segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Mensagem de Início de Ano - 2014

No final deste ano, com a perspectiva da realização da Copa do Mundo de Futebol e das Eleições presidenciais, continuarei usando a tradicional mensagem musical (Este Ano quero Paz no Coração), interpretação feita pelos Incríveis, que poderá ser ouvida no vídeo abaixo:




E para vocês começarem o ano bem calmos escolhi este vídeo musical instrumental da música do Filme Titanic,  de ótima interpretação. 
FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS

sábado, 21 de dezembro de 2013

O CAIXÃO DE DEFUNTO NA BEIRA DA ESTRADA

Quando morava próximo a Praça Hunaldo Cardoso era comum os adolescente se reunirem, durante a noite, para uma jogatina de baralho (o jogo mais comum era “Buraco”). Durante uma dessas partidas de buraco chegou um dos moradores todo eufórico, dizendo: turma, na estrada do Brito (cidade que fica 10Km distante de Itabaiana-SE) apareceu um caixão de defunto, pertinho da ponte das traíras (Rio das Traíras), bem ao lado de uma Santa Cruz e o caixão está aberto com a tampa encostado na cerca!!!”.

Foi o suficiente para a jogatina acabar e lá se foi todo mundo para a Estrada do Brito (nome popular da estrada). A estrada não é a atual que é pavimentada com asfalto.Era a antiga estrada( ainda existe) e é paralela a atual, de barro batido (estrada de terra), igualmente a estrada atual tinha duas pontes. Só que essa antiga estrada tinha várias Santas Cruz! Santa Cruz são locais onde ocorreram acidentes, com vítimas fatais, de veículos e os mortos eram enterrados ali mesmo na beira da estrada. Se construía uma pequena capela (as vezes bem minúscula) e se coloca uma cruz, por isso o nome Santa Cruz.

Nesta época, os ceboleiros (pessoas que nascem em Itabaiana) tinham uma certa mania de dizer que a cidade do Campo do Brito tinha muitos lobisomem!!!! Isso foi motivo para dizerem que enterraram um lobisomem e o mesmo tinha saído para atacar as vítimas!!! A imaginação foi tão grande que todos acreditaram que um sujeito morreu e foi enterrado em sete palmos de terra, depois de alguns anos, ele volta a vida, abre o caixão ( como ele tirou os sete palmos de terrai de cima do caixão!!!!), pegou esse caixão e colocou na beira da estrada e tampa encostada na cerca!!!!

As pessoas que vinham pela estrada, viam o caixão, paravam com medo e pediam informação, mas sempre diziam que tinham de continuar viagem e não iriam para por medo um caixão de defunto na beira da estrada. Só que na hora de se passar pelo caixão desenvolviam uma velocidade altíssima em demonstração de muita coragem!!!! Isso por parte dos motorista saindo de Itabaiana em direção a Cidade de Campo do Brito e por parte dos motorista que saiam de Campo do Brito em direção a cidade de Itabaiana.
Atualmente a está mais estreita, mas continua com as pontes de madeira.
(Foto de José de Almeida Bispo)
Depois de algum tempo, avista-se uma espécie de combe na parte dianteira e na parte traseira igual ao um pequeno caminhão. Parou bem ao lado do caixão! O motorista desceu, pegou o caixão colocou em cima da carroceria, depois pegou a tampa e fechou o caixão e amarrou!!

De acordo com o pessoal que foi tirar satisfação com o motorista, ele disse:”eu não amarrei a carga direito e esse caixão acabou caindo. “. Sem mais nem menos foi embora e sem maiores esclarecimentos! Ficou todo mundo com cara de tacho!!!!!

Antônio Carlos Vieira
Lic. Plena - Geografia
blog: http://carlos-gografia.blogpsot.com.br/

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O OVO PODRE

Dizem que feira é lugar de bagunça, não só bagunça, mas é um lugar que aparece gente de tudo que é lugar e de todo tipo.

Quando era adolescente, eu e minha mãe vendíamos na feira de Itabaiana(SE). A banca ficava bem próximo do poste de iluminação que fica bem no centro do Largo Santo Antônio.

Em um belo dia ensolarado, desses bem calorentos, de repente do nada ouvir alguma coisa bater por cima da lona que cobria a banca. Subiu um mau cheiro desgraçado e na qual exclamei: “Puta que pariu! Alguém atirou um ovo podre em cima da banca!”.

Quando vendia nas feiras livres as bancas eram cobertas com lonas que
se usavam para cobrir as cargas nos caminhões
Eu fiquei olhando em várias direções para ver se percebia quem poderia ter feito o ato de vandalismo. A única pessoa que desconfiei era um vendedor novato, um pernambucano! Estava assobiando e olhando para o céu como se não estivesse presente naquele momento. Como não poderia fazer uma acusação sem ter certeza que o mesmo teria atirado o ovo, fiz uma pesquisa, nas redondezas, e alguns dos antigos vendedores confirmou a minha suspeita.

O problema é que não iria enfrentar o sujeito e tirar desaforo no meio da feira e sem falar que o sujeito parecia daqueles disposto a criar intrigas para se aparecer.

Na feira seguinte (no outro sábado) lá estava ele assobiando e com a desfaçatez de sempre.

Quase todas as manhãs costumava ir até a feira dos manuês(bolos) tomar um café e nessa de tomar café escutei quando uma das vendedoras pediu para o filho ir jogar alguns ovos fora, por que estavam podres! Eu escutando, fui logo fazendo um pedido: a senhora poderia me dar um desses ovos? No que ela me respondeu: “mas para que você quer um ovo podre, menino?” Mesmo me questionando, me deu um dos ovos.

Não precisa dizer que atirei este ovo na banca do assobiador que sempre estava olhando para o céu e em outro mundo.

Quando o sujeito sentiu o mal cheiro, provocado pelo ovo podre,foi logo gritando: “quem foi o fila da puta que atirou um ovo podre em minha banca?” Da mesma maneira fiquei assobiando e olhando o céu estando em outro planeta!

Depois de meia hora mais ou menos, o sujeito se aproximou da minha banca e me reclamou: “rapaz, você acredita que teve um fila de uma puta que atirou um ovo podre em cima da minha banca?” Eu prontamente respondi:” rapaz, deve ter sido o mesmo vagabundo que atirou um ovo na semana passada aqui na minha banca. Olhe aqui em cima onde o fila da puta atirou o ovo? deve ter sido o mesmo.”

Como ele não iria me desmentir pelo fato de ter sido ele o autor da primeira empreitada, ele simplesmente mordeu os lábios, coçou a cabeça e saiu com as mãos na cintura e retrucando: “quem será que foi esse fila da puta?”

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS) 
http://carlos-geografia.blogspot.com.br

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O PELEGO

Quando tinha dezesseis anos, morava no Conjunto General João Pereira (Itabaiana-SE). Nesta época, eu e minha mãe, vendíamos nas feiras(uma na quarta e outra no sábado). Eu costumava ir para a feira entre duas e três da manhã e raramente voltava para casa e ficava aguardando enquanto minha mãe chegava ao amanhecer.

Para ir a feira, eu sempre utilizava o caminho que passava pelo lado do Hospital Rodrigues Dórea (atualmente se chama Hospital Dr. Pedro Garcia Moreno) e passava por uma baixada e depois subia em direção a Rua do Fato (Rua Itaporanga). Nesta baixada tinha um riacho (na realidade um esgoto) e sobre o riacho tinha uma pinguela (um tronco de árvore atravessado que possibilitava a passagem sem pisar na água).

Em uma dessas viagem para feira, pela madruga, resolvi voltar mais cedo para casa. Quando cheguei no final da Rua do Fato, aproximando-se do dito riacho, eu avistei um vulto branco (do lado oposto do riacho) indo em direção a pinguela. No final desta rua, bem ao lado onde ia passando, tinha uma família carregando uma carroça e se preparando para ir vender na feira e eles também vendo o vulto branco me questionaram: vai ter coragem de passar?

Como não tinha jeito e o meu sono era maior que o medo, respondi: rapaz, não tem jeito, com o sono que estou eu dormiria aqui no meio da rua!

Como tinha o costume de andar a noite e as vezes fazia fachiada, aprendi que para saber se tem alguém vindo em sua direção em alguma estrada é só se abaixar, com a cabeça encostada no chão e olhar ao longo da mesma. Se existir alguém caminhando na estrada, você irá notar o vulto da pessoa se locomovendo. O problema é que esse artifício só funciona em estrada com terreno em linha reta. Não funcionou o meu artificio!

Continue caminhando em direção da pinguela e do outro lado o vulto se aproximava na mesma proporção! Quando eu estava a mais ou menos cinco metros, da pinguela, avistei do outro lado a uns cinco metros de distância, da mesma pinguela, um senhor de camisa de mangas compridas (era de um tipo muito comum utilizado para se trabalhar na roça), calça preta, botas de borracha, chapéu de vaqueiro e no braço um pelego branco (são feitos de pele de carneiro). Ufa, que alívio!

Quando fiquei mais próximo do senhor, eu o alertei do fato dele está no escuro, com roupas escuras, carregando um pelego branco e falei: rapaz, guarde esse negócio branco? Lá de longe só se avista um vulto branco pulando no escuro. Ele me respondeu: sabe que nem tinha percebido! No qual justifiquei: olhe as pessoas lá na rua? todas olhando para saber o que é e esperando para ver se eu tinha coragem de passar!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br/

sábado, 16 de novembro de 2013

O ÚLTIMO DOS LOBISOMENS

Os tempos vão mudando, a tecnologia evoluindo e as pessoas também mudam acompanhando essa evolução. Alias, até os lobisomem tiveram de se adaptar a novas tecnologias!

Desde criança, as histórias sobre lobisomem, seres que sempre aparecem em noites de lua cheia, de uma força descomunal e que assustava os andarilhos noturnos. Isso até que um senhor em uma dessas rodas de conversas, que se conta causos extraordinários, me falou que não era bem assim (década de oitenta do século XX).

Ele disse que uma vez voltando do colégio (estudava a noite) foi interpelado por um desses lobisomem e acabou dando uma facada no suposto e afirmou que na semana anterior (anterior a semana da conversa) tinha visto um lobisomem quando voltava para casa.

Mas no caso da última vez que ele diz ter visto um lobisomem foi a tarde! No qual questionei: e lobisomem aparecem a tarde?

Ele esclareceu que o lobisomem apareceu a tarde e era um que acompanhava a modernidade! - Acompanhava a modernidade! -: É! o que ví na semana passada, apareceu de dia e usava tênis!

Segundo o senhor: eu trabalho de vigilante e resolvi, ao sair do trabalho, passar (ir) na casa da minha mãe. Minha mãe mora na Terra Dura(fica em Itabaiana). Só que resolvi cortar caminho por uma estrada para chegar mais rápido. Deixei a moto na casa do meu irmão e fui o restante do caminho a pé. O caminho era estreito e cheio de marmeleiros. Foi quando vi um vulto com orelhas enormes, uivando e passou correndo e se escondeu dentro dos pés de marmeleiro. Só que eu estava armado com uma pistola e corri na direção do bicho, apontei a arma e mandei que o sujeito saísse de dentro do marmeleiro: é melhor siar? por que nessa distância eu n ão erro o tiro e sei que você não é um lobisomem, daqui dá pra ver os seus pés calçado em um tênis!

O senhor continuou: era m sujeito com mais ou menos um metro e oitenta de altura, vestido em pele de carneiro, todo bem costurado, só a parte da canela para baixo não estava coberta pela pele de carneiro. A fantasia tinha costurada orelhas grandes iguais a de um lobo. O cara me falou: eu fico aqui espantando as pessoas por que o meu patrão me dá uma grana extra. Ele tem uma rapariga (mulher) que mora aqui no sítio ao lado e não quer ser visto quando está com ela!

O vigilante mandou que o cara tomasse cuidado, por que muitas pessoas andam armada e se ele resolvesse atirar antes de perguntar, ele estaria morto e não vale a pena ganhar uns poucos trocados arriscando a vida vestido de lobisomem e aparecendo a tarde! Quem vai acreditar?

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena – Geografia (UFS)
http://carlos-geografia.blogspot.com.br/

terça-feira, 29 de outubro de 2013

OS PENETRAS INVISÍVEIS

Noite de sábado, um grupos de mais ou menos 20 jovens em frente a Cine Santo Antônio (Itabaiana-SE). Mas não estavam esperando o início do filme, na realidade estavam todos sem dinheiro. O normal era todos irem para a praça principal da cidade (Praça Fausto Cardoso) onde ficam as garotas quando do término da missa.

Se reuniram todos na praça, em frente ao cinema, discutindo como iam e quem tinha dinheiro para a cervejinha do final de semana (nessa época ainda não se falava em 0800). Conversa vai e conversa vem, é quando aparece Jorge Black. Todo espirituosos, cheio de gíria, sempre confiante em resolver a coisas de maneira simples e chegou logo falando: e aí pessoal, sei que vocês todos estão aqui conversando de como tomar uma cervejinha, só que tá todo mundo quebrado (sem dinheiro), mas eu tive uma ideia: tem uma festa de aniversário de quinze anos, a gente até que podia aproveitar a falta de grana e dá uma chegadinha até lá?

Discussão em alta enter os prós, os contra e o Jorge Black, com o palavreado de sempre, conseguiu mais sete postulante para ir a festa!.

A casa, residência da festa, tinha um corredor que ligava a frente da casa, ficava na Praça João Pessoa, ao quintal. Neste quintal tinha uma piscina bem ao centro. Para se chegar até a piscina, por dentro da casa, tinha uma porta central, na cozinha, onde ia dar nos fundos da casa. No outro lado oposto da piscina tinha uma garagem que atravessando ia sair em outra rua (Rua sete de setembro), ou seja, a casa ia de uma rua a outra!!!.

Pois bem, chegamos em frente a casa, corredor vazio, ninguém entrando ou saindo, todos os convidados já tinham chegado, se acomodados e lá se vai os oito aventureiros (penetras) entrando pelo corredor. O problema é que não sabíamos que no meio do caminho tinha uma porta!!! E foi justamente, quando íamos passando, por essa porta que a dona da casa apareceu de repente!! Todos os aventureiros, coordenadamente, fizeram um meia volta vou ver! Mas a dona da casa, educadamente e gentilmente, por incrível que pareça, nos recebeu assim: que isso! podem entrar, não tem nenhum problema. A casa é de vocês.

O problema é que os três primeiros (Jorge Black, Valdileno e eu, nessa ordem) já estavam bem de frente a porta, no meio do caminho, e de frente a dona da casa! Não tinha mais como esconder que estava a entrar sem ser convidado e foram justamente esses três que tiveram que aceitar desavergonhosamente o convite de última hora! Os outros cinco fizeram que nada escutaram e saíram de fininho!

Resolvido o impasse do flagrante, continuamos nossa aventura. Quando chegamos no quintal, local da festa propriamente dita, todos os convidados estavam sentados em mesas, estrategicamente colocadas ao redor da piscina, deixando uma espécie de corredor entre as mesas e a piscina.

Estranhamente nenhum dos convidados nos viu, nenhum deles nos dirigiu a palavra.Embora todos nos conheciam e todos sabiam que estávamos ali com convites de última hora. Nem os garços fizeram qualquer movimento que identificasse nossa presença (éramos praticamente invisíveis). Foi que cochichamos e combinamos: vamos dar a volta na piscina como se nada tivesse acontecendo e vamos sair de fininho? E lá fomos nós!!

O problema é que entre a porta de saída da casa, ao lado oposto da porta que dava acesso ao corredor, era justamente onde o conjunto musical estava postado e justamente quando nos dirigíamos a saída, os músicos começaram a tocar!!! E agora? De novo, novos cochichos e nova estratégia para sair invisível (sem ser notado): vamos voltar pelo mesmo caminho como se não nada tivesse acontecido, ninguém vai nos ver mesmo! Só que alguns convidados começaram a dançar no corredor, entre as mesas e a piscina. Então tivermos de fazer o trajeto se afastando da piscina e se aproximando da porta da garagem.

Tudo corria conforme o planejado, mas quando já estávamos na metade do percurso, bem de frente a porta da garagem, de repente, alguém segura o meu braço, o de Jorge e deixa Valdileno no meio sem poder se mover e o sujeito grita: ATÉ QUE ENFIM! GENTE QUE NEM EU! Todos os convidados olharam para o ocorrido. Nós já estávamos conseguindo sair, como os seres invisíveis, e ocorreu essa surpresa!! Olhei para o lado, Tonho, era meu vizinho de vendas na feira (vendia roupas). Pra tentar minimizar o ocorrido, cheguei no ouvido de tonho e falei: toooooonho, que iiiisso? Nos estamos saindo de fininho e não fomos convidados. Foi pior, foi aí que o Tonho gritou mais alto ainda: QUEM DISSE QUE VOCÊS NÃO FORAM CONVIDADOS? EU CONVIDEI ! Como o trio invisível, ou quase, não se deu por satisfeito, questionamos bem baixinho: oh, você é o dono ... da festa? Que de supetão, ele respondeu: não, mas sou o irmão do dono da casa e vocês são meus convidados, como vocês são os únicos aqui que tenho amizade, são meus convidados e vão ficar no melhor lugar da festa. Nos puxou, pelo braço, para a garagem, lá estavam vários toneis cheios de cerveja e todas condicionadas com gelo e pó de serra. No fundo da garagem vários fornos com churrasqueiros trabalhando.

Quando conseguimos respirar e aliviar do susto, já tomando uma loira bem gelada, eu questionei de novo: você é o irmão do dono da festa, mas o dono da festa é rico e tu vende(s) roupa, comigo, lá na feira? Ele respondeu: sou o primo pobre (irmão) da família e pobre quando vai para festa de irmão rico, só vai para dar uma de garçom!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)


 Texto replicado : OS CEBOLAS

sábado, 12 de outubro de 2013

Minha infância

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

OS CEBOLAS NA PISCINA DA SERRA

Tudo tem sua fase de áurea e modismo. Durante a minha adolescência não foi diferente! Nesta época pegou a febre de se construir piscina! Era a maneira de mostrar o status e se dizer na onda!.

As pessoas as vezes viajavam dezenas de quilômetros para irem curtir essas piscinas coletivas, geralmente em locais turísticos, e tinha os que tinham poder aquisitivo que construíam suas próprias piscinas (dava mais status). Na época um luxo para poucos curtirem, mesmo nas piscinas coletivas. Entre essas piscinas coletivas, a mais conhecida ficava na Cidade de Salgado (SE). Mas falaremos da famosa Piscina da Serra (Itabaiana-SE) no final da década de 70 e início da década de 80 do século XX.

A piscina
Na realidade um reservatório de água para irrigação em uma propriedade para produção de hortaliças! A água que abastecia essa piscina, de primeiríssima qualidade, saia de um olho dágua (minador) dentro das rochas, descia por uma bica, caia dentro da piscina, depois sai por uma outra bica, pelo outro lado e descia irrigando toda a propriedade. Um perfeito projeto de irrigação onde a água se deslocava pela força da gravidade.

A piscina, na realidade uma caixa d'água de cimento, media aproximadamente cinco metros por cinco, era revestida por tinta de cor azul, o que tornava as paredes de cimento impermeáveis.

O itinerário
Para se chegar até a chamada Piscina da Serra, tínhamos várias opções: a) pela estrada do Povoado Lagamar; b) a estrada que passava pela Fazenda Grande (muitos chamava Campo do Governo); c) ir pela BR-235 e depois entrava a esquerda em uma estrada de barro batido.
Em todas essas opções tinha de se passar pelo Povoado Serra, logo depois se passava por uma curva fechada, depois uma pequena ponte de madeira e depois era só subida por uma estrada piçarrada.

A ideia do banho
Certa vez em conversa, com um grupo de colegas adolescente, tivemos a ideia de ir de bicicleta até referida piscina. Segundo alguns dos presentes era uma maravilha de banho. Lá se vai uns vinte adolescentes, todos de bicicleta, em direção a serra, aproveitar o que seria a maravilha de qualidade em termo de banho. Diziam, alguns componentes do grupo, que era um banho de água mineral!

A primeira visita
A ideia surgiu durante a semana, em uma tarde de quarta-feira, quando estava eu e alguns colegas batendo uma pelada (jogando bola) no “Campinho do Baltasar”, quando se comentou da maravilha do banho na piscina da serra e uns dos indivíduos levantou a questão: se não “queríamos” (gostaríamos de) ir tomar banho na Piscina da Serra? Discussão vai e discussão vem, resolvemos ir ao referido banho. Fomos todos de bicicleta e seguimos a viagem pela estrada do Povoado Lagamar.

Durante o percusso foi logo avisado que a piscina era funda (tinha três metros de profundidade) e aqueles que não soubessem nadar não seria aconselhável pular dentro da mesma. Entre os participantes do grupo tinha um que era carioca (estava de férias na cidade) e se chamava Paulo. Ao chegarmos ao nosso destino, esse Paulo vendo a piscina com uma água cristalina, nem sequer ficou de roupa de banho, pulou na água com toda a roupa, gritando: olha só essa piscina é rasa! O problema é que ele não sabia nadar e descobriu que água cristalina funciona como uma lente de aumento e dá a impressão que a folha d'água é menor que a realidade.

Eu e mais um colega tivemos que pular para prestar socorro e não tivemos tempo de ficar de roupa de banho! Não precisa dizer que, o trio ternura, foram os únicos a voltar pra casa com toda a roupa molhada.

A Segunda visita
Mesmo antes do retorno da primeira visita fomos logo marcando uma segunda visita, só que desta feita resolvemos ir no domingo pela manhã. Nesta segunda visita, o número de componentes aumentou e o itinerário foi mudado. Resolvemos ir pela estrada da chamada Fazenda Grande, que chegando próximo ao Povoado Bom Jardim tinha um entroncamento, entramos a direita em direção ao Povoado Serra.

O Fato inusitado ocorrido nesta segunda viagem ocorreu no retorno. Como todos íamos de bicicleta e na volta era descida (na realidade estávamos descendo da Serra), tinha um desses ciclistas (de apelido Vavau) que a bicicleta não tinha freios. Quando nos aproximávamos da ponte próximo ao Povoado Serra (lembrar que logo depois da ponte tinha uma curva fechada), o Vavau gritou: nenem (era meu apelido) não pare na ponte viu? Como só escutei somente o meu apelido, eu resolvi parar para perguntar o que ele estava dizendo e parei justamente na ponte!

Lembrar que a bicicleta do Vavau não tinha freios, frenava com o tênis (um Conga) e não podia frenar de vez, ele teve de passar na ponte pelo meu lado e na curva, com a bicicleta em alta velocidade, certamente derraparia! O mesmo pulou da bicicleta e ficou segurando a mesma pelo guidom. Só que ele foi deslizando com o tênis na piçarra e ainda entrou no valado se arranhando um pouco na macambira! Ainda hoje ele reclama pelo fato que eu parei justamente em cima da ponte! Certamente se tivesse ficado calado eu teria passado acompanhando os demais!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

OS PÁSSAROS SOLTOS E A ESTUPIDEZ DE UM CEBOLA!


Cabeça, Cabeça Vermelha
ou Galo de Campina
Até os doze anos de idade criava vários pássaros, entre eles: caboquinho , dois bigodes, dois cabeça, um sofrê, um azulão, um chupacapim

Entre esses pássaros, o que mais gostava era um dos caboquinho, simplesmente por que ele saia da gaiola e vinha comer na minha mão e estranhamente, depois de se alimentar, voltava para a gaiola, tanto é que depois de um certo tempo passei a não mais fechar a gaiola.

Um dos cabeças e o bigode eram os que mais incomodavam os vizinhos. Cantavam até durante a noite! Já o sofrer nunca cantou durante o tempo em que ficou prisioneiro! Embora o mesmo nunca tenha cometido algum crime!

Eu falei que o sofrer nunca cantou durante o tempo que ficou preso, por que algum tempo depois, vendo uma senhora, que morava próximo, criando alguns pássaros soltos, me convenci que era melhor soltar a todos e foi o que fiz.

O Sofrê constumava imitar os cantos de outros pássaros.
Alguns eram treinados para cantar o Hino Nacional do Brasil.
No dia em que soltei todos eles, eles  sumiram! Para minha surpresa, no dia seguinte todos estavam de volta, uns dentro das gaiolas, outros pousados sobre a mesa da cozinha e outros pousados na goiabeira (um dos cabeças e o sofrer) que ficava no quintal.

Mas a surpresa maior não foi essa e sim que os mesmos estavam cantarolando mais do que nunca! O sofrer (esse não voltou para a gaiola), agora acompanhado de uma fêmea, e um dos cabeça cantavam bem mais que os outros pássaros (eles não cantavam quando prisioneiros) e o mais interessante é que o sofrer imitava o canto dos ex- colegas de moradia.

O Sofrê é uma das espécies ameaçada de extinção!
Pertence a família dos pássaros pretos e das pêgas.
Mesmo depois de soltar a todos e como todos sempre retornavam pela manhã, eu sempre deixava as gaiolas com alimentos para que os mesmos se alimentassem quando retornavam pela manhã.

Só que a ganância do ser humano não tem precedentes! Apareceu um desses criadores tentando capturar o cabeça e também o sofrer!. Alegava que pássaros soltos não tinham donos! Na realidade, os pássaros não mais me pertenciam, eram seres livres.

Só que por ironia do destino, ele nunca conseguiu capturar nenhum dos pássaros e então o sujeito matou o cabeça e dias depois o sofrer! Depois de matar cada um dos pássaros, o sujeito soltou a seguinte frase: se não for meu não será de ninguém!!!!!

Depois desse episódio, nenhum dos pássaros voltou para o quintal da minha casa e não mais os vi pela redondeza!

Antigamente os Cabeças Vermelhas viviam em bando a faziam arribação
igualmente as chamadas rolinhas.
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

AS FEIRAS E OS CEBOLAS

Na cidade Itabaiana(SE), onde nasci, grande parte da população eram, e ainda são, feirantes . Só que os feirantes da minha terra tinham e tem o hábito de venderem não somente na feira da cidade onde residem (uma na quarta-feira e outra no sábado), mas nas cidades próximas, inclusive na capital do Estado (Aracaju) e praticamente ficam ocupados todos os dias da semanas com essa atividade. É o ganha pão de milhares de pessoas.

Feiras Frequentadas
Entre as feiras mais importantes e mais frequentadas, que os  ceboleiros,  no Estado de Sergipe, costumam frequentar, nessas andanças comerciais, podemos citar: Itabaiana (a maior do Estado) realizadas as quartas e quintas-feiras, Carira é realizada todas as segundas-feiras, Areia Branca é realizadas todos os domingos, Nossa Senhora da Glória é realizada todos os sábados e Aracaju (feiras realizadas nos bairros durante vários dias da semana), etc. Eu frequentava três dessas feiras, mas entre todas essas feiras, que eu frequentava, a que considerei mais interessante, diferente de todas, foi a feira da Cidade de Carira.
Final de feira no meio da semana  (uma quarta-feira).
Década de 70 do século XX.
Foto conseguida no grupo Facebook Itabaiana Grande

A feira da Cidade de Carira(SE)
A feira ficava na praça da matriz e essa característica era e é um caso raro no Estado. Interessante que antigamente, mais de cem anos atrás, a feira de Itabaiana era realizada na Praça da Matriz e hoje não existe sequer vestígio da atividade e no no passado existia até um mercado (Mercado dos Pebas) na referida praça.

Mercado do Pebas, Praça Matriz de Itabaiana.
Segunda década século XX.
Foto conseguida no grupo Facebook Itabaiana Grande
Na década de 70/80 do século vinte, acredito que praticamante 30% dos vendedores desta feira eram provenientes de Itabaiana e os clientes eram em sua grande parte vindo dos municípios da Bahia que fazem fronteira com Sergipe: Coronel João Sá, Paripiranga, Jeremoabo e Serra Negra.
Foto de autor desconhecido. Tirada antes da década de 60.
No final da década de 60 já existia calçamento a paralelepípedo
no entorno da feira, mas onde ficava as barracas ainda era de terra.
Transportes utilizados
Geralmente eu utilizava a Marinete (ônibus) que pertencia ao um senhor chamado de Cosme. Eu achava interessante que esse motorista residia em Ribeirópolis(SE), ia até Itabaiana, pegava os passageiros e depois seguia viagem para Carira. Muitas das poltronas eram reservadas aos passageiros cativos. As vezes eu perdia o horário e seguia viagem de Pau-de-Arara ou em uma das marinetes da Viação Senhor Bomfim, mas o meio de transporte mais utilizado, pelos feirantes e clientes, era o Pau-de-arara.
Transporte mais utilizado na década de 70 e 80 do século XX.
Eram utilizados pelos feirantes e respectivos clientes.
As chamadas marinetes da década de 70-século XX

Itinerário
A viagem tinha inicio na praça Santa Cruz (apelidada de Praça dos Táxis) em Itabaiana, entrava pela rua São Paulo, subia pela Avenida Ontonieo Dórea, passava em frente ao Posto, depois seguia por uma estrada de barro batido, passava em frente ao antigo matadouro, depois pegava a BR-235, passava pela cidade de Frei Paulo e seguia viagem até chegar a cidade de Carira. Chamar a atenção em relação a BR-235, que na época só era asfaltada até o povoado Terra Dura, em Itabaiana, sendo todo o restante, até entrar no Estado da Bahia, de estrada de terra (estrada de barro batido).
Inauguração do matadouro de Itabaiana em 1940
Foto conseguida no grupo Facebook Itabaiana Grande
Início da viagem
Todas as segundas-feiras, sempre em torno das seis da manhã, os feirantes estavam sempre presentes para a referida viagem, mas nem todos os passageiros eram feirantes e muita gente aproveitava a existência desse transporte alternativo em decorrência da pouca oferta das marinetes por parte da empresa Viação Senhor do Bomfim.

Era normal os passageiros chegarem muito antes do transporte e nesse tempo de espera sempre ocorria um fato interessante: tinha um senhor que passava sempre embriagado, cumprimentava a todos (mais educado do que muitos dos meus alunos) e sempre tocando o seu habitual pífano, embora fosse chamado de Lauzinho da Gaita!! Esse senhor tocava o pífano com muita habilidade e o mais interessante é que as vezes soprava com a boca e as vezes soprava com o nariz!!!

A penitência
Durante a viagem tinha dois locais que sempre deixaram suas marcas inesquecíveis. Uma delas era quando se passava em frente ao antigo matadouro de Itabaiana (hoje não existe mais) e a outra era quando se aproximava, subindo a ladeira, da entrada de Frei Paulo, passando em frente ao antigo alambique (hoje desativado) . Nesses dois locais o malcheiro inalado era sufocante. Interessante que os moradores das proximidades diziam que não existia o tal mal cheiro e que não o sentiam!

O bota pra lá
Era comum nesta viagens, de pau-de-arara, aparecer um ou outro passageiro que gostava de ficar gritando com o motorista: bota pra lá, bota pra lá. Claro, a ideia da pessoa era influenciar o motorista a correr mais. Geralmente os motoristas não corriam e não davam a menor importância para essas pessoas. Só que em uma ocasião, um desses motoristas resolveu dá o troco. O sujeito ficava bota pra lá, bota pra lá. Em uma dessas paradas, viagem para Carira, próximo a Cidade de Frei Paulo, na hora do motorista retornar ao normal da viagem, ele simplesmente começou a andar de ré! Foi quando as pessoas acharam estranho e começara a perguntar: o que houve? De prontidão o motorista respondeu: como agora estou indo de ré, manda o sujeito aí ficar gritando bota pra lá? Não precisa dizer que o pessoal caiu de gozação com o sujeito que estava perturbando.


O serviço de alto-falantes
Em duas destas feiras existiam serviços de alto-falantes (eles se diziam rádios), que eram: feira de Itabaiana e a feira de Carira. Na feira de Itabaiana o serviço era pertencente a prefeitura e em Carira o serviço pertencia a particulares.

Em Itabaiana, os autos falantes eram posicionados um nos dos cantos da feita (um no teto de um dos Mercados de Carne Verde) e o outro, alto-falante, ficava no canto oposto da feira em cima de uma das lojas. Em Carira o serviço de alto-falantes ficava em um bar na parte da pedra de feira e era um serviço pra lá de chato. O responsável de apresentar as notícias e fazer a propaganda tinha uma fala pra lá de chata que até os amigos passavam tirando graça do mesmo. Em Carira ainda tinha a particularidade que o serviço só começava depois de encerrada a missa da manhã, geralmente as noves horas.

Certa vez, na feira de Itabaiana, aconteceu um caso pra la de inusitado,o apresentador para a música e saiu com a seguinte notícia: senhoras e senhores daqui alguns instantes iremos divulgar a relação dos devedores da Lojas Guanabara do Eliseu Oliveira, o Arrojado. Em questão de cinco minutos a feira estava vazia!!! É que os devedores saíram correndo para quitar a dívida, evitando assim que o nome fosse divulgado em público como um mal devedor.


A Corrente - Fiscalização Estadual
No itinerário era obrigatório os carros de cargas pararem no Posto Fiscal (na época chamada corrente). Os carros eram revistado e era exigido as Notas Fiscais das mercadorias. Essas exigências não eram rígida em relação aos feirantes. Só que ouve um período que os fiscais passaram a exigir notas fiscais dos feirantes e das pessoas que iam fazer feiras!

A exigência era tão grande que até uma dúzia de ovos de posse dos passageiros ou feirantes já era motivo de se impor uma multa. Só que nem todos concordavam com essa prática e em uma dessas ocasiões, em se querer multar, uma das passageira que portava duas dúzias de ovos de galinhas acabou em confusão e tentativa de prisão da portadora. A donas dos ovos se negou a pagar impostos, sobre ovos, e na impossibilidade de levá-los para vender na feira, quebrou todos eles, inclusive atirou alguns no fiscal. A alegação dos fiscais era apreensão de mercadoria contrabandeadas e a dona dos ovos gritava que as galinhas esqueceram da dá (emitirem) as Notas Fiscais!

Neta mesma ocasião ocorreu mais uma confusão, mas não com as mercadorias que estavam sendo transportadas para venda ou compra nas feiras. Nesta mesma hora, alguns vaqueiros da região estavam tangendo (levando) o gado de uma fazenda da cidade de Frei Paulo para uma fazenda na Cidade de Itabaiana e cujo proprietários do gado era também proprietários das duas fazendas. Chamar a atenção, naquela época, no período das secas, era comum os fazendeiros transportarem o gado das fazendas localizadas nas regiões de seca para fazendas em condições de alimentar o gado.

Os ficais da corrente (posto fiscal) resolveram parar o gado e exigiram Nota Fiscal do gado ou teriam que pagar multa! Quando o capataz tentou explicar o motivo do transporte do gado foi impedido pelo fiscal que respondeu gritando que sem a Nota Fiscal o gado não passaria e tentou fazer o gado recuar dando pauladas em uma das vacas, que pra azar do fiscal, estava parida! O capataz do gado fez o fiscal se afastar do gado empurrando ele com o cavalo e apontou com e dedo pra ele dizendo: vou passar o gado para a fazenda em Itabaiana como me foi mandado e se a vaca perder o bezerro eu volto aqui e faço você pagar a vaca e a novilha. Olhou para os outros vaqueiros e gritou mandando levar o gado.

Na ocasião tinha dois soldados militares, mas não se intrometeram no ocorrido, até por que poderiam provocar uma pequena guerra e sem falar no fato que o proprietário do gado e das fazendas era de conhecimento de todos e o problema foi resolvido posteriormente.

No dia seguinte, as rádios da capital noticiava o acontecido e os fiscais foram orientados para usar o bom senso, inclusive passaram a orientar os fazendeiros irem no fisco pedirem permissão para o transporte do gado de uma fazendo para outra localizadas em cidades diferentes.


A metamorfose
Durante essa viagens, de pau-de-arara, para a Feira de Carira, passava por uma metamorfose fantástica: eu saia de casa, iniciava a viagem, como “cara pálida” e voltava, retornava da viagem, como um “pele vermelha”. O mais interessante é que, nessa metamorfose, não era só a pele que mudava de cor, mas a pele, o cabelo, a roupa e o tênis! Lembrar que nessa época a estrada só era asfaltada até o povoado de Terra Dura, em Itabaiana, e a praça da feira em Carira não era pavimentada.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

domingo, 18 de agosto de 2013

A MÁQUINA DE DESAMASSAR CHEQUES

Quando conseguir meu primeiro emprego, aos 22 anos de idade, foi em um banco estadual. Trabalhava fazendo um serviço burocrático, repetitivo e estressante. Mas, aos funcionários novatos, os chamados calouros, eram pregadas peças que de uma certa maneira deixava o ambiente descontraído.

Comecei trabalhando no Setor de Aplicação Financeira e depois fui transferido para o Setor de Compensação de Cheques e foi justamente nesses setores que presenciei uma dessas brincadeiras. Era comum quando se chegava algum funcionário novo se deixar, a cargo do mesmo, a entrega de documentos e entre os setores.

Em várias situações presenciei quando o chefe pegava um pacote enorme e muito pesado e mandava algum desses funcionários entregar o pacote no Setor de Compensação e me lembro perfeitamente da ordem: essa é uma máquina nova de desamassar cheques, vá lá no Setor de Compensação entregar?

Só que, com a informatização, o Setor de Aplicação teve de redistribuir muitos dos funcionários e eu fui parar no Setor de Compensação e foi que descobrir o que era na realidade essa Máquina de Desamassar Cheques. Na realidade era uma pegadinha combinada entre os chefes do setores, quando o chefe do Setor de Compensação desenrolava o pacote, não deixava o entregador ver o conteúdo, somente os demais funcionários e que se via que eram quatro tijolos enormes. O chefe desembrulhava, olhava e depois embrulhava de novo e mandava que fosse levada de volta alegando que a mesma tinha vindo faltando peças!!!

Essa pegadinha durou um certo tempo até que um dos novos funcionários, recém chegado, foi mandado, até o Setor Financeiro, pegar a Máquina de Desamassar Cheques. O mesmo não pestanejou, se levantou e foi cumprir a ordem. Quando voltou com o embrulhou, o chefe olhou e mandou que a levasse de volta alegando que a mesma não tinha sido concertada, O funcionário respondeu que a levaria no dia seguinte por está no final do expediente.


No dia seguinte, o chefe chegou um pouco atrasado, os funcionários tudo se acabando de gargalhadas, que ele perguntou qual era a graça? Foi que o novo funcionário respondeu: é que eu trouxe uma máquina nova pra desamassar os cheques. O mesmo tinha levado um Ferro de Passar Roupas e estava ele a desamassar os cheques.

Foi então que o chefe descobriu como era conhecido o novo funcionário: Paulo Doido!!!!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os cebolas, as lendas e os mitos VII

Lampião nunca esteve aqui!

Desde criança sempre ouvi dizer que os cangaceiros, principalmente do grupo de Lampião, nunca estiveram ou entraram na atual Cidade de Itabaiana(SE). Segundo os moradores, principalmente os mais velhos, toda vez que o grupo de Lampião tentava entrar na cidade, o padroeiro Santo Antônio, os impedia de entrarem na área urbana. Isso era dito nas escolas, nas igrejas e pelos moradores em geral.


Embora, quanto tocava nesse assunto com o meu paí, ele sempre começava a rir. Até que um dia ele respondeu: os cangaceiros sempre estiveram aqui, só que eles não avisavam e os que tinham amizade com eles não queriam que outras pessoas soubessem. Não esqueça, se os volantes (polícia da época) soubessem, eles prenderiam os amigos destes cangaceiros como couteiros (pessoas que eram consideradas amigos e davam apoio ao cangaço). Eu ainda questione: “e como as pessoas dizem que nunca viram eles por aqui?” Meu pai começou a rir e explicou: “eles vinham fazer feira, só que não vinham vestidos de cangaceiros, eles trocavam de roupas nas fazendas por perto (dos coiteiros) ou acampavam em algum povoado. É bem provável que esses amigos dos cangaceiros forneciam armas e munição”. Na época, não dei muita importância a explicação do meu pai.

Só que atualmente, começaram a aparecerem fotografias que colocam em dúvidas as afirmações das pessoas, em que afirmam que os cangaceiros nunca estiveram na cidade de Itabaiana. As primeiras fotografias, comprometedoras, começaram aparecer no grupo virtual (Internet) ITABAIANA GRANDE (facebook). Nas fotos ficou comprovado o envolvimento de pessoas com o grupo de Lampião, afinal de contas, os cangaceiros só se deixavam ser fotografados por pessoas que tinham confiança. Só que nesse caso, apenas informar que, mesmo que algumas pessoas tinham algum grau de envolvimento com os cangaceiros, não comprova que eles tenham entrado na cidade.
Eltevino Mendonça recebendo cangaceiros na fazenda no então
povoado Pinhão -  Itabaiana(SE) - Foto de Joãozinho Retratista

Só que apareceu a foto ao abaixo onde o grupo de cangaceiros acamparam na Praça Principal da Cidade. Ao fundo é possível ver o Mercado dos Pebas (foi demolido). E agora, o mito de que os cangaceiros, até mesmo o grupo de Lampião, chegaram a entrar ou não, na cidade de Itabaiana?

Foto com autor desconhecido.

Fotos cedidas por Robério Santos - Administrador do Grupo Itabaiana Grande (Facebook)

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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Os Cebolas as Lendas e os mitos IV- A cidade poderia se acabar debaixo dágua!
Os Cebolas as Lendas e os mitos V - O Mito do Pesadelo
Os Cebolas as Lendas e os mitos VI - Ganhando uma Botija
Os Cebolas as Lendas e os mitos VII -Lampião nunca esteve aqui!
Os Cebolas, as Lendas e os mitos VIII - A lenda dos raios e das pedras arredondadas

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O CEBOLA E O TROVÃO

É comum acidentes quando se trabalha produzindo fogos de artifícios, isso devido de ter de se trabalhar com pólvora, um produto altamente instável. E nesses trabalhos, com pólvora, é comum ocorrerem acidentes. Quando era criança,morava em Itabaiana(SE), presenciei a ocorrência de um desses acidentes.

Nesta época, em Itabaiana(SE), existiam três produtores dos chamados fogos de artifícios (as pessoas da região chamavam fogos de São João), pelo menos é o que tenho lembranças. Os produtores eram: o Sr. Valter, residia no povoado São Luiz bem próximo a igreja que emprestou o nome ao povoado; Sr. Josias Fogueteiro, que residia na Rua do Cacete Armado; e Sr. Carlos de Rosinha, que residia na Rua do Ouvidor. Todos eles mantinham a produção dentro das próprias residências e o maior produtor era Josias Fogueteiro.

Os três produtores eram conhecidos entre eles, costumavam trocar informações e orientações de como se trabalhar com segurança esses produtos. O Sr. Carlos de Rosinha sempre chamou a atenção dos outros dois em relação aos cuidados ao se trabalhar com pólvoras, mas sempre tinha negativas em relação as orientações de segurança.

O Sr. Valter costumava usar a esposa como mão de obra para o fabrico das chamadas chuvinhas. Essas chuvinhas para serem produzidas é necessário que se soque a pólvora em um canudo de papelão e isso requer um certo cuidado (altamente perigoso!). Mas, apesar das advertências, a falta dos cuidados preventivos levou a um acidente onde deixou sequelas pelo resto da vida, na esposa do Sr. Valter, devido as diversas queimaduras.

O segundo produtor, apesar das advertências (eu presenciei algumas) em relação de se trabalhar com explosivos (usado para produção de foguetes de varas, bombas e os famosos peido de velho), o mesmo nunca chegou a levar a sério a possibilidade da ocorrência de um acidente.

Infelizmente, o pior veio a acontecer! Uma certa noite, quando jogava baralho, em minha casa, jogo de burro (o único que sabia jogar na época) e era em torno de oito horas da noite, quando de repente se ouve um grande estrondo e as janelas da casa ficaram trepidando (vibrando) por alguns segundos. Meu pai que costumava assistir a hora do Brasil, sentado em uma cadeira de Balanço, se levantou assustado e foi logo falando: isso é uma explosão e deve ter sido na casa de Josias! Corremos para a porta da casa e olhando em direção ao campo de futebol (Estádio Presidente Médici), via-se no céu uma grande bola de fumaça.

Eu e alguns garotos, todos da vizinhança, saímos correndo para ver do que se tratava. Não deu outra, na casa do Sr. Josias! Alias, não existia mais a casa, praticamente todo o quarteirão foi abaixo com a explosão de aproximadamente 15 quilos de dinamite que estavam guardados em uma lata!!!

Quando vi toda aquela destruição, fiquei assustado! Muitas pessoas conversando, outras gritando, muitas chorando e outras mexendo nos entulhos procurando por outras pessoas. A conversa maior era em relação ao garoto que tinha morrido no local. Infelizmente tive o desprazer de ver um senhor passar como o garoto nos braços, todo ensaguentado. Várias pessoas perderam as casas, móveis, todos os documentos e ocorreram dezenas de feridos. Nunca me esqueci tal acidente e a a destruição provocada pelo mesmo!.

Algum tempo depois, mais ou menos um ano, em uma tarde de sábado, minha mãe, na feira, me manda ir para casa levar as compras. Neste sábado, estranhamente o dia começou a ficar escuro muito mais cedo do que estava acostumado a ver. Pois bem, peguei a sacola com a feira e la se foi eu para casa, saindo da feira, cruzei a esquina onde ficava a Loja do Sr. Frefi e entrando pela Rua das Flores. Ao mesmo tempo que o dia escurecia rápido, a temperatura também subia. Nunca tinha visto o dia escurecer tão cedo!!!

Na metade do caminho para casa, já em frente a casa do Seu Crispim, o céu é iluminado por um relâmpago gigante, até aí não estranhei, só que depois do imenso relâmpago, veio um trovão que chegou a fazer as janelas das casas trepidarem (vibrarem), igualmente a explosão no dia do acidente! Já tinha ouvido e visto relâmpagos antes, mas não com tanta intensidade!

Do susto que tomei, dei um pulo e fui parar dentro da casa do Seu Crispim! Eu fiquei na porta com o corpo para dentro da casa, olhando para rua para um lado e para o outro! Tinha uma moça na janela observando o que eu estava fazendo. A moça que estava na janela ficou impaciente e passou a perguntar, repetindo várias vezes, o que eu queira e eu sem responder, ainda assustado, continuava olhando a rua para um lado e para o outro. A moça gritou:mãe o que esse menino está fazendo aqui na porta? Quando uma voz gritou do fundo da casa: ele deve ficado com medo trovão!

Depois que a voz gritou, a garota impaciente ficou mais calma e passou a me explicar que tinha sido apenas um trovão, que eu questionei: e que trovão é esse que fez as janelas balançarem?

Mesmo duvidando das explicações, me pus de volta ao caminho da casa. Claro! Com um olho no céu e outro na terra!
Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena: Geografia (UFS)
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O LOBISOMEM PERITO EM ARTES MARCIAIS

Quando era criança era comum os adultos contarem essas histórias sobre lobisomens e assombrações, apenas para fazer medo aos mais novos. Devido a esse tipo de atitude, algumas pessoas aproveitavam para pregar algumas peças.

As mais comuns era se pregar peças com as chamadas assombrações ou visagens.

Em uma dessas situações aque me chamou atenção foi o que contou um senhor aposentado. Esse senhor me contou que na adolescência morava em sítio e estudava a noite na cidade. Fazia o caminho de ida e volta todas as noites.

O caminho da cidade para a casa dele dava em uma encruzilhada chamada três cancelas (Povoado Terra Dura - Itabaiana(SE). As aulas começavam as 19:00hs e iam até as 22:30hs.

Como precaução ele sempre levava uma faca peixeira.

Em uma dessas noites ele passou na casa de uma irmã que, ao se casar, foi morar na cidade. Por coincidência a irmã pediu que ele entregasse uma faca peixeira nova a mãe que a mesma tinha pedido que ela a comprasse.

Isso quer dizer que ele foi para casa armado com duas peixeiras. Ele prendeu uma peixeira no cinto pela parte da frente e a outra ele prendeu no cinto na parte das costas.

Neste dia, quando se aproximava destas cancelas, em torno 12:00 horas da noite, detrás de uma moita saiu um vulto peludo, alto e foi na direção dele grunhindo.

Ele não pensou duas vezes, puxou uma das facas peixeira.

Foi aí que ele descobriu que o lobisomem era perito em artes maciais. O suposto lobisomem pulou e com um chute tirou a faca da mão dele e com a outra perna deu um chute frontal que ele caiu de braços abertos.

Quando ele tentou recuperar a posse da faca, o suposto lobisomem pisou na mão dele, foi que ele com a outra mão puxou a faca que se encontrava escondida nas costas e penetrou a faca na parte traseira da cocha do suposto lobisomem. A surpresa da segunda faca, escondida atrás das costas, foi quem salvou a pele dele!!!

O suposto lobisomem saiu aos berros por dentro do mato. O senhor se levantou pegou a outra faca e saiu cambaleando com o nariz sangrando. Quando chegou em casa, a mãe se assustou, já que ele estava sangrando pelo nariz devido a chute que levou e narrou o fato do que tinha ocorrido para a a mãe..

Quando amanheceu, ele já com o sangramento o nariz estancado, pegou o cavalo, com mais três irmão, saiu pelas casas da região e não encontrou ninguém com problemas.

Só que outros causos semelhantes (exceto pelo ocorrido da surpresa da faca) começaram a ocorrer no ano seguinte, só que em um povoado próximo. Os casos passaram a ocorrem no caminho do Batula e Lagamar (Itabaiana-SE) em um local próximo as olarias. Quando as pessoas saiam da rua e entrava na estrada que ia para esses povoados, nesta época, onde existia um local onde tinha duas quixabeiras, uma em cada lado da estrada.

Esse senhor já estava morando na cidade e costumava ficar até certas horas da noite no bar de final de rua (bar do Augusto) que era a entrada para a estrada que estava ocorrendo fatos semelhantes ao experimentado.

Num desses dias, um outro senhor que já tinha apanhado desse suposto lobisomem, se aprontava para ir para a casa. Quando o senhor lembrou ele do lobisomem e era bom está preparando. Foi quando esse senhor, de nome João, puxou uma arma e disse: hoje eu mato esse lobisomem ou seja lá o que diabo for.

Só que esse outro homem fez uma coisa semelhante ao fato ocorrido anteriormente. Colocou a arma na cintura na parte da frente e sem que ninguém percebesse ele estava levando uma faca presa no cinto pelas costas e não avisou a ninguém de tal posse.

Pois bem, não se passou uma hora que ele tinha saído! O senhor voltou sangrando e contou a história de maneira semelhante ao fato narrado anteriormente: o lobisomem o cercou de surpresa, no lugar das quixabeiras, quando ele tentou puxar o revolver, o suposto lobisomem pulou e com um chute desarmou ele e com a outra perna derrubou ele com um chute, só que esse nem tentou pegar a arma de volta, já foi puxando a faca e conseguiu esfaquear o lobisomem no meio cocha na parte da frente. O bicho gritou e saiu em disparada pelo mato.

Desta vez não esperaram amanhecer o dia para procurar o suposto lobisomem. Se juntaram os homens presentes no bar e saíram de cavalo e bicicleta e passaram de casa em casa nas redondezas e quando se aproximava o amanhecer, foi que chegaram na casa de um sujeito tido como maluco e perguntaram por ele. A esposa disse que ele tinha saído no inicio da noite e até aquele momento não tinha voltado para casa.

Quinze dias depois, o sujeito tido como maluco, volta e como costumava andar de bermudas se notou a cicatriz bem no meio da cocha. Foi que vários homens se juntaram e colocaram ele na parede e foi que ele confessou que costumava fazer essas brincadeiras.

Pouco tempo depois o sujeito foi internado como maluco.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)
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terça-feira, 30 de julho de 2013

A FACHIADA DOS CEBOLAS

O que é uma fachiada?
É uma caçada noturna aos pássaros. A presa principal era a rolinha (Pomba de Arribação). Mas, se caçava qualquer pássaro ou mesmo pequenos animais.

INDUMENTÁRIA

A roupa : era comum se usar calaças compridas (devidos aos mosquitos) e se calçava calçados fechados (bota ou tênis).

A arma : tinha vários nomes, isso dependendo de qual região você se encontrava. Entre os nomes podemos citar: baleadeira, baldoque ou estilingue.

A munição: poderia ser pequenas pedras em forma arredondada e tinha alguns caçadores que faziam bolas de barros especialmente para essas caçadas. Para o transporte da munição era utilizado uma bolsa chamada “capanga” que era pendurada no ombro contrário que a mesma ficava.

Para enxergar a noite era utilizado um candeeiro amarrado em um chapéu de palha.

O que é um candeeiro?
Uma espécie de lamparina que geralmente era feita de material reciclado de lata (frande). Tinha um bico que era inserido um cordão de algodão, dentro de recipiente era colocado querosene (na época as pessoas chamavam o querosene de gás!!!)



AMBIENTE DO EPISÓDIO

O ambiente de fachiada eram chamado de pastos e eram separados das malhadas (roça) por cercas de arame farpado que eram muitos comuns nos povoados Batula e Lagamar (Itabaiana-SE). Muitas dessas cercas tinham plantadas, na parte que ficava embaixo dos arames, os famosos pés de Macambira e possuíam três fios de arame farpados amarrados entre uma estaca e outra. As cercas com pés de Macambiras eram comumente chamadas de “Valados”.

O CAUSO

Vou falar de uma fachiada especial e os participantes também pessoas especiais. Uma turma de garotos com idade de 11 a 13 anos de idade!!!

Entre esses garotos tinha um que era especial. Era filho de um dos moradores recém chegados de São Paulo. Embora fosse filho de nordestinos ( os pais eram de Itabaiana-SE), ele era paulista de nascimento e pelas colocações também era paulista de coração.

O sujeito vangloriava tudo que era de São Paulo, tendo como partida a depreciação das coisas do local que morava naquele momento!!!

Mas, esse paulista tinha uma característica que se sobressaia em relação as demais: a CORAGEM. Como era muito gabola (auto se vangloriava), era mais valente do que qualquer cangaceiro e de se fazer inveja a qualquer Lampião da vida.

Enquanto entrávamos no mato, o paulistano (que sempre ia a frente para demonstrar coragem) ficava contando história de assombração e coisa do gênero para assustar e criar medo nos demais componentes do grupo.

Nesses pastos do agreste é comum uma vegetação com mais ou menos três metros de altura (tinha muito Marmeleiro) com algumas árvores de maior porte (como a quixabeira).

Estávamos passando por debaixo de uma dessas quixabeiras, quando de repente, o paulistano saiu em disparada de dentro do mato. Teve um componente que ainda gritou: cuidado com o Valado!!!!!.

Não teve jeito, o sujeito (corajosíssimo) bateu de frente com uma certa de três fios de arame farpado. Um dos três fio acertou bem no meio da testa e um outro bem no meio do peito. Ficou com dois cortes.

Quando indagado o que ocorreu: escutei um barulho estranho, deve ter um bicho dentro daquela moita.
Eu e outro colega fomos observar (os dois mortos de medo) e era apenas um burro que tinha relinchado.

Antônio Carlos Vieira
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sábado, 27 de julho de 2013

O ENTENDIDO EM CABRAS

Ao entrar em um restaurante, um amigo que sempre me chama de cumpadi, me interpelou:
- cumpadi, na sua terra não tem cabra que preste!!!

Eu tomei um susto, afinal de contas, aqui no Nordeste, cabra siginifca homem honesto e valente. Foi que questionei: que isso cumpadi, por que cê tá com tanta raiva?

Ele me respondeu prontamente: comprei oito cabras lá do seus conterrâneos, e nenhuma delas dá leite. Lá na sua terra, nem os cabra macho e nem as cabra feme presta!!!

Olhei pru cumpadi desapontado e perguntei onde ele tava criando as cabras? Já que o mesmo morava na cidade. Foi que ele me levou pra vê os animais.

Olhando pro animais, perguntei: cumpadi, cê tem certeza que entende de cabras?

Ele me respondeu sem pestanejar: bote entender nisso!!!!

Que prontamente eu respondi: cumpadi, tem um problema, esses animais ái são bodes!!! Os cabras macho da minha terra te venderam os bodes no lugar das cabras feme.

Ele tomou um susto: vixe maria!!!! me lasquei!!!.

Eu pra consolar o cumpadi: não tem problema cumpadi, é só vender os bodes e recuperar pelo menos uma parte do seu dinheiro.

Ele me respondeu: só eu tem um problema. Eu espaiei pelo bairro que ia entrar pro ramo de vender leite de cabras e inté marquei um arrasta pé pra esse finá de semana e convidei a muierada toda.

Foi que dei algumas sugestões: cumpadi, o caso do leite é fáci resolver. É só falar com aquele professor que aparece aqui de vez em quando. Ele mora na Boca do Sertão (Nossa Senhora da Glória-SE) e cria cabras e pode arranjar o leite. 

Em relação aos bodes, tem um pernambucano, la das bandas de Juazeiro e Petrolina , que abriu um ristaurante aqui perto só pra vender churrasco de bode, fica na beira da praia, nois vende os bodes pra ele. Dá pra vender um por semana. Pelo que ele me falou, vende de vinte a vinte cinco quilos de carne por semana, que é mais ou menos o peso de cada bode que cê comprou. É só vender um por semana e tá resolvido o problema!

Ele olhou pra mim mais conformado e perguntou: cê tem amizade com esse cabra?

Respondi: tenho cumpadi, amanhã mesmo eu passo aqui, pego dois bodes.

Foi que ele me perguntou meio assustado: ué, não era pra vender um bode por semana? E por que o cumpadi quer levar dois bodes de uma vez?

Respondi: cumpadi, cê esqueceu do arrasta pé que prometeu pra muierada.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia (UFS)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos VI

Ganhando uma “butija”

Desde criança sempre escutei história que fulano ou sicrano ganhou uma botija (o pessoal sempre pronuncia “butija”, com “U”), alguns tinham coragem de ir buscar e já outros!.

Para quem não conhece bem o que é “ganhar uma botija”, é bom saber primeiro o que é uma botija, para entender por que a grande maioria das pessoas se negaram a querer receber esse prêmio.

Uma botija, onde nasci e fui criado (Itabaiana-SE), é um pote cheio de moedas de ouro e em outras regiões e até povoados do mesmo município, uma botija, significa que a pessoas foi contemplada com algum valor em dinheiro. Lembrar que esse conceito muda de uma região para outra. Em algumas regiões, botija, significa simplesmente um vaso de barro. Alias, esse conceito de vaso de barro é o encontrado na maioria dos dicionários e foi o que eu aprendi na escola!

O interessante é como surgiu esse tesouro e como a pessoa é contemplada. Segundo os moradores da região, uma botija é a riqueza que algumas pessoas juntou durante toda a vida, guardava escondido em algum lugar seguro e morreu sem poder usufruir das economias que conseguiu realizar. Como a pessoa, depois de morta, se vê na impossibilidade de se utilizar das riquezas acumuladas, ela escolhe alguém, que esteja em vida, e oferece o tesouro para que a mesma usufrua.

A pessoa pode ser contemplada a receber uma botija de duas maneiras:

a) a pessoa sonha com o falecido e neste sonho o falecido mostra o local onde está depositado a famosa botija;

b) o falecido volta em forma de “alma penada” (fantasma) e passa a aparecer para a pessoa escolhida e se a pessoa não se apavorar (não mostrar medo) com a dita alma penada, a mesma irá mostra o local onde escondeu o precioso tesouro.

Mas, a pessoa pra ir buscar a botija, ao qual contemplada, tem de observar algumas regras:

a) a pessoa terá de ir a partir da meia noite;

b) não poderá levar nenhum acompanhante.

A ideia da botija ser um pote de ouro é porque o surgimento,  dessa lenda, se deu muitos tempos atrás e é bom lembrar, que essa lenda existe desde os primórdios da colonização brasileira e naquela época, uma das maneiras se se acumular riqueza, era guardar as moedas feitas de ouro, guardadas em um pote e depois enterradas em locais escondidos (secretos) para a devida segurança contra furtos.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Os cebolas, as lendas e os mitos V

O mito do pesadelo


Segundo os antigos moradores da Itabaiana Grande(SE), o pesadelo é um espírito que pode ser capturado e que a pessoa que conseguir tal feito, poderá fazer um pedido que o mesmo será realizado. Chamar a atenção, que essa não era uma regra geral, em alguns povoados, as pessoas diziam que só o fato de se conseguir a captura, do pesadelo, a pessoa já seria agraciada com moedas de ouro.

Os critérios de captura, do Espírito do Pesadelo, obedece o mesmo sistema de captura do Carneiro de Ouro, que vive na Serra de Itabaiana, que são eles: não pode pensar em dinheiro e nem ser ávaro (não pensar em riqueza), por ocasião do momento da captura.

Caso a pessoa pense em dinheiro ou qualquer riqueza por ocasião da captura, o Espírito do Pesadelo simplesmente se esvai e a pessoa apenas acorda cansada e assustada.

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Os Cebolas, as lendas e os mitos IV

A cidade poderia se acabar debaixo d’água!

Agora vamos falar sobre água, isso mesmo “água”. Quando era garoto, sempre escutava que se a Serra de Itabaiana(SE) fosse perfurada (cavasse algum poço) a cidade se acabaria debaixo d'água (seria inundada!). 

Quando ouvir essa história, pela primeira vez, estudava o pré-primário (hoje incorporado ao chamado Ensino Básico), indaguei (questionei): se isso é verdade, a cidade de Aracaju se acabaria primeiro, já que toda a água que sai da serra (tem vários olhos d’água) sempre vai em direção do litoral. A professora e colegas riram e me perguntaram de onde eu tirei a ideia, que prontamente expliquei: na semana passada a professora me falou que a água sempre corre para os lugares mais baixo e se furar um buraco na serra, a água irá cair nos riachos que estão entre a cidade e a serra, depois para o Rio Sergipe que irá cair no Oceano Atlântico. Como a Cidade de Aracaju fica as margens do Rio Sergipe, seria a primeira a ficar debaixo d’água.

A contestação se deu por que a informação que ocorreria tal desastre foi passada pelos americanos e por isso aceita como verdadeiras. Tive de aceitar calado e somente em casa questionei com o meu pai, que os americanos estavam errados ou mentindo. Meu pai me falou que seria bom eu aprender ficar calado e não questionar o que os americanos falavam, por que poderia corre o risco de ser considerado comunista e para piorar, nesta época, eu nem sabia o que seria um comunista!

Vale uma pequena observação, quando eu estudava, o chamado pré-primário, estávamos na década de 60, período do Regime Militar e era comum nesta época se acreditar em tudo que os americanos nos passavam como verdadeira, inclusive a história que os comunistas comiam criancinhas!!!!

Antônio Carlos Vieira
Licenciatura Plena - Geografia -UFS

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