domingo, 18 de agosto de 2013

A MÁQUINA DE DESAMASSAR CHEQUES

Quando conseguir meu primeiro emprego, aos 22 anos de idade, foi em um banco estadual. Trabalhava fazendo um serviço burocrático, repetitivo e estressante. Mas, aos funcionários novatos, os chamados calouros, eram pregadas peças que de uma certa maneira deixava o ambiente descontraído.

Comecei trabalhando no Setor de Aplicação Financeira e depois fui transferido para o Setor de Compensação de Cheques e foi justamente nesses setores que presenciei uma dessas brincadeiras. Era comum quando se chegava algum funcionário novo se deixar, a cargo do mesmo, a entrega de documentos e entre os setores.

Em várias situações presenciei quando o chefe pegava um pacote enorme e muito pesado e mandava algum desses funcionários entregar o pacote no Setor de Compensação e me lembro perfeitamente da ordem: essa é uma máquina nova de desamassar cheques, vá lá no Setor de Compensação entregar?

Só que, com a informatização, o Setor de Aplicação teve de redistribuir muitos dos funcionários e eu fui parar no Setor de Compensação e foi que descobrir o que era na realidade essa Máquina de Desamassar Cheques. Na realidade era uma pegadinha combinada entre os chefes do setores, quando o chefe do Setor de Compensação desenrolava o pacote, não deixava o entregador ver o conteúdo, somente os demais funcionários e que se via que eram quatro tijolos enormes. O chefe desembrulhava, olhava e depois embrulhava de novo e mandava que fosse levada de volta alegando que a mesma tinha vindo faltando peças!!!

Essa pegadinha durou um certo tempo até que um dos novos funcionários, recém chegado, foi mandado, até o Setor Financeiro, pegar a Máquina de Desamassar Cheques. O mesmo não pestanejou, se levantou e foi cumprir a ordem. Quando voltou com o embrulhou, o chefe olhou e mandou que a levasse de volta alegando que a mesma não tinha sido concertada, O funcionário respondeu que a levaria no dia seguinte por está no final do expediente.


No dia seguinte, o chefe chegou um pouco atrasado, os funcionários tudo se acabando de gargalhadas, que ele perguntou qual era a graça? Foi que o novo funcionário respondeu: é que eu trouxe uma máquina nova pra desamassar os cheques. O mesmo tinha levado um Ferro de Passar Roupas e estava ele a desamassar os cheques.

Foi então que o chefe descobriu como era conhecido o novo funcionário: Paulo Doido!!!!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os cebolas, as lendas e os mitos VII

Lampião nunca esteve aqui!

Desde criança sempre ouvi dizer que os cangaceiros, principalmente do grupo de Lampião, nunca estiveram ou entraram na atual Cidade de Itabaiana(SE). Segundo os moradores, principalmente os mais velhos, toda vez que o grupo de Lampião tentava entrar na cidade, o padroeiro Santo Antônio, os impedia de entrarem na área urbana. Isso era dito nas escolas, nas igrejas e pelos moradores em geral.


Embora, quanto tocava nesse assunto com o meu paí, ele sempre começava a rir. Até que um dia ele respondeu: os cangaceiros sempre estiveram aqui, só que eles não avisavam e os que tinham amizade com eles não queriam que outras pessoas soubessem. Não esqueça, se os volantes (polícia da época) soubessem, eles prenderiam os amigos destes cangaceiros como couteiros (pessoas que eram consideradas amigos e davam apoio ao cangaço). Eu ainda questione: “e como as pessoas dizem que nunca viram eles por aqui?” Meu pai começou a rir e explicou: “eles vinham fazer feira, só que não vinham vestidos de cangaceiros, eles trocavam de roupas nas fazendas por perto (dos coiteiros) ou acampavam em algum povoado. É bem provável que esses amigos dos cangaceiros forneciam armas e munição”. Na época, não dei muita importância a explicação do meu pai.

Só que atualmente, começaram a aparecerem fotografias que colocam em dúvidas as afirmações das pessoas, em que afirmam que os cangaceiros nunca estiveram na cidade de Itabaiana. As primeiras fotografias, comprometedoras, começaram aparecer no grupo virtual (Internet) ITABAIANA GRANDE (facebook). Nas fotos ficou comprovado o envolvimento de pessoas com o grupo de Lampião, afinal de contas, os cangaceiros só se deixavam ser fotografados por pessoas que tinham confiança. Só que nesse caso, apenas informar que, mesmo que algumas pessoas tinham algum grau de envolvimento com os cangaceiros, não comprova que eles tenham entrado na cidade.
Eltevino Mendonça recebendo cangaceiros na fazenda no então
povoado Pinhão -  Itabaiana(SE) - Foto de Joãozinho Retratista

Só que apareceu a foto ao abaixo onde o grupo de cangaceiros acamparam na Praça Principal da Cidade. Ao fundo é possível ver o Mercado dos Pebas (foi demolido). E agora, o mito de que os cangaceiros, até mesmo o grupo de Lampião, chegaram a entrar ou não, na cidade de Itabaiana?

Foto com autor desconhecido.

Fotos cedidas por Robério Santos - Administrador do Grupo Itabaiana Grande (Facebook)

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

TEXTOS RELACIONADOS:
Os Cebolas, as lendas e os mitos I - Santo Antônio - O Santo Fujão
Os Cebolas as Lendas e os mitos II - O Carneiro de Ouro
Os Cebolas as Lendas e os mitos III - As Minas de Ouro e Prata
Os Cebolas as Lendas e os mitos IV- A cidade poderia se acabar debaixo dágua!
Os Cebolas as Lendas e os mitos V - O Mito do Pesadelo
Os Cebolas as Lendas e os mitos VI - Ganhando uma Botija
Os Cebolas as Lendas e os mitos VII -Lampião nunca esteve aqui!
Os Cebolas, as Lendas e os mitos VIII - A lenda dos raios e das pedras arredondadas

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O CEBOLA E O TROVÃO

É comum acidentes quando se trabalha produzindo fogos de artifícios, isso devido de ter de se trabalhar com pólvora, um produto altamente instável. E nesses trabalhos, com pólvora, é comum ocorrerem acidentes. Quando era criança,morava em Itabaiana(SE), presenciei a ocorrência de um desses acidentes.

Nesta época, em Itabaiana(SE), existiam três produtores dos chamados fogos de artifícios (as pessoas da região chamavam fogos de São João), pelo menos é o que tenho lembranças. Os produtores eram: o Sr. Valter, residia no povoado São Luiz bem próximo a igreja que emprestou o nome ao povoado; Sr. Josias Fogueteiro, que residia na Rua do Cacete Armado; e Sr. Carlos de Rosinha, que residia na Rua do Ouvidor. Todos eles mantinham a produção dentro das próprias residências e o maior produtor era Josias Fogueteiro.

Os três produtores eram conhecidos entre eles, costumavam trocar informações e orientações de como se trabalhar com segurança esses produtos. O Sr. Carlos de Rosinha sempre chamou a atenção dos outros dois em relação aos cuidados ao se trabalhar com pólvoras, mas sempre tinha negativas em relação as orientações de segurança.

O Sr. Valter costumava usar a esposa como mão de obra para o fabrico das chamadas chuvinhas. Essas chuvinhas para serem produzidas é necessário que se soque a pólvora em um canudo de papelão e isso requer um certo cuidado (altamente perigoso!). Mas, apesar das advertências, a falta dos cuidados preventivos levou a um acidente onde deixou sequelas pelo resto da vida, na esposa do Sr. Valter, devido as diversas queimaduras.

O segundo produtor, apesar das advertências (eu presenciei algumas) em relação de se trabalhar com explosivos (usado para produção de foguetes de varas, bombas e os famosos peido de velho), o mesmo nunca chegou a levar a sério a possibilidade da ocorrência de um acidente.

Infelizmente, o pior veio a acontecer! Uma certa noite, quando jogava baralho, em minha casa, jogo de burro (o único que sabia jogar na época) e era em torno de oito horas da noite, quando de repente se ouve um grande estrondo e as janelas da casa ficaram trepidando (vibrando) por alguns segundos. Meu pai que costumava assistir a hora do Brasil, sentado em uma cadeira de Balanço, se levantou assustado e foi logo falando: isso é uma explosão e deve ter sido na casa de Josias! Corremos para a porta da casa e olhando em direção ao campo de futebol (Estádio Presidente Médici), via-se no céu uma grande bola de fumaça.

Eu e alguns garotos, todos da vizinhança, saímos correndo para ver do que se tratava. Não deu outra, na casa do Sr. Josias! Alias, não existia mais a casa, praticamente todo o quarteirão foi abaixo com a explosão de aproximadamente 15 quilos de dinamite que estavam guardados em uma lata!!!

Quando vi toda aquela destruição, fiquei assustado! Muitas pessoas conversando, outras gritando, muitas chorando e outras mexendo nos entulhos procurando por outras pessoas. A conversa maior era em relação ao garoto que tinha morrido no local. Infelizmente tive o desprazer de ver um senhor passar como o garoto nos braços, todo ensaguentado. Várias pessoas perderam as casas, móveis, todos os documentos e ocorreram dezenas de feridos. Nunca me esqueci tal acidente e a a destruição provocada pelo mesmo!.

Algum tempo depois, mais ou menos um ano, em uma tarde de sábado, minha mãe, na feira, me manda ir para casa levar as compras. Neste sábado, estranhamente o dia começou a ficar escuro muito mais cedo do que estava acostumado a ver. Pois bem, peguei a sacola com a feira e la se foi eu para casa, saindo da feira, cruzei a esquina onde ficava a Loja do Sr. Frefi e entrando pela Rua das Flores. Ao mesmo tempo que o dia escurecia rápido, a temperatura também subia. Nunca tinha visto o dia escurecer tão cedo!!!

Na metade do caminho para casa, já em frente a casa do Seu Crispim, o céu é iluminado por um relâmpago gigante, até aí não estranhei, só que depois do imenso relâmpago, veio um trovão que chegou a fazer as janelas das casas trepidarem (vibrarem), igualmente a explosão no dia do acidente! Já tinha ouvido e visto relâmpagos antes, mas não com tanta intensidade!

Do susto que tomei, dei um pulo e fui parar dentro da casa do Seu Crispim! Eu fiquei na porta com o corpo para dentro da casa, olhando para rua para um lado e para o outro! Tinha uma moça na janela observando o que eu estava fazendo. A moça que estava na janela ficou impaciente e passou a perguntar, repetindo várias vezes, o que eu queira e eu sem responder, ainda assustado, continuava olhando a rua para um lado e para o outro. A moça gritou:mãe o que esse menino está fazendo aqui na porta? Quando uma voz gritou do fundo da casa: ele deve ficado com medo trovão!

Depois que a voz gritou, a garota impaciente ficou mais calma e passou a me explicar que tinha sido apenas um trovão, que eu questionei: e que trovão é esse que fez as janelas balançarem?

Mesmo duvidando das explicações, me pus de volta ao caminho da casa. Claro! Com um olho no céu e outro na terra!
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena: Geografia (UFS)
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O LOBISOMEM PERITO EM ARTES MARCIAIS

Quando era criança era comum os adultos contarem essas histórias sobre lobisomens e assombrações, apenas para fazer medo aos mais novos. Devido a esse tipo de atitude, algumas pessoas aproveitavam para pregar algumas peças.

As mais comuns era se pregar peças com as chamadas assombrações ou visagens.

Em uma dessas situações aque me chamou atenção foi o que contou um senhor aposentado. Esse senhor me contou que na adolescência morava em sítio e estudava a noite na cidade. Fazia o caminho de ida e volta todas as noites.

O caminho da cidade para a casa dele dava em uma encruzilhada chamada três cancelas (Povoado Terra Dura - Itabaiana(SE). As aulas começavam as 19:00hs e iam até as 22:30hs.

Como precaução ele sempre levava uma faca peixeira.

Em uma dessas noites ele passou na casa de uma irmã que, ao se casar, foi morar na cidade. Por coincidência a irmã pediu que ele entregasse uma faca peixeira nova a mãe que a mesma tinha pedido que ela a comprasse.

Isso quer dizer que ele foi para casa armado com duas peixeiras. Ele prendeu uma peixeira no cinto pela parte da frente e a outra ele prendeu no cinto na parte das costas.

Neste dia, quando se aproximava destas cancelas, em torno 12:00 horas da noite, detrás de uma moita saiu um vulto peludo, alto e foi na direção dele grunhindo.

Ele não pensou duas vezes, puxou uma das facas peixeira.

Foi aí que ele descobriu que o lobisomem era perito em artes maciais. O suposto lobisomem pulou e com um chute tirou a faca da mão dele e com a outra perna deu um chute frontal que ele caiu de braços abertos.

Quando ele tentou recuperar a posse da faca, o suposto lobisomem pisou na mão dele, foi que ele com a outra mão puxou a faca que se encontrava escondida nas costas e penetrou a faca na parte traseira da cocha do suposto lobisomem. A surpresa da segunda faca, escondida atrás das costas, foi quem salvou a pele dele!!!

O suposto lobisomem saiu aos berros por dentro do mato. O senhor se levantou pegou a outra faca e saiu cambaleando com o nariz sangrando. Quando chegou em casa, a mãe se assustou, já que ele estava sangrando pelo nariz devido a chute que levou e narrou o fato do que tinha ocorrido para a a mãe..

Quando amanheceu, ele já com o sangramento o nariz estancado, pegou o cavalo, com mais três irmão, saiu pelas casas da região e não encontrou ninguém com problemas.

Só que outros causos semelhantes (exceto pelo ocorrido da surpresa da faca) começaram a ocorrer no ano seguinte, só que em um povoado próximo. Os casos passaram a ocorrem no caminho do Batula e Lagamar (Itabaiana-SE) em um local próximo as olarias. Quando as pessoas saiam da rua e entrava na estrada que ia para esses povoados, nesta época, onde existia um local onde tinha duas quixabeiras, uma em cada lado da estrada.

Esse senhor já estava morando na cidade e costumava ficar até certas horas da noite no bar de final de rua (bar do Augusto) que era a entrada para a estrada que estava ocorrendo fatos semelhantes ao experimentado.

Num desses dias, um outro senhor que já tinha apanhado desse suposto lobisomem, se aprontava para ir para a casa. Quando o senhor lembrou ele do lobisomem e era bom está preparando. Foi quando esse senhor, de nome João, puxou uma arma e disse: hoje eu mato esse lobisomem ou seja lá o que diabo for.

Só que esse outro homem fez uma coisa semelhante ao fato ocorrido anteriormente. Colocou a arma na cintura na parte da frente e sem que ninguém percebesse ele estava levando uma faca presa no cinto pelas costas e não avisou a ninguém de tal posse.

Pois bem, não se passou uma hora que ele tinha saído! O senhor voltou sangrando e contou a história de maneira semelhante ao fato narrado anteriormente: o lobisomem o cercou de surpresa, no lugar das quixabeiras, quando ele tentou puxar o revolver, o suposto lobisomem pulou e com um chute desarmou ele e com a outra perna derrubou ele com um chute, só que esse nem tentou pegar a arma de volta, já foi puxando a faca e conseguiu esfaquear o lobisomem no meio cocha na parte da frente. O bicho gritou e saiu em disparada pelo mato.

Desta vez não esperaram amanhecer o dia para procurar o suposto lobisomem. Se juntaram os homens presentes no bar e saíram de cavalo e bicicleta e passaram de casa em casa nas redondezas e quando se aproximava o amanhecer, foi que chegaram na casa de um sujeito tido como maluco e perguntaram por ele. A esposa disse que ele tinha saído no inicio da noite e até aquele momento não tinha voltado para casa.

Quinze dias depois, o sujeito tido como maluco, volta e como costumava andar de bermudas se notou a cicatriz bem no meio da cocha. Foi que vários homens se juntaram e colocaram ele na parede e foi que ele confessou que costumava fazer essas brincadeiras.

Pouco tempo depois o sujeito foi internado como maluco.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
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