgotos residenciais, nesta época ainda era composto na maioria de material orgânico, recebia também os esgotos das oficinas automotivas, lava jatos e postos de combustíveis que eram os responsáveis por lançarem o material químico. Nesta época, esse riacho, em seu percurso, passava pelo famoso Tanque do Povo (não existe mais) que foi a primeira vítima da poluição química.

Um segundo riacho passava por debaixo do que chamávamos Ponte do Açude Novo (não sei se existe um nome oficial). Essa ponte era feita de madeira, por ela passava uma estrada que levava até o Povoado Várzea do Gamo e podia se chegar até a Cidade de Ribeirópolis. Esse riacho também poluía as água, mas era uma poluição totalmente orgânica e o material era proveniente do sangue dos bois sacrificados no antigo matadouro (hoje não existe mais). Essa poluição era menos grave por que o material orgânico servia de alimento para algumas espécies de peixes. 
Inauguração do antigo matadouro. No início foi o maior responsável pela
poluição orgânica do açude da Macela (Açude Novo).  Tofo o sangue que
saia dos bois abatidos ia em direção de um riacho próximo.  O riacho depois
 de percorrer um pequeno trecho, desaguava no Açude Novo.
Com o passar dos anos, a área urbana da cidade de Itabaiana foi crescendo em direção à região do açude. Mas a parte que mais prejudicou o açude é a área urbana que cresceu em direção à região do antigo matadouro. A urbanização desta área fez dobrar a poluição química das águas dos açudes. Paralelo, ao crescimento urbano, cresceram o número de oficinas, postos de gasolinas e lava jatos que multiplicaram poluição química.

Com o passar do tempo, os técnicos do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), órgão responsável pela administração do açude, colocaram algumas espécies de peixes nativas de outras regiões. Entre as espécies de peixes colocadas foram as Tilápias. Esses peixes, juntamente com os já existentes, se alimentam do material orgânico e a ideia era fazer com que eles limpem as águas. Só que os peixes não estão conseguindo realizar essa tarefa devido serem despejados grande quantidade de esgotos da cidade dentro do açude!


Locais de pesca


Os locais bons de pescaria eram onde esses dois riachos desaguavam. Esses locais atraiam os cardumes de peixes devido a concentração do material orgânico lançados pelas águas dos dois riachos. Só que cada local tinha suas características: na área onde ficava a propriedade do Sr. Corró eram comuns se pegar muitos Corrós (o apelido do proprietário era o nome do peixe!), traíras e as águas se apresentavam mais escura. Junto a ponte se pescava muito corrós e jundiás (eram os peixes que mais gostava de pescar) e nesta parte as águas eram mais claras. NO lado onde ficava a propriedade do Sr. Artur era onde se conseguia pegar algumas traíras usando linhas de fundo. Isso quando so guardas do DNOCS não confiscavam as linhas!
Esse tipo de vegetação só é comum em águas com alta poluição orgânica..
A vegetação em destaque era utilizada e como artefato de pesca. Era comum
os peixes ficarem presos nas folhagens. Mas a pesca comum era com anzóis.

Como é hoje

Atualmente a represa está praticamente cercada pela Área Urbana da Cidade de Itabaiana e se tornou um grande depósito de esgotos. Para piorar a situação, além do aumento da quantidade de detritos, tem o inconveniente que os atuais esgotos domésticos também são compostos com grandes quantidades de material químico. Junte esgoto doméstico, esgoto de oficinas, postos de gasolinas, a poluição provocada pelos agrotóxicos e terá uma idéia do que é hoje a água do Açude Novo!

Não existe tratamento para os esgotos da cidade de Itabaiana e grande
parte deles são jogados in natura dentro do açude. 
O surgimento de gaivotas

Uma coisa inexistente no passado era a presença de gaivotas. Hoje uma grande quantidade de gaivotas se alimenta dos pequenos peixes e insetos, apesar da poluição, e fazem seus ninhos nas árvores próximas. As revoadas dessas gaivotas trazem uma beleza que não existia antigamente!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br



sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Cadeado !

Quando comprei meu primeiro carro era o orgulho em pessoa. Todo final de semana não deixa passar o banho e limpeza. Um chevett com dez anos de uso!

Todo sábado a tarde, lá estava eu orgulhoso lavando o carro. Passando um xampu. Nesta época, morava em um condomínio construído pela antiga Companhia de Habitação (COHAB), não existia o muro separando os prédios da rua e nem separando os prédios entre si. Era possível ver os moradores dos prédios vizinhos lavando os carros e motos. Podiam-se ver os peladeiros em atividade no campo ao lado do condomínio.

Terminado o trabalho de limpeza, coloquei o carro dentro da garagem e foi que percebi que o cadeado da garagem tinha sido roubado!

Chamei um dos garotos, morava no mesmo prédio, e solicitei que ficasse vigiando a garagem e fui até a casa de material de construção providenciar a compra de outro cadeado.

Resolvido o problema, fui para o banho e posterior jantar. Como de costume, todos os finais de semana, era comum os vizinhos se juntarem nas garagens e realizarem jogos. O jogo predileto era de baralho (Buraco Duro).

O jogo já rolava solto, todo mundo comendo e bebendo animadamente, quando chegou um dos moradores do prédio vizinho. Cumprimento para lá, cumprimento pra cá e fez-se a pergunta normal: e aí, tudo bem? Como está?

Estranhamente o vizinho respondeu: tudo bem nada! Teve um Filho da puta que colocou um cadeado na garagem e fiquei sem poder colocar o carro dentro!!!! Foi que um dos jogadores, pai do garoto que deixei olhando a garagem, me chamou e em colocou a par do problema do vizinho.

Dirigir-me ao morador do prédio vizinho: quer dizer que fecharam sua garagem com um cadeado enquanto você estava distraído lavando o carro? Que ele concordou: foi!

Na qual fui me explicando: rapaz, enquanto eu lavava o carro, agora a tarde, alguém passou e me roubou o cadeado, será que não é o mesmo? O vizinho foi até a casa dele em busca do cadeado. Testamos a chave e não deu outra.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

sexta-feira, 6 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

Os Cebolas, os Tanques e as lagoas I

O Tanque do Povo

Quando entrei na escola fui reprendido algumas vezes, pelas minhas professoras, por que sempre me dirigia às lagoas como tanques! O interessante é como incorporei o vocabulário e nunca deixei de usá-lo.

Quando criança, minha mãe sempre me levava para a feira. Não lembro a primeira feira que fui e certamente devo ter ido à feira muito antes das lembranças que tenho do que é uma feira (quando nasci meu pai e minha mãe já vendiam na feira).

A primeira lembrança que tenho da feira (em Itabaiana - SE) foi em uma época de São João. No período de festas juninas sempre colocávamos uma banca (barraca) para venda de fogos de São João (Fogos de Artifício). Os fogos eram meu próprio pai quem os fabricava. Naquela época as barracas de fogos eram colocadas em frente a antiga Casa de Força (onde ficava a termelétrica que gerava energia para a cidade). Não sabia que era uma casa de força pelo motivo das pessoas nunca informarem, nem mesmo na escola, e o termo termelétrica só fui ter conhecimento de quando já estava estudando na universidade!

Durante o início da feira, minha mãe se distraiu, aproveite para matar a curiosidade explorando os arredores de onde estávamos vendendo os fogos de artifício. Primeiramente fiquei conhecendo o Sanitário Público (uma verdadeira fedentina bem em frente a feira de vender fatos) e logo depois me surpreendi com a enorme lagoa que ficava ao lado do sanitário público. Curiosamente, nesta época, a Câmara de Vereadores ficava no andar superior do Sanitário Público!!! Claro que só fiquei sabendo deste detalhe alguns anos depois, mas fiquei surpreso quando soube que no inusitado local foram colocados os nossos representantes municipais!


Quando minha mãe percebeu o que estava acontecendo, gritou de longe: pelo amor de Deus! Segura esse menino? O desespero da minha mãe é que já tinha descido às escadas que davam acesso a água, da lagoa, e estava em pé em um dos degraus que ficava dentro d’água. Nesta época o tanque ainda tinha o muro intacto, escadarias de acesso à água, iluminação, a água não tinha poluição química e a população ainda não depositava lixo em seu interior.

Essa grande lagoa era nada mais nada menos que o Tanque do Povo e onde hoje fica o Mercadão. Nesta época a água era utilizada, pelos feirantes (a feira fica bem em frente à lagoa), para se limpar as bancas e o chão da feira. Podia se perceber a existência de alguns peixes (piabas) nos locais mais rasos. Mas já estava um pouco poluída, degrada pelo vandalismo, pela falta de conservação por parte do poder público e comunidade local.

Foto conseguida no Grupo Itabaiana Grande (facebbok) onde mostra o
Tanque do Povo já um pouco degradada e o  Mercadão que foi construído no local
A degradação propriamente dita, deste tanque (lagoa), começou quando a funcionar na parte alta da cidade: postos de venda de combustível, postos de lavagem de carros e oficinas de manutenção de automotivos. Muitas dessas oficinas e postos faziam a troca de óleo de motor dos carros jogando no esgoto (a céu aberto), que descia a Avenida Antônio Dória e desaguava dentro do Tanque do Povo. Isso foi o grande motivo e matança do lago. Alias é bom que se diga, esse procedimento foi o grande motivo da morte do Tanque do Povo e o principal motivo da poluição do chamado Açude Novo (Açude da Macela). Quando esse tanque sangrava (dava vazão), as águas percorriam um canal coberto por debaixo das casas, atravessando a Rua do Quartel, atravessava a Rua Nova, saia na Rua da Lavanderia Pública e depois percorria um bom trecho, por dentro dos sítios, até desaguar no Açude Novo, e desaguava entre as propriedades do Sr. Corró e do Sr, Artur.

Quando ainda garoto, aproveitava o sangradouro deste tanque e conseguia pegar muitas piabas utilizando um gereré. Com a poluição da lagoa, principalmente com óleo automotivo, os peixes sumiram. Enquanto a poluição era feita com esgotos domésticos, os peixes ainda conseguiam sobreviver. É bom deixar claro que naquela época os esgotos domésticos não tinham quase nenhum material químico, era composto quase que totalmente com material orgânico e esse material orgânico servia de alimentação para alguns peixes (o corró é o caborje eram alguns deles).

Com o decorrer do tempo, os moradores locais e feirantes passaram a depositar o lixo dentro desta lagoa, o muro passou a ser derrubando gradativamente e os postes de energia foram todos arrancados.

Com o crescimento da feira local, as barracas de fogos foram transferidas, colocadas na calçada bem em frente ao Tanque do Povo e de frente com a feira. Posteriormente a feira dos fogos foi transferida para calçada deste mesmo tanque, só que do lado de frente onde ficavam as residências

No local, onde existia esta lagoa, foi construído o atual Mercadão e para dar vazão dos esgotos provenientes dos postos de gasolina foi construído um canal que passa por sob a nova construção, foi conectando ao antigo canal que já existia e que dava vazão a lagoa. Sobre a existência, do Tanque do Povo, só restaram lembranças em algumas fotografias guardadas por pessoas daquela época!

Muitas histórias ainda são contadas a respeito desta lagoa. Segundo os antigos moradores da localidade, , quando da prisão de algumas pessoas, o chefe político local costuma obrigar alguns presos (os desafetos políticos) retirarem água, deste tanque, para abastecer a caixa d’água da delegacia local que fica a alguns metros de distância. O problema é que o prisioneiro era obrigado a encher a caixa utilizando uma lata furada! Na realidade era uma forma de torturar o inimigo político!
Foto conseguida no Grupo Itabaiana Grande onde mostra
alguns moradores da época com o Tanque do Povo ao fundo.
É possível ver a antiga Delegacia de Polícia no outro lado da lagoa
Outra história, que ainda é comumente contada pelos antigos moradores da época, é que algumas pessoas saiam a vender água, desta lagoa, para a comunidade (década de 50 do século XX). Existiam boatos que o chefe político da época teria colocado um jacaré para viver na lagoa a fim de impedir que pessoas se banhassem nas águas e assim conseguir manter a água limpa! Na realidade o tanque servia para abastecimento de algumas necessidades da população que ainda não contava com serviço de água encanada. Desses vendedores, que eu cheguei a conhecer, tinha o apelido da “carboreto”, mas não alcancei a época que o mesmo saia a vender água pelas ruas da cidade.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia