terça-feira, 30 de julho de 2013

A FACHIADA DOS CEBOLAS

O que é uma fachiada?
É uma caçada noturna aos pássaros. A presa principal era a rolinha (Pomba de Arribação). Mas, se caçava qualquer pássaro ou mesmo pequenos animais.

INDUMENTÁRIA

A roupa : era comum se usar calaças compridas (devidos aos mosquitos) e se calçava calçados fechados (bota ou tênis).

A arma : tinha vários nomes, isso dependendo de qual região você se encontrava. Entre os nomes podemos citar: baleadeira, baldoque ou estilingue.

A munição: poderia ser pequenas pedras em forma arredondada e tinha alguns caçadores que faziam bolas de barros especialmente para essas caçadas. Para o transporte da munição era utilizado uma bolsa chamada “capanga” que era pendurada no ombro contrário que a mesma ficava.

Para enxergar a noite era utilizado um candeeiro amarrado em um chapéu de palha.

O que é um candeeiro?
Uma espécie de lamparina que geralmente era feita de material reciclado de lata (frande). Tinha um bico que era inserido um cordão de algodão, dentro de recipiente era colocado querosene (na época as pessoas chamavam o querosene de gás!!!)



AMBIENTE DO EPISÓDIO

O ambiente de fachiada eram chamado de pastos e eram separados das malhadas (roça) por cercas de arame farpado que eram muitos comuns nos povoados Batula e Lagamar (Itabaiana-SE). Muitas dessas cercas tinham plantadas, na parte que ficava embaixo dos arames, os famosos pés de Macambira e possuíam três fios de arame farpados amarrados entre uma estaca e outra. As cercas com pés de Macambiras eram comumente chamadas de “Valados”.

O CAUSO

Vou falar de uma fachiada especial e os participantes também pessoas especiais. Uma turma de garotos com idade de 11 a 13 anos de idade!!!

Entre esses garotos tinha um que era especial. Era filho de um dos moradores recém chegados de São Paulo. Embora fosse filho de nordestinos ( os pais eram de Itabaiana-SE), ele era paulista de nascimento e pelas colocações também era paulista de coração.

O sujeito vangloriava tudo que era de São Paulo, tendo como partida a depreciação das coisas do local que morava naquele momento!!!

Mas, esse paulista tinha uma característica que se sobressaia em relação as demais: a CORAGEM. Como era muito gabola (auto se vangloriava), era mais valente do que qualquer cangaceiro e de se fazer inveja a qualquer Lampião da vida.

Enquanto entrávamos no mato, o paulistano (que sempre ia a frente para demonstrar coragem) ficava contando história de assombração e coisa do gênero para assustar e criar medo nos demais componentes do grupo.

Nesses pastos do agreste é comum uma vegetação com mais ou menos três metros de altura (tinha muito Marmeleiro) com algumas árvores de maior porte (como a quixabeira).

Estávamos passando por debaixo de uma dessas quixabeiras, quando de repente, o paulistano saiu em disparada de dentro do mato. Teve um componente que ainda gritou: cuidado com o Valado!!!!!.

Não teve jeito, o sujeito (corajosíssimo) bateu de frente com uma certa de três fios de arame farpado. Um dos três fio acertou bem no meio da testa e um outro bem no meio do peito. Ficou com dois cortes.

Quando indagado o que ocorreu: escutei um barulho estranho, deve ter um bicho dentro daquela moita.
Eu e outro colega fomos observar (os dois mortos de medo) e era apenas um burro que tinha relinchado.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia
http://carlos-geografia.blogspot.com

sábado, 27 de julho de 2013

O ENTENDIDO EM CABRAS

Ao entrar em um restaurante, um amigo que sempre me chama de cumpadi, me interpelou:
- cumpadi, na sua terra não tem cabra que preste!!!

Eu tomei um susto, afinal de contas, aqui no Nordeste, cabra siginifca homem honesto e valente. Foi que questionei: que isso cumpadi, por que cê tá com tanta raiva?

Ele me respondeu prontamente: comprei oito cabras lá do seus conterrâneos, e nenhuma delas dá leite. Lá na sua terra, nem os cabra macho e nem as cabra feme presta!!!

Olhei pru cumpadi desapontado e perguntei onde ele tava criando as cabras? Já que o mesmo morava na cidade. Foi que ele me levou pra vê os animais.

Olhando pro animais, perguntei: cumpadi, cê tem certeza que entende de cabras?

Ele me respondeu sem pestanejar: bote entender nisso!!!!

Que prontamente eu respondi: cumpadi, tem um problema, esses animais ái são bodes!!! Os cabras macho da minha terra te venderam os bodes no lugar das cabras feme.

Ele tomou um susto: vixe maria!!!! me lasquei!!!.

Eu pra consolar o cumpadi: não tem problema cumpadi, é só vender os bodes e recuperar pelo menos uma parte do seu dinheiro.

Ele me respondeu: só eu tem um problema. Eu espaiei pelo bairro que ia entrar pro ramo de vender leite de cabras e inté marquei um arrasta pé pra esse finá de semana e convidei a muierada toda.

Foi que dei algumas sugestões: cumpadi, o caso do leite é fáci resolver. É só falar com aquele professor que aparece aqui de vez em quando. Ele mora na Boca do Sertão (Nossa Senhora da Glória-SE) e cria cabras e pode arranjar o leite. 

Em relação aos bodes, tem um pernambucano, la das bandas de Juazeiro e Petrolina , que abriu um ristaurante aqui perto só pra vender churrasco de bode, fica na beira da praia, nois vende os bodes pra ele. Dá pra vender um por semana. Pelo que ele me falou, vende de vinte a vinte cinco quilos de carne por semana, que é mais ou menos o peso de cada bode que cê comprou. É só vender um por semana e tá resolvido o problema!

Ele olhou pra mim mais conformado e perguntou: cê tem amizade com esse cabra?

Respondi: tenho cumpadi, amanhã mesmo eu passo aqui, pego dois bodes.

Foi que ele me perguntou meio assustado: ué, não era pra vender um bode por semana? E por que o cumpadi quer levar dois bodes de uma vez?

Respondi: cumpadi, cê esqueceu do arrasta pé que prometeu pra muierada.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos VI

Ganhando uma “butija”

Desde criança sempre escutei história que fulano ou sicrano ganhou uma botija (o pessoal sempre pronuncia “butija”, com “U”), alguns tinham coragem de ir buscar e já outros!.

Para quem não conhece bem o que é “ganhar uma botija”, é bom saber primeiro o que é uma botija, para entender por que a grande maioria das pessoas se negaram a querer receber esse prêmio.

Uma botija, onde nasci e fui criado (Itabaiana-SE), é um pote cheio de moedas de ouro e em outras regiões e até povoados do mesmo município, uma botija, significa que a pessoas foi contemplada com algum valor em dinheiro. Lembrar que esse conceito muda de uma região para outra. Em algumas regiões, botija, significa simplesmente um vaso de barro. Alias, esse conceito de vaso de barro é o encontrado na maioria dos dicionários e foi o que eu aprendi na escola!

O interessante é como surgiu esse tesouro e como a pessoa é contemplada. Segundo os moradores da região, uma botija é a riqueza que algumas pessoas juntou durante toda a vida, guardava escondido em algum lugar seguro e morreu sem poder usufruir das economias que conseguiu realizar. Como a pessoa, depois de morta, se vê na impossibilidade de se utilizar das riquezas acumuladas, ela escolhe alguém, que esteja em vida, e oferece o tesouro para que a mesma usufrua.

A pessoa pode ser contemplada a receber uma botija de duas maneiras:

a) a pessoa sonha com o falecido e neste sonho o falecido mostra o local onde está depositado a famosa botija;

b) o falecido volta em forma de “alma penada” (fantasma) e passa a aparecer para a pessoa escolhida e se a pessoa não se apavorar (não mostrar medo) com a dita alma penada, a mesma irá mostra o local onde escondeu o precioso tesouro.

Mas, a pessoa pra ir buscar a botija, ao qual contemplada, tem de observar algumas regras:

a) a pessoa terá de ir a partir da meia noite;

b) não poderá levar nenhum acompanhante.

A ideia da botija ser um pote de ouro é porque o surgimento,  dessa lenda, se deu muitos tempos atrás e é bom lembrar, que essa lenda existe desde os primórdios da colonização brasileira e naquela época, uma das maneiras se se acumular riqueza, era guardar as moedas feitas de ouro, guardadas em um pote e depois enterradas em locais escondidos (secretos) para a devida segurança contra furtos.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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Os Cebolas as Lendas e os mitos VII -Lampião nunca esteve aqui!
Os Cebolas, as Lendas e os mitos VIII - A lenda dos raios e das pedras arredondadas

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Os cebolas, as lendas e os mitos V

O mito do pesadelo


Segundo os antigos moradores da Itabaiana Grande(SE), o pesadelo é um espírito que pode ser capturado e que a pessoa que conseguir tal feito, poderá fazer um pedido que o mesmo será realizado. Chamar a atenção, que essa não era uma regra geral, em alguns povoados, as pessoas diziam que só o fato de se conseguir a captura, do pesadelo, a pessoa já seria agraciada com moedas de ouro.

Os critérios de captura, do Espírito do Pesadelo, obedece o mesmo sistema de captura do Carneiro de Ouro, que vive na Serra de Itabaiana, que são eles: não pode pensar em dinheiro e nem ser ávaro (não pensar em riqueza), por ocasião do momento da captura.

Caso a pessoa pense em dinheiro ou qualquer riqueza por ocasião da captura, o Espírito do Pesadelo simplesmente se esvai e a pessoa apenas acorda cansada e assustada.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos IV

A cidade poderia se acabar debaixo d’água!

Agora vamos falar sobre água, isso mesmo “água”. Quando era garoto, sempre escutava que se a Serra de Itabaiana(SE) fosse perfurada (cavasse algum poço) a cidade se acabaria debaixo d'água (seria inundada!). 

Quando ouvir essa história, pela primeira vez, estudava o pré-primário (hoje incorporado ao chamado Ensino Básico), indaguei (questionei): se isso é verdade, a cidade de Aracaju se acabaria primeiro, já que toda a água que sai da serra (tem vários olhos d’água) sempre vai em direção do litoral. A professora e colegas riram e me perguntaram de onde eu tirei a ideia, que prontamente expliquei: na semana passada a professora me falou que a água sempre corre para os lugares mais baixo e se furar um buraco na serra, a água irá cair nos riachos que estão entre a cidade e a serra, depois para o Rio Sergipe que irá cair no Oceano Atlântico. Como a Cidade de Aracaju fica as margens do Rio Sergipe, seria a primeira a ficar debaixo d’água.

A contestação se deu por que a informação que ocorreria tal desastre foi passada pelos americanos e por isso aceita como verdadeiras. Tive de aceitar calado e somente em casa questionei com o meu pai, que os americanos estavam errados ou mentindo. Meu pai me falou que seria bom eu aprender ficar calado e não questionar o que os americanos falavam, por que poderia corre o risco de ser considerado comunista e para piorar, nesta época, eu nem sabia o que seria um comunista!

Vale uma pequena observação, quando eu estudava, o chamado pré-primário, estávamos na década de 60, período do Regime Militar e era comum nesta época se acreditar em tudo que os americanos nos passavam como verdadeira, inclusive a história que os comunistas comiam criancinhas!!!!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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sábado, 6 de julho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos - III

As Minas de Ouro e Prata!

A Cidade de Itabaiana também é conhecida como Cidade do Ouro, mas não pensem que é por existir minas de ouros na região. Durante algum tempo (quando era fácil o contrabando), a Cidade de Itabaiana (SE) foi o maior centro de comércio de joias de ouro do Estado de Sergipe. Chegou a ser famosa por ter na época, várias joalherias entre as maiores joalherias das Regiões Norte e Nordeste do Brasil. Para se ter uma ideia, a cidade possuía, na década de 80 do século passado, mais de vinte joalherias.

Mas, já que estamos falando em ouro, tem aquela história de que existem jazidas de Ouro e Prata nas terras da Grande Itabaiana! Um tal de Melchior Dias Moreia, no início da colonização da região, disse ter encontrado ouro e prata pelas redondeza. Segundo os historiadores, ele morreu em decorrência das torturas sofridas que lhes impuseram para que contasse onde estaria escondido o ouro e a prata. 

Até hoje não se tem notícias e nunca foram encontradas essas jazidas. O mais interessante, é que as pessoas ficam imaginando onde ficariam escondidas essas minas no atual município de Itabaiana. Mas, é importante chamar a atenção, o Melchior diz ter encontrado as minas de ouro e prata na Região de Itabaiana daquela época, no início da colonização. Lembrar, que ainda hoje, costuma-se chamar a Cidade de “Itabaiana Grande”, isso, em decorrência que no passado, o território do Município Itabaiana, tinha o tamanho várias vezes maior que o tamanho atual. Os vários municípios que ficam nas redondezas, entre eles: Moita Bonita, Areia Branca, Malhador, Frei Paulo, etc, hoje são cidades independentes politicamente.

Portanto, se você acredita que o Melchior Dias Moreia realmente encontrou ouro e prata, na Itabaiana, e desejar garimpar, é bom lembrar que terá de procurar entre diversos territórios dos vários municípios que faziam parte da chamada Itabaiana Grande.
A área em destaque era a região conhecida como "Itabaiana Grande"
Mapa cedido pelo historiador: José de Almeida Bispo (Itabaiana-SE)
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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