sexta-feira, 28 de junho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos - II

 O Carneiro de Ouro


Sempre ouvi, desde criança, que na Serra de Itabaiana existe o famoso Carneiro de Ouro, estoria corriqueira até hoje, de uma ingenuidade que só, mas alguns ingênuos acreditam! Muitos fixem acreditar por brincadeira e repassam por motivo de tradição em se manter a lenda.

Essa lenda relata que existe um Carneiro de Ouro vivendo na Serra de Itabaiana, o mesmo é encantado e vive aparecendo (desencanta) e desaparecendo (encanta) para algumas pessoas. Se por acaso ele aparacer para alguma pessoa e a mesma querer capturar esse tesouro ambulante, não pode pensar em dinheiro e nem ser ávaro (não pensar em riqueza material), no momento da captura, senão ele se encanta e você perde a chance de capturar o tesouro ambulante.
Serra de Itabaiana - Local onde vive o Carneiro de Ouro
 Estranhamente, já se passaram décadas e décadas (acredito que séculos!!) e até hoje ninguém conseguiu capturar tão precioso animal. Portanto, se você que está lendo este texto, não tiver nenhum tipo de avareza e nenhum tipo de ambição material, você é um sério candidato a capturar o tesouro encantado que vive na Serra de Itabaiana.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

TEXTOS RELACIONADOS:
Os Cebolas, as lendas e os mitos I - Santo Antônio - O Santo Fujão
Os Cebolas as Lendas e os mitos II - O Carneiro de Ouro
Os Cebolas as Lendas e os mitos III - As Minas de Ouro e Prata
Os Cebolas as Lendas e os mitos IV- A cidade poderia se acabar debaixo dágua!
Os Cebolas as Lendas e os mitos V - O Mito do Pesadelo
Os Cebolas as Lendas e os mitos VI - Ganhando uma Botija
Os Cebolas as Lendas e os mitos VII -Lampião nunca esteve aqui!
Os Cebolas, as Lendas e os mitos VIII - A lenda dos raios e das pedras arredondadas

terça-feira, 25 de junho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos

Santo Antônio - O Santo Fujão

A atual cidade de Itabaiana(SE) tem como padroeiro o Santo Antônio, conhecido como o Santo Casamenteiro e também como o responsável pela atual localização da cidade. De acordo com os moradores da região, quando a primeira povoação ainda era próxima a serra, na Igreja da época, o Santo Antônio fugia durante a noite e se escondia em um pé de árvore onde fica localizada a atual igreja matriz na sede do município. 

Durante várias vezes, o santo fugia durante a noite e se escondia onde atualmente fica a igreja matriz da cidade. Ironicamente , o Santo deixava um rastro visível durante a fuga. Devido a insistência do santo, os moradores da época resolveram construir a atual igreja. Foi então que o santo se acomodou, deixou de efetuar as tradicionais fugas e a cidade passou a crescer nos arredores da igreja originando o que hoje é a atual cidade de Itabaiana.

Atualmente, o Santo Antônio é o santo padroeiro da cidade, santo casamenteiro e é também padroeiro dos motoristas. É um caso fora dos padrões, já que o Padroeiro dos motoristas a nível nacional é São Cristóvão.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O SINCRETISMO RELIGIOSO

Quando era garoto morava em Itabaiana e em Itabaiana a forma das ruas obedecem sempre a um quadrado. 

Eu morava em uma esquina e de frente passava uma rua que só tinha casa de um lado e a rua que ficava ao lado da casa (Rua Padre Felismino) , terminava justamente na esquina em que eu morava (era o chamado final de rua). 

Do outro lado da rua,em frente a minha casa, tinha um chamado campo de peladas (pequeno campo de futebol soçaite ). De frente as quadra vizinha do lado direito, em direção ao centro da cidade, tinha uma praça (na época Hunaldo Cardoso). Alias, o campo de pelada que fica em frente a minha casa, também era uma praça que mudava de nomes com o passar dos tempos e nunca deixava de ser um campo de pelada. 

A continuação da rua ao lado da minha casa, atravessando o campo (ou praça) em frente a minha casa, ia dá em uma estrada em direção a Zona Rual, com sítios de um lado e do outro (ia sair no Povoado Lagamar e Batula). 

Neste pequeno campo de futebol e na praça vizinha era comum se jogar lixo e então a prefeitura resolveu limpar o terreno. Mandou passar o trator e toda a terra retirada com o lixo foi depositada no lado do oposto campo da casa onde eu morava. O certo seria retirar o lixo e levar em caminhões!!! 

Quem passava pela rua ao lado do campo, via a praça ou campo todo limpo e não imagina que por debaixo do morro que foi depositado no outro lado, era lixo coberto pela areia retirada da própria praça. 

Depois desse fato, os moradores da localidade passaram a jogar o lixo escondidos por detrás desse morro, que foi criado na limpeza da dita praça. Assim, quem passava pela rua não via o lixo por detrás do morro e por detrás deste morro ficavam dois sítios. 

O lixo que se jogava antes da limpeza era bolsa plásticas, sapatos velhos, sofá velho, etc. Só lixo sólido. 

Depois desta limpeza, o tipo de lixo mudou. As sapatarias locais passaram jogar a sobra dos couros dos sapatos e o restaurante (na época só tinha um na cidade) passou a jogar o restante dos temperos e as penas das galinhas detrás desse morro. 

O interessante é que o restaurante, nesta época, comprava as galinhas vivas e ele mesmo matava e tratava essas galinhas. 

As pessoas para irem em direção a zona Rural ou vim da zona rual, em direção a cidade, eram obrigadas a passar na estrada que ficava ao lado do campo e deste morro, e quando adentrava mais adiante, uns cem metros, a estrada fica entre sítios. 

A estrada era estreita e irregular. Em alguns lugares chega a ter cinco metros de largura (dava para passar dois carros) e em outros só dava pra passar somente um carro. 

O que separava a estrada dos sítios era o que chamávamos de valado. Valado é uma cerca feita com postes em ficados no chão, com dois ou três fios de arame farpado (arame com grampos para dificultar a passagem das pessoa), esse fios presos nos postes eram esticados de um para outro e embaixo dessa cerca eram plantados pés de Macambiras. 

Nesta época do ano (mês de junho), pela manhã cedo, os garotos da rua (inclusive eu) costumávamos sentar neste morro pra se esquentar ao sol. 

Foi que observamos que as pessoas ao passarem ao lado desta lixeira e verem os fatos e as penas brancas e pretas da galinhas, depositadas no local, eles se benziam e passavam rezando. Muitos ainda falava em voz alta: cruz credo. 

Foi que eu mais um dos garotos tivemos uma ideia: pegamos as penas pretas das galinhas e fizemos um quadrado tomado toda a estrada de um lado ao outro, depois enchemos o quadrado com penas brancas. Depois pegamos o restante dos corantes (de cor vermelha) e fizemos uma cruz em ambos os lados deste quadrado. 

O que ocorreu: logo pela manhã, quando as pessoas vinhas do sítio para a cidade e viam este desenho tomando toda a estrada, se benziam, começavam a rezar e pulavam o valado para dentro do sitio, que ficava vizinho a estrada, caminhavam uns trinta metros por dentro deste sítios e depois pulavam o valado de volta pra estrada. Alguns rezavam e diziam: quem será que foi o filho da puta que veio fazer um macumba logo aqui? 

Não precisa dizer que a garotada ( inclusive eu) escondida por detrás do morro se acaba de rir de ver essas atitudes. 

A ação dessas pessoas só foi quebrada quando um carroceiro (tinha o apelido de carboreto) veio e parou de frente a esse desenho. Um dos moradores que estava um pouco distante no outro lado do campo, na rua, gritou: e aí carboreto, vai ter coragem de passar? Ele respondeu firme e forte: isso poder ser feito por macumbeiro, por santo ou pelo o diabo que o carregue. Tenho de ir trabalhar! E passou por cima. Só então as pessoas resolveram passar pela estrada sem ter de precisar pular o valado.. 

O problema é que um dos moradores, que viu a brincadeira, foi e contou pro meu pai. Não precisa dizer que o cinturão comeu solto........ 

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena – Geografia
http://carlos-geografia.blogspot.com

segunda-feira, 10 de junho de 2013

VISAGENS DIURNAS

Desde criança sempre ouvir essas histórias de alma penada. Alma penada ou visagem é a mesma coisa que fantasma, só que aqui no Nordeste não se chama fantasma e sim Visagens Na cidade onde nasci, se chamava alma penada. O que eu já ouvir de histórias de visagens (alma penada) já perdi a conta. Só que as histórias de visagens que me contavam, quando ainda era criança, elas sempre eram vistas a noite, em lugares escuros e geralmente próximos as Santas Cruz ou cemitérios.

Mas, quando cheguei na adolescência, as visagens começaram a ficar mais ousadas e passaram a aparecerem durante o dia. É claro que algumas visagens aconteciam por acidentes e também devido ao medo já plantado na minha imaginação e na imaginação das pessoas que ouviam essas histórias desde criança.

Mas, vou contar os ‘causos’ que vi acontecer de dia em ordem cronológica inversa. 

1º Causo: O coveiro. Quando passei a estudar, o que hoje se chama de segundo grau, foi no período da tarde. E de vez em quando eu resolvia corta caminho de ida ao colégio, geralmente quando estava atrasado, por detrás do cemitério. 

Como a aula começava as 13:00h e tinha de sair de casa 12:15. Só que um dia atrasei e sair faltando vinte minutos paras 13:00h. Foi que resolvi cortar caminho por trás do cemitério.

Quando ia passando, notei que uma coisa branca aparecia e imediatamente desaparecia por detrás do muro, pela parte de dentro. Foi que pensei, já tem um engraçadinho fazendo presepada. Peguei uma pedra e imaginei, esse vai aprender a não fazer medo a ninguém, só que pensei, mesmo que eu acerte a pedra a pessoa corre e eu não vou saber quem é. Em vez de jogar a pedra, subi, pelos buracos existentes, no muro para ver quem estava fazendo a pegadinha.

Qual a minha surpresa! Na realidade era o coveiro trabalhando. Como ele tinha esquecido o chapéu em casa e o sol estava bastante quente, ele pegou o lenço, que por sinal era branco, e amarou sobre a cabeça para suportar melhor o calor. Só que ao ficar limpando o terreno com a enchada, a cabeça dele ficava aparecendo e desaparecendo em sequencia por cima do muro. Foi que alertei o mesmo sobre o fato e ele corria o risco de sofrer um acidente, por que as pessoas iriam imaginar que alguém querendo pregar algum susto..

2º causo: O fantasma que flutuava na horizontal. Esse caso, proposital, também aconteceu ao meio dia e mais uma vez, atrasado resolvi cortar caminho por detrás do cemitério. Quando fui me aproximando da curva que dava acesso ao cemitério, dei de encontros com algumas pessoas se benzendo, rezando Ave Maria e me apontaram em direção do cemitério. E foi que notei um fantasma que flutuava na horizontal. Era um fantasma, tamanho família, que flutuava e se comportava como se estivesse pulando. Foi que exclamei: agora dá de tudo, as visagens resolveram aparecerem ao meio dia e essa é mais interessante, flutua na horizontal e pula! Foi que uma mulher me questionou se eu ia passar pelo fundo do cemitério pra não chegar atrasado ao colégio? Foi que respondi: Dona Maria, já estou acostumado de vê tanto lençol flutuando no fundo do cemitério! Tudo bem que esse é diferente, flutua na horizontal. Mas, resolvi passar e quando fui me aproximando, o fantasma me conheceu pelo nome e me perguntou: fio de Carlos, não tem ninguém armado ali naquele meio não, tem? Foi que dei a notícia ruim: rapaz, vi alguns ‘caras’ com espingardas e de cartucho. Foi que ele respondeu: então é melhor a gente cair fora. Embora eles não tiraram o lençol pra eu ver quem eram, deu pra notar que eram três pessoas, duas bem mais altas que eu e um pouco mais baixo, com um lençol sobre a cabeça dos três. Eles se meteram por dentro do mato (o fundo do cemitério estava cheio de pés de Jurubeba) e percebi que eles estavam pulando o muro pra dentro do cemitério. Como eu estava doido pra saber quem eram as ‘almas penadas’, sair correndo pra frente do cemitério e vi quando saíram três sujeitos e só um eu conhecia, ele vendia verduras na feira. Quando passei pela feira indaguei: fazendo frio ao meio dia e usando lençol, né? Foi que ele indagou: pelo amor de Deus você tá querendo que morra ‘muleque’?

3º causo: O Estudante. Este episódio, também proposital, aconteceu quando retornava do colégio, onde resolvi cortar caminho de volta pra casa. E acompanhado de mais alguns colegas que moravam em sítios (Zona Rural), passando ao lado do cemitério (nesta época ainda era sítios), apareceu um vulto branco e fazendo sussurro. Levantava-se e fazia sussurro e depois sumia nas folhagens por detrás de um pequeno morro de areia. Na realidade ele ficava em pé e depois se agachava dentro das folhas dos pés de jurubeba. Foi que começou a juntar uma pequena aglomeração de pessoas que estavam de volta para casa. Aí começou aquela história que o mundo estava pra se acabar e algumas mulheres rezando. Quando me aproximei com esses meus colegas e vi o que estava acontecendo, fui logo indagando: por que não colocava o suplicante pra correr? Foram logo me respondendo: você tá maluco, com assombração não se brinca! Foi que respondi: mais, aqui sempre está aparecendo destas assombrações e o pessoal aqui da redondeza já está pra lá de cansado de colocarem elas pra correrem! Foi que um dos integrantes do grupo, deixa comigo, vou ‘arrudiar’ (dá a volta) e vou pegar o engraçadinho de surpresa. Só que a pessoa levou uma espingarda e só escutamos o tiro! A suposta alma penada saiu gritando e falando: porra está queimando pra burro. Era um dos meus colegas do colégio, que sabendo do nosso caminho de retorno para casa, foi aprontar e acabou levando a pior. Ainda bem que atiraram no trazeiro(nadgas) e não pra acertar na cabeça! De qualquer maneira ele foi parar no hospital local e a enfermeira disse que retirou dezoito bolas de chumbo! Isso quer dizer que o tiro não acertou de cheio, já que um cartucho tem muito mais que dezoito bolas de chumbo.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia


Esse texto também foi publicado no grupo ITABAIANA GRANDE
Esse texto foi inicialmente produzido e contado como causo na Rádio Cultura Online Brasil

domingo, 9 de junho de 2013

A CAVEIRA DE FOGO VOADORA

Por Antônio Carlos Vieira

De tanto ficarmos escutando essas coisas dos adultos, acabamos ficando com medo até de coisas simples. Muitas dessas coisas que acaba nos assustando ocorrem por acidente e outras por armação de algum gozador.

Vou contar um caso simples: quando ainda era garoto (12 anos de idade) combinei com alguns colegas do colégio para irem estudar em casa no período da tarde. Pois bem, no período da tarde estavam lá cinco colegas para estudarmos, dois garoto, eu e mais quatro garotas.

Em um certo momento uma das garotas arregalou os olhos e ficou apontando para o filtro de água. Quando olhei percebi que o caneco que era de plástico (uma novidade naquela época) se locomovia, sozinho, de um lado para o outro.

Nesta época era comum as pessoas comprarem pedra de mármores e fixarem elas no canto da parede para em cima se colocar o filtro de água. Nesta época os filtros eram de barro.

Os outros colegas ficaram assustados e duas das garotas ficaram se benzendo e valei meus Deus.

Me levantei com um dos garotos e fui até o filtro e constatei que não era nada. Por coincidência, o filtro começo a vazar água, pela torneira, naquela tarde. As gotas d'água formaram um tapete em que o copo plástico, por ser leve, ficou flutuando e quando o vento passava empurrava o copo de um lado para o outro.

Mas, nem sempre as coisas que provocam algum susto nas pessoas são acontecimentos acidentais. Como eu morava no final de rua para a Zona Rural, era comum escutar conversas de coisas preparadas por pessoas que gostavam de pregar peças em outras pessoas.

Indo pela estrada que passava ao lado da minha casa em direção ao Povoado chamado Lagamar, em uma distância de mais ou menos um quilometro, tinha um riacho, . Ao lado desta estrada, tanto do lado direito quando do lado esquerdo, tinha um grande capinzal. Separando esse capinzal da estrada, uma cerca feita de estacas de madeira. Essas estacas de madeira quando começam ficar muito velhas, costumam apodrecer pelo miolo. Pois bem, uma destas estacas, que estavam apodrecendo, tinha o chamado nó da madeira, ou seja, o miolo podre da estaca acabou provocando vários buracos.

Só que algum esperto passou, no período inicial da noite, e acendeu uma vela dentro de uma dessa estaca cheia de buracos. O que ocorreu foi que as pessoas que ia da cidade para o povoado e vice versa, ao ver aquela luz de dentro da estaca, ficaram no alto da ladeira sem atravessar o riacho e tinham muitos deles (a maioria mulheres) de joelhos rezando e que o mundo ia se acabar e o satanás já tinha chegado a terra..

Isso até que um grupo de homens perderam o medo e resolveram ver do que se tratava. Foi que descobriram que era um armação e quem acabou pagando o fato foi o pai e a mãe de quem fez a brincadeira.

Mas, esse caso é um caso simples que sempre acontecia quando eu ainda era garoto. Quando já era adolescente, ocorreu um caso bem mais interessante. As armações se modernizaram! Foi quando ocorreu o caso da CAVEIRA 

Em um dia de quarta-feira, período de coresma, onde a noite é muito escura. As pessoas retornando da cidade e as pessoas dos povoados indo em direção a cidade. Neste dia estava na casa de um colega no Povoado Serra (fica próximo a Serra de Itabaiana).

Quando do retorno, entre o povoado Serra e o Povoado bom Jardim, em um local que existia um riacho somente no período das de chuvas (comumente chamado de baixadas), tinha um bocado de gente rezando, e cruz credo pra lá e cruz credo pra cá, me apontaram para a baixada (local onde passava o Riacho).

Nesta baixada, por debaixo de uma quixabeira, vez em quando aparecia uma caveira com olhos, dentes e uma cabeleira vermelha, que voava de um lado para o outro. No lado oposto desta baixada, acontecia o mesmo que estava acontecendo onde eu estava, muita gente rezando e muita Ave Maria e muito Cruz Credo!

Só que as horas iam passando e ninguém tomava a providência para ver o que realmente era o que eles chamam de assombração.

Lá pelas onze horas da noite, foi que um grupo de homens armados de espingarda de cartucho (mais especificamente três homens) criaram coragem e foram de encontro da tal assombração e dizendo: pode ser assombração ou o diabo que estiver ali, mas dormir na estrada eu não durmo.

Quando se aproximaram, a caveira levantou voo mais uma vez, eles dispararam as espingardas e a tal caveira se apagou e sumiu. Eles se aproximaram lentamente para ver o que era realmente.

Viram o que realmente era: um sujeito pegou um desses cocos grandes, furou o local dos olhos e o que seria uma boca cheia de dentes pela parte lateral do coco e na parte de cima, fez uma abertura por onde colocou uma vela acessa. Depois o sujeito enrolou esse côco com um papel semitransparente vermelho, sendo que as partes dobradas ficaram na abertura por onde ele colocou a vela acessa. Amarrou o papel plástico com uma linha de nylon, jogou essa linha de nylon por sobre um dos galhos da quixabeira e depois amarrou a linha no pé da quixabeira.

Resultado, toda vez que dava um vento, os galhos da quixabeira balançavam de um lado para o outro, esticava a linha de nylon, fazendo com que a caveira levantasse voo e se deslocasse de um lado para o outro, seguindo a direção do balanço dos galhos.

OBSERVAÇÃO:
Esse 'causo' foi contado no Programa Educar na Rádio Cultura online Brasil.

Esse texto foi publicado na REVISTA OMNIA ligada ao grupo ITABAIANA GRANDE